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Indústria do Pará chega à Guiana para disputar contratos em país que já produz mais de 900 mil barris de petróleo por dia e atrai fornecedores internacionais

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/10/2026 às 13:12 Atualizado em 22/10/2026 às 13:20
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Indústrias do Pará buscam contratos na Guiana, onde a produção de petróleo supera 900 mil barris por dia e movimenta novas oportunidades offshore.

Representantes da indústria paraense chegaram a Georgetown, capital da Guiana, e começaram uma série de encontros com autoridades e organizações empresariais para tentar abrir espaço em um dos mercados de petróleo que mais crescem no mundo. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), a missão Prospect Guiana 2026 busca identificar oportunidades para fabricantes brasileiros de máquinas, equipamentos, materiais de construção e prestadores de serviços industriais. O movimento ocorre enquanto a produção petrolífera guianense já supera 900 mil barris por dia, conforme dados divulgados pelo governo local em setembro.

Com novas plataformas previstas e investimentos em infraestrutura, a Fiepa tenta aproximar empresas do Pará de compradores que atuam na exploração offshore, na construção de instalações industriais e no abastecimento do mercado guianense.

Missão industrial brasileira começa reuniões com autoridades e empresas em Georgetown

A comitiva da Fiepa iniciou sua agenda com visitas à Go-Invest Guyana, agência responsável pela promoção de investimentos estrangeiros, e à Câmara de Comércio de Georgetown.

Os representantes também estiveram no Ministério da Agricultura e incluíram no planejamento encontros com outros ministérios, instalações portuárias e organizações empresariais.

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A missão é coordenada pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), com participação da Redes Fiepa, iniciativa voltada à aproximação entre fornecedores e grandes compradores industriais.

O objetivo é conhecer as necessidades das empresas locais antes de organizar futuras ações comerciais.

Petróleo transforma a Guiana em um dos mercados industriais de maior crescimento da região

A expansão começou a ganhar força depois que o país iniciou a produção comercial de petróleo em águas profundas, em dezembro de 2019.

Desde então, a exploração offshore passou a atrair embarcações especializadas, equipamentos submarinos, serviços de engenharia e fornecedores de diferentes setores.

O Fundo Monetário Internacional informou, em 8 de outubro de 2026, que a economia guianense cresceu 19,3% em 2025.

A atividade petrolífera avançou aproximadamente 21% naquele ano. As atividades fora do petróleo também cresceram, com expansão de 14%.

A construção civil, a mineração, a agricultura e a indústria passaram a acompanhar o aumento dos investimentos.

A Guiana deixou de ser apenas um possível comprador de produtos brasileiros. O país também passou a demandar máquinas, materiais e serviços ligados à construção de sua infraestrutura.

Campo de Stabroek já acumulou um bilhão de barris de petróleo produzidos

A velocidade da expansão aparece nos números divulgados pela ExxonMobil, responsável pela operação do bloco de Stabroek.

Em setembro de 2026, a companhia anunciou que a produção acumulada havia atingido um bilhão de barris de petróleo, menos de sete anos depois do início da exploração comercial.

Campo de Stabroek já acumulou um bilhão de barris de petróleo produzidos
Campo de Stabroek já acumulou um bilhão de barris de petróleo produzidos

As operações contavam com quatro grandes projetos offshore, atendidos pelas plataformas Liza Destiny, Liza Unity, Prosperity e ONE GUYANA.

Juntas, essas unidades possuem capacidade instalada superior a 900 mil barris diários.

As embarcações são conhecidas como FPSOs, plataformas flutuantes que recebem o petróleo extraído no fundo do mar, fazem seu processamento inicial, armazenam o produto e permitem sua transferência para navios.

A expansão dessa estrutura também exige serviços de manutenção, transporte, engenharia e fornecimento de materiais industriais.

Novas plataformas previstas até 2029 devem ampliar a demanda por fornecedores

A ExxonMobil continua desenvolvendo projetos para aumentar sua capacidade de exploração. O empreendimento Uaru tem previsão de começar a produzir até o final de 2026. Outro projeto, chamado Whiptail, está previsto para entrar em operação em 2027.

A companhia também trabalha no desenvolvimento de Hammerhead, cuja produção está programada para 2029.

Essas datas fazem parte dos cronogramas anunciados pela petroleira e ainda dependem da execução dos projetos.

A empresa estima que o bloco de Stabroek possua recursos recuperáveis de quase 11 bilhões de barris equivalentes de petróleo.

A continuidade dos investimentos mantém a necessidade de equipamentos, embarcações, estruturas industriais e serviços especializados.

Comércio do Pará com a Guiana ainda movimenta apenas US$ 250,8 mil em seis meses

Apesar do crescimento guianense, a participação do Pará nas exportações brasileiras para o país vizinho ainda é pequena.

Entre janeiro e junho de 2026, as empresas paraenses exportaram aproximadamente US$ 250,8 mil para a Guiana. O principal produto comercializado foi o pargo, peixe capturado no litoral brasileiro.

Nesse período, o estado ocupou apenas a 15ª posição entre as unidades da Federação que venderam produtos ao mercado guianense.

A Fiepa pretende ampliar essa relação comercial para incluir fornecedores industriais, fabricantes de equipamentos e empresas prestadoras de serviços.

A missão ainda está na fase de prospecção. Não há estimativa oficial de quanto as exportações paraenses poderão crescer.

Fabricantes de máquinas, estruturas metálicas e materiais de construção estão entre os possíveis fornecedores

As oportunidades identificadas pela Fiepa não estão limitadas ao fornecimento direto para plataformas de petróleo.

O crescimento econômico da Guiana aumentou a procura por materiais utilizados em obras, equipamentos industriais, produtos de consumo e serviços especializados.

Fabricantes de máquinas, estruturas metálicas e materiais de construção estão entre os possíveis fornecedores
Fabricantes de máquinas, estruturas metálicas e materiais de construção estão entre os possíveis fornecedores

Empresas do Pará que trabalham com mineração, metalurgia, energia e infraestrutura possuem experiência em atividades que também são necessárias para grandes empreendimentos.

O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, afirmou que a indústria paraense pretende aproveitar essa experiência para disputar espaço nas cadeias produtivas da Guiana.

Porém, a possibilidade de vender equipamentos ou prestar serviços dependerá das exigências de cada comprador, dos preços e da capacidade de entrega.

Projeto de gás natural de 300 MW também abre oportunidades fora das plataformas

O governo guianense começou a desenvolver estruturas para aproveitar parte do gás natural associado à produção de petróleo.

Uma delas é o projeto Gas-to-Energy, em Wales, que prevê uma usina com capacidade final de 300 megawatts.

A instalação utilizará gás natural para produzir eletricidade e abastecer a rede nacional.

Em setembro de 2026, o governo informou que aproximadamente 1.300 trabalhadores participavam da construção. A primeira turbina estava sendo preparada para testes em dezembro.

O país também estuda novas instalações para fabricar fertilizantes e processar gás natural. Esses empreendimentos exigem equipamentos elétricos, tubulações, estruturas metálicas e serviços técnicos.

A missão da Fiepa busca conhecer oportunidades desse mercado em expansão, mas ainda não anunciou participação de empresas paraenses nos projetos.

Proximidade com o Norte do Brasil pode favorecer negócios, mas transporte ainda é um desafio

A localização da Guiana desperta interesse porque o país faz parte da região norte da América do Sul. O Brasil possui ligação terrestre com o território guianense por Roraima. O Pará, entretanto, não compartilha uma fronteira terrestre direta com a Guiana.

Isso significa que as empresas interessadas em exportar precisarão estudar alternativas de transporte rodoviário, marítimo ou combinações entre diferentes rotas. O custo do frete poderá influenciar a competitividade dos produtos brasileiros.

A Fiepa também considera relevante o acordo de preferências tarifárias existente desde 2004 entre os países, que pode facilitar determinadas operações comerciais.

As condições de cada produto precisarão ser verificadas antes da negociação.

Experiência do Pará em mineração e grandes obras entra na estratégia comercial

A indústria paraense participa de grandes empreendimentos ligados à mineração, à produção de metais, à geração de energia e à construção de infraestrutura.

Essas atividades exigem fornecedores especializados e capacidade para trabalhar com equipamentos de grande porte.

A Fiepa pretende apresentar essa experiência durante as conversas com instituições e possíveis compradores guianenses.

Alex Carvalho considera que o estado possui condições de fornecer produtos e serviços para projetos industriais de maior complexidade.

A missão também busca compreender quais setores apresentam demanda que ainda não é atendida pelos fornecedores locais.

Antes de iniciar qualquer exportação, as empresas precisarão identificar compradores, apresentar propostas e negociar contratos.

Indústria brasileira tenta encontrar espaço antes da próxima expansão do petróleo offshore

A próxima fase dos projetos petrolíferos da Guiana já possui cronogramas anunciados para 2026, 2027 e 2029. Enquanto a ExxonMobil prepara novas unidades de produção, o governo local amplia investimentos em energia e infraestrutura.

Para a Fiepa, o desafio será transformar as conversas realizadas em Georgetown em oportunidades comerciais para as empresas brasileiras.

O resultado dependerá da capacidade dos fornecedores paraenses de atender às exigências técnicas, logísticas e comerciais do mercado.

Nos primeiros seis meses de 2026, o Pará vendeu apenas US$ 250,8 mil em produtos para a Guiana. Do outro lado da fronteira, uma indústria petrolífera com capacidade superior a 900 mil barris diários continua se expandindo.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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