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Uma das cidades mais perigosas do mundo vive sobre toneladas de ouro, sem saneamento básico, marcada por violência, exploração humana e um sistema de trabalho sem salário fixo, onde o oxigênio é escasso e a expectativa de vida é estimada em até 35 anos

Escrito por Ana Alice
Publicado em 09/02/2026 às 05:09
Atualizado em 09/02/2026 às 05:11
Assista o vídeoLa Rinconada, no Peru, concentra ouro, mineração informal e riscos extremos à saúde e à segurança em uma das cidades mais altas do mundo. (Imagem: Ideogram)
La Rinconada, no Peru, concentra ouro, mineração informal e riscos extremos à saúde e à segurança em uma das cidades mais altas do mundo. (Imagem: Ideogram)
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A mais de cinco mil metros de altitude, uma cidade cresceu impulsionada pela mineração de ouro, sem planejamento urbano e com serviços precários, atraindo milhares de pessoas apesar dos riscos ambientais, de saúde e de segurança associados à atividade informal.

Localizada a cerca de 5.100 metros de altitude, no departamento de Puno, no sul do Peru, La Rinconada é frequentemente citada em reportagens internacionais como uma das cidades mais altas do mundo.

O município se desenvolveu a partir da exploração de ouro nos Andes e reúne uma população estimada em dezenas de milhares de pessoas, atraídas pela possibilidade de obter renda com a mineração, apesar das condições adversas de vida.

O crescimento acelerado ocorreu sem planejamento urbano.

Relatos de veículos como a National Geographic indicam que grande parte da cidade não dispõe de rede de esgoto, coleta regular de lixo ou acesso estruturado a serviços de saúde.

As moradias, em sua maioria improvisadas, se espalham ao redor das minas, em um ambiente marcado por baixas temperaturas, ruas de terra e acúmulo de resíduos.

Mesmo diante dessas limitações, La Rinconada continua recebendo novos moradores.

Especialistas ouvidos por publicações internacionais explicam que a valorização do ouro nas últimas décadas contribuiu para manter o fluxo constante de trabalhadores, muitos vindos de outras regiões do Peru, dispostos a enfrentar os riscos associados à atividade.

Crescimento urbano impulsionado pela mineração de ouro

A expansão urbana acompanhou diretamente a atividade mineradora.

Segundo a National Geographic, o antigo acampamento de garimpeiros se transformou em um grande aglomerado populacional sem que o Estado ampliasse, na mesma proporção, a oferta de serviços básicos.

A cidade não possui sistema formal de saneamento, e a coleta de lixo é irregular, o que agrava problemas ambientais e sanitários.

(Imagem: SOPA Images / Getty Images/Reprodução)
(Imagem: SOPA Images / Getty Images/Reprodução)

Estimativas de população variam conforme a fonte, oscilando entre 30 mil e 50 mil habitantes, número que pode mudar ao longo do ano devido à presença de trabalhadores temporários.

Essa instabilidade dificulta levantamentos oficiais e o planejamento de políticas públicas para a região.

Apesar da riqueza mineral, a maior parte dos recursos gerados pela mineração não se traduz em investimentos locais.

Reportagens apontam que muitos mineiros vivem com renda instável, dependente do sucesso ou fracasso na extração diária, enquanto atividades paralelas, como o comércio informal, surgem para atender às necessidades básicas da população.

Como funciona o sistema “cachorreo” em La Rinconada

Grande parte do trabalho em La Rinconada ocorre fora da economia formal.

Um dos modelos mais comuns é conhecido como “cachorreo”.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, nesse sistema o mineiro passa semanas ou até um mês trabalhando sem salário fixo e, ao final do período, recebe o direito de extrair ouro por conta própria durante um curto intervalo.

Caso não encontre ouro nesse dia, o trabalhador não recebe qualquer remuneração.

A OIT classifica o modelo como uma prática associada à exploração laboral, por não garantir renda mínima nem proteção social.

A informalidade também impede o acesso a direitos trabalhistas básicos, como seguro em caso de acidente.

A National Geographic relata que muitos acordos são feitos verbalmente, sem contratos.

Em alguns casos, o pagamento inclui apenas alimentação e abrigo.

Pesquisadores que acompanham a região afirmam que esse sistema ajuda a explicar a permanência de trabalhadores mesmo em condições de alto risco, já que a possibilidade de encontrar ouro funciona como incentivo, ainda que incerto.

Uso de mercúrio e impactos ambientais da mineração

Além das condições de trabalho, a extração de ouro em La Rinconada envolve riscos ambientais relevantes.

Reportagens descrevem o uso de mercúrio no processo de separação do ouro, prática comum na mineração artesanal.

Após formar uma amálgama com o metal precioso, o material é aquecido, liberando vapores tóxicos no ambiente.

Segundo estudos científicos citados por publicações internacionais, a exposição prolongada ao mercúrio pode causar danos ao sistema nervoso e a outros órgãos, dependendo do nível e da duração do contato.

Pesquisas sobre mineração artesanal indicam que a contaminação pode atingir o solo, os cursos d’água e o ar, afetando não apenas os trabalhadores, mas também moradores da região.

A esse quadro se somam outros fatores ambientais.

A poeira gerada pela atividade mineradora e a ventilação limitada dentro das galerias contribuem para problemas respiratórios, conforme apontam especialistas que estudam saúde ocupacional em áreas de mineração informal.

Os desafios de viver a mais de cinco mil metros de altitude

Viver a mais de cinco mil metros de altitude representa um desafio fisiológico constante.

Pesquisas citadas em revistas científicas indicam que, nessa altura, a quantidade de oxigênio disponível no ar é significativamente menor do que ao nível do mar.

Essa condição pode provocar sintomas como fadiga, dores de cabeça e dificuldade respiratória.

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Estudos sobre populações andinas mostram que parte dos moradores desenvolve adaptações ao longo do tempo.

Ainda assim, pesquisadores apontam que uma parcela da população pode apresentar quadros de hipóxia ou mal de montanha crônico, condição associada a alterações cardiovasculares e redução da capacidade física.

Reportagem de O Globo afirma que, apesar dessas adaptações fisiológicas, como o aumento na produção de hemoglobina, a expectativa de vida em La Rinconada não ultrapassa os 35 anos.

Valores de saturação de oxigênio medidos em pessoas aclimatadas em altitudes semelhantes às da cidade ficam bem abaixo dos padrões observados em regiões de baixa altitude.

Esses dados são utilizados como referência em estudos sobre habitação humana em áreas extremas.

Violência, informalidade e falta de dados oficiais

A ausência de regulamentação também afeta a segurança pública.

Reportagens internacionais mencionam casos de roubos, homicídios e conflitos relacionados à comercialização do ouro.

Uma investigação da Reuters, publicada em 2020, relatou ações das autoridades peruanas contra redes de tráfico humano na região e episódios de violência em minas subterrâneas.

Embora La Rinconada seja frequentemente descrita como uma cidade violenta, dados consolidados sobre criminalidade são escassos.

Pesquisadores e jornalistas destacam que estatísticas oficiais locais nem sempre estão disponíveis ou atualizadas.

Essa limitação dificulta a confirmação de números específicos, como taxas de homicídio ou expectativa média de vida.

Nesse contexto, La Rinconada costuma ser citada como exemplo de como a riqueza mineral nem sempre se converte em melhores condições de vida.

O município segue dependente de uma atividade econômica marcada pela informalidade, por riscos ambientais e por limitações estruturais.

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Maria Graciema
Maria Graciema
18/02/2026 20:26

O Peru merece ter um sub mundo humano deste?

Fernando Alencar
Fernando Alencar
10/02/2026 12:10

É mais uma Potosi na America Latina para regozijo dos Ratos de plantão

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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