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Um túnel ferroviário de 250 mil milhões de dólares entre Ásia e América volta ao radar, mas tem um problema: depende de cooperação entre Estados Unidos e Rússia e enfrenta gelo e terremotos de magnitude 7,9 na construção

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/01/2026 às 09:33
Atualizado em 19/01/2026 às 09:34
Um túnel ferroviário de 250 mil milhões de dólares entre Ásia e América volta ao radar, mas tem um problema: depende de cooperação entre Estados Unidos e Rússia e enfrenta gelo e terremotos de magnitude 7,9 na construção
A proposta cria um corredor subterrâneo com trem, energia e internet entre continentes, mas esbarra em custo alto e desafios extremos
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A proposta cria um corredor subterrâneo com trem, energia e internet entre continentes, mas esbarra em custo alto e desafios extremos

A ideia de unir Ásia e América pelo estreito de Bering volta ao radar com um projeto de túnel ferroviário de quase 100 km sob um mar gelado, sísmico e remoto.

O corredor prevê trens de carga e passageiros, além de espaço para oleodutos, gasodutos e cabos de fibra óptica. O valor associado ao conjunto da obra chega a 250 mil milhões de dólares.

Estreito de Bering: a faixa de mar que separa Rússia e EUA por 85 a 90 km

O estreito de Bering fica entre Chukotka, na Rússia, e o Alasca, nos EUA, com uma distância de cerca de 85 a 90 km.

Mesmo sendo um trecho de mar pouco profundo, com profundidades geralmente inferiores a 50 m, a travessia é marcada por gelo sazonal e correntes fortes.

Esse cenário empurra a solução para baixo do fundo do mar, onde a estrutura fica mais protegida do clima extremo.

Projeto prevê túnel escavado na rocha com 60 milhas, cerca de 97 km sob o mar

A proposta não trabalha com um tubo apoiado no leito marinho. O conceito é um túnel perfurado na rocha abaixo do fundo do estreito.

O trecho principal aparece descrito com 60 milhas, aproximadamente 97 km, com ramais interconectados e galerias de serviço.

A lógica lembra a do túnel do Canal da Mancha, mas com um comprimento maior e em uma região muito mais isolada.

Corredor multimodal quer levar trem de alta capacidade, petróleo, gás e fibra óptica no mesmo eixo

O desenho do projeto inclui uma ou mais galerias ferroviárias para trens de alta capacidade, voltados tanto para carga quanto para passageiros.

Também existe previsão de espaço interno para tubulações de petróleo e gás e cabos de dados, com possibilidade de incluir linhas elétricas de alta tensão.

Na prática, isso concentraria transporte, energia e conectividade digital dentro de uma única estrutura subterrânea.

Região sísmica exige estrutura preparada para terremotos próximos de magnitude 7,9

O estreito de Bering está em uma área com atividade sísmica, o que coloca o risco de terremotos no centro do planejamento.

Há referência a eventos próximos de magnitude 7,9, exigindo segmentos flexíveis, juntas especiais e monitoramento contínuo.

Em um túnel longo, esse tipo de engenharia é decisivo para manter segurança e estabilidade durante a operação.

Custo estimado chega a 250 mil milhões de dólares com ferrovias novas na Rússia e no Alasca

O valor atribuído ao corredor completo, incluindo túnel e linhas de acesso, é de 250 mil milhões de dólares.

Além do trecho subterrâneo, o orçamento inclui milhares de quilômetros de via em tundra e permafrost, com estações logísticas, instalações de manutenção e sistemas de segurança.

Esse pacote de infraestrutura em terra pode pesar muito no custo total, porque envolve terreno difícil e longas distâncias sem apoio urbano.

Ideia de “túnel de paz” mira rota terrestre entre redes da Rússia, China e América do Norte

O projeto aparece ligado ao conceito de túnel de paz, com a ambição de criar uma ligação terrestre contínua entre redes ferroviárias da Rússia, da China e da América do Norte.

A proposta também busca oferecer uma rota de mercadorias mais curta do que alguns caminhos marítimos tradicionais, além de abrir espaço para energia e dados.

Mesmo assim, a execução depende de coordenação entre países, normas, aduanas e segurança, além de atrair investimento compatível com 250 mil milhões de dólares.

Permafrost, geopolítica e retorno financeiro ainda mantêm o plano fora do canteiro de obras

O desafio não é apenas cavar o túnel. Stabilizar ferrovias em permafrost em mudança é um ponto crítico para a operação.

Somado a isso, existe a complexidade de alinhar regras e garantir viabilidade econômica para uma obra desse tamanho.

Por enquanto, o túnel do estreito de Bering segue como uma visão de grande escala, com potencial logístico e energético, mas distante de virar construção em andamento.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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