Produtos do agronegócio concentram mais de 70% das vendas externas do estado, que ocupa a 15ª posição no ranking nacional. China permanece como principal destino, enquanto custos logísticos e riscos climáticos preocupam produtores.
O Tocantins ultrapassou R$ 13 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026, impulsionado principalmente pelas vendas de soja e carne bovina ao mercado internacional. O resultado representa crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025 e coloca o estado na terceira posição entre os maiores exportadores da região Norte, atrás apenas do Pará e de Rondônia.
Os números foram divulgados pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto) e publicados pelo g1 Tocantins em outubro de 2026. Os valores em reais foram obtidos pela conversão dos dados originalmente expressos em dólares, considerando a cotação de 23 de outubro. A soja respondeu por 56,6% do valor exportado, enquanto a carne bovina representou outros 16,6%. Juntos, os dois produtos concentraram 73,2% das receitas com vendas externas do Tocantins nos primeiros nove meses do ano.
O desempenho reforça a importância do agronegócio para a economia estadual, mas também evidencia desafios relacionados à dependência do mercado chinês, à distância dos portos e às condições climáticas que poderão influenciar a próxima safra.
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Soja responde por mais da metade das exportações do Tocantins
A soja permanece como o principal produto vendido pelo Tocantins ao exterior. Sua participação de 56,6% coloca o grão à frente de todos os demais itens da pauta exportadora estadual.
A carne bovina aparece na segunda posição, com 16,6% do total. A presença dos dois produtos no topo demonstra o peso das cadeias agrícola e pecuária na geração de receitas internacionais.
Considerando o patamar de R$ 13 bilhões como referência, a participação da soja corresponderia a aproximadamente R$ 7,36 bilhões, enquanto a carne bovina representaria cerca de R$ 2,16 bilhões. Como o total efetivamente exportado ultrapassou R$ 13 bilhões, os valores são apenas referências calculadas a partir do piso divulgado, não os montantes exatos de cada produto.
O crescimento estadual de 3% ocorreu em um cenário no qual produtores também enfrentam dificuldades para ampliar a produção e manter a competitividade no comércio exterior.
Thiago Facco, vice-presidente da Aprosoja Tocantins, destaca que a demanda internacional voltou a ganhar força, especialmente entre compradores asiáticos.
Apesar das perspectivas positivas para a comercialização, o avanço da área plantada poderá ser menor em 2026. A instabilidade climática e os possíveis efeitos do El Niño estão entre os fatores que preocupam os produtores.
China compra mais da metade das exportações tocantinenses
A China manteve a liderança entre os parceiros comerciais do Tocantins nos nove primeiros meses de 2026, concentrando mais de 50% do valor das mercadorias exportadas pelo estado.
A participação chinesa está diretamente relacionada à importância da soja e da carne bovina nas vendas externas.
Na pecuária, o mercado asiático exerce influência sobre as características da produção e o planejamento das empresas exportadoras.
O diretor de pecuária da Motta Agropecuária, Thiago Amorim, afirma que a produção voltada ao comércio internacional considera especialmente a demanda chinesa, devido ao volume adquirido pelo país.
Além da China, existem plantas frigoríficas habilitadas para atender mercados como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Indonésia.
Essa diversidade de destinos permite acessar diferentes compradores, embora a China continue concentrando a maior parcela das exportações tocantinenses.
A dependência de um mercado de grande participação também torna relevante acompanhar as mudanças na demanda internacional, nas exigências comerciais e nas condições de acesso aos países importadores.
Tocantins é o nono maior produtor de carne bovina do Brasil

A pecuária tocantinense ocupa uma posição importante no cenário nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado aparece em nono lugar no ranking brasileiro de produção de carne bovina.
A posição contribui para explicar a relevância da proteína animal na pauta exportadora, embora a produção e as vendas internacionais sejam indicadores diferentes.
Para Thiago Amorim, um dos caminhos para ampliar o desenvolvimento da atividade é aumentar o processamento da carne dentro do próprio estado.
Em vez de enviar animais vivos para outras regiões, o setor poderia ampliar a comercialização de carne embalada e processada, agregando valor antes da saída da mercadoria.
Esse movimento é conhecido como verticalização da cadeia produtiva e envolve a realização de mais etapas industriais próximas da origem da matéria-prima.
Na prática, pode incluir atividades como abate, processamento, embalagem e preparação dos produtos destinados aos compradores.
A proposta busca ampliar a participação da indústria local no valor gerado pela pecuária, além da produção primária dos animais.
O avanço, entretanto, depende de capacidade industrial, infraestrutura e condições comerciais que permitam competir com outras regiões produtoras.
Porto Nacional lidera exportações municipais com mais de R$ 2,5 bilhões
O desempenho estadual também aparece na distribuição das vendas externas entre os municípios.
Porto Nacional ocupa a primeira posição no ranking tocantinense, respondendo por 20,93% das exportações registradas entre janeiro e setembro.
O município ultrapassou R$ 2,5 bilhões em vendas internacionais, consolidando sua liderança no período.
Santa Rosa do Tocantins aparece em segundo lugar, seguida por Almas, Campos Lindos e Araguaína.
| Município | Participação nas exportações |
|---|---|
| Porto Nacional | 20,93% |
| Santa Rosa do Tocantins | 10,84% |
| Almas | 8,77% |
| Campos Lindos | 8,21% |
| Araguaína | 7,11% |
Os cinco municípios somaram 55,86% das exportações estaduais no período.
Palmas ficou na sexta posição, com participação de 6,62% e vendas externas superiores a R$ 821 milhões.
O resultado mostra que a atividade exportadora não está concentrada exclusivamente na capital, com municípios do interior respondendo por parcelas expressivas das receitas obtidas no comércio internacional.
Importações crescem 17,9% e superam R$ 1,5 bilhão
Enquanto as exportações aumentaram 3%, as importações tocantinenses avançaram em ritmo mais acelerado.
O estado comprou mais de R$ 1,5 bilhão em mercadorias estrangeiras entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 17,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
No ranking nacional, o Tocantins ocupa a 22ª posição entre os estados importadores, enquanto aparece em 15º lugar nas exportações.
A China também lidera as compras internacionais realizadas pelo estado, com participação de 21,4%.
Estados Unidos, Canadá, Turcomenistão e Venezuela aparecem na sequência. Esses quatro países responderam, juntos, por 66,2% das importações estaduais.
Entre os municípios, Palmas concentra a maior parcela do valor importado, seguida por Palmeirante e Miranorte.
| Município | Participação nas importações |
|---|---|
| Palmas | 29,77% |
| Palmeirante | 26,95% |
| Miranorte | 10,17% |
| Lagoa da Confusão | 9,56% |
| Gurupi | 5,65% |
Palmas e Palmeirante, sozinhas, representam 56,72% do valor das importações do Tocantins.
O crescimento mais acelerado das compras externas não elimina o saldo comercial positivo do estado, já que o valor exportado permanece substancialmente superior ao importado.
Distância dos portos reduz competitividade da soja tocantinense
Apesar do crescimento das vendas internacionais, o transporte continua sendo um dos principais desafios para os produtores do Tocantins.
O estado integra a região do Matopiba, formada por áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, mas não possui acesso próprio a portos marítimos.
Por isso, a produção destinada ao exterior precisa percorrer trajetos até instalações portuárias localizadas em outros estados.
Esse deslocamento acrescenta despesas à comercialização, afetando o valor que os produtores conseguem receber pelas mercadorias.
Thiago Facco aponta que a soja tocantinense pode alcançar preços inferiores aos pagos pelo produto originado em estados como Maranhão e Piauí, justamente devido às diferenças de logística e distância dos portos.
O impacto é especialmente relevante para uma mercadoria como a soja, comercializada em grandes volumes e sujeita à concorrência internacional.
Mesmo quando a demanda externa está aquecida, custos elevados de transporte podem reduzir a margem disponível para os produtores.
A competitividade depende, portanto, não apenas da produtividade agrícola, mas também da infraestrutura necessária para movimentar a produção até os compradores internacionais.
Riscos climáticos podem limitar o crescimento da próxima safra
O desempenho das exportações até setembro não elimina as incertezas para o restante do ciclo agrícola.
A expectativa de uma boa safra convive com preocupações relacionadas à instabilidade do clima e à possibilidade de impactos associados ao El Niño.
A expansão da área plantada, que vinha registrando crescimento no Tocantins, poderá desacelerar em 2026 e até apresentar estabilidade em comparação com anos anteriores.
O resultado dependerá das condições enfrentadas pelos produtores durante o desenvolvimento das lavouras.
Ao mesmo tempo, a recuperação da demanda internacional, especialmente da China, contribui para sustentar o interesse comercial pela soja brasileira.
A combinação entre procura externa, condições de produção e despesas logísticas será determinante para o desempenho futuro das exportações tocantinenses.
Com mais de R$ 13 bilhões vendidos ao exterior em nove meses, o Tocantins encerrou setembro na terceira posição entre os exportadores do Norte e na 15ª colocação nacional. A continuidade desse crescimento dependerá, sobretudo, das condições das próximas safras e da capacidade das cadeias de soja e carne bovina de manter sua competitividade nos mercados internacionais.
