Pesquisadores encontraram no sítio arqueológico do Refúgio de San Lázaro, na Espanha, uma pedra pintada de 43.000 anos com a mais antiga e completa impressão digital neandertal já registrada.
O artefato foi descoberto em julho de 2022 durante escavações no abrigo rochoso localizado na cidade de Segóvia. A rocha contém um ponto de pigmento de ocre vermelho aplicado diretamente com a ponta do dedo.
Para comprovar a origem humana da marca, a equipe utilizou identificação forense e técnicas multiespectrais.
Três microamostras foram coletadas do espécime para a geração de imagens topográficas detalhadas de alta resolução da superfície.
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Impressão digital integra artefato associado à pareidolia facial
Na mesma camada do sítio, os especialistas localizaram 23 seixos, em sua maioria usados como ferramentas manuais. Análises por microscopia eletrônica de varredura indicaram que a rocha com o ponto vermelho teve manipulação decorativa.
Os pesquisadores sugerem que o seixo foi retirado do leito de um rio e levado ao abrigo. A hipótese é que o objeto simule um rosto humano, no qual o ocre destaca a crista nasal.
Duas cavidades menores na rocha funcionam como olhos e uma cavidade maior atua como boca. Esse fenômeno de interpretação de feições humanas em objetos inanimados é denominado pareidolia facial, processo cognitivo que pode oferecer vantagens evolutivas.
Estudo reforça debate sobre comportamento simbólico neandertal
Arqueólogos debatiam se apenas o Homo sapiens possuía capacidade para pensamentos complexos e rituais. A descoberta reforça a tese de que os neandertais desenvolveram comportamento simbólico de maneira independente na mesma época.
O achado amplia o conhecimento sobre a capacidade de abstração pré-histórica. Segundo o Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, a descoberta representa um avanço notável na compreensão da evolução humana.
Fonte: Refractor
