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Soja e carne bovina levam Tocantins a mais de R$ 13 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 26/10/2026 às 10:45 Atualizado em 26/10/2026 às 10:50
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Produção de soja é marcada por expectativas e desafios em 2026 — Foto: Divulgação/Aprosoja
Produção de soja é marcada por expectativas e desafios em 2026 — Foto: Divulgação/Aprosoja
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Produtos do agronegócio concentram mais de 70% das vendas externas do estado, que ocupa a 15ª posição no ranking nacional. China permanece como principal destino, enquanto custos logísticos e riscos climáticos preocupam produtores.

O Tocantins ultrapassou R$ 13 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026, impulsionado principalmente pelas vendas de soja e carne bovina ao mercado internacional. O resultado representa crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025 e coloca o estado na terceira posição entre os maiores exportadores da região Norte, atrás apenas do Pará e de Rondônia.

Os números foram divulgados pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto) e publicados pelo g1 Tocantins em outubro de 2026. Os valores em reais foram obtidos pela conversão dos dados originalmente expressos em dólares, considerando a cotação de 23 de outubro. A soja respondeu por 56,6% do valor exportado, enquanto a carne bovina representou outros 16,6%. Juntos, os dois produtos concentraram 73,2% das receitas com vendas externas do Tocantins nos primeiros nove meses do ano.

O desempenho reforça a importância do agronegócio para a economia estadual, mas também evidencia desafios relacionados à dependência do mercado chinês, à distância dos portos e às condições climáticas que poderão influenciar a próxima safra.

Soja responde por mais da metade das exportações do Tocantins

A soja permanece como o principal produto vendido pelo Tocantins ao exterior. Sua participação de 56,6% coloca o grão à frente de todos os demais itens da pauta exportadora estadual.

A carne bovina aparece na segunda posição, com 16,6% do total. A presença dos dois produtos no topo demonstra o peso das cadeias agrícola e pecuária na geração de receitas internacionais.

Considerando o patamar de R$ 13 bilhões como referência, a participação da soja corresponderia a aproximadamente R$ 7,36 bilhões, enquanto a carne bovina representaria cerca de R$ 2,16 bilhões. Como o total efetivamente exportado ultrapassou R$ 13 bilhões, os valores são apenas referências calculadas a partir do piso divulgado, não os montantes exatos de cada produto.

O crescimento estadual de 3% ocorreu em um cenário no qual produtores também enfrentam dificuldades para ampliar a produção e manter a competitividade no comércio exterior.

Thiago Facco, vice-presidente da Aprosoja Tocantins, destaca que a demanda internacional voltou a ganhar força, especialmente entre compradores asiáticos.

Apesar das perspectivas positivas para a comercialização, o avanço da área plantada poderá ser menor em 2026. A instabilidade climática e os possíveis efeitos do El Niño estão entre os fatores que preocupam os produtores.

China compra mais da metade das exportações tocantinenses

A China manteve a liderança entre os parceiros comerciais do Tocantins nos nove primeiros meses de 2026, concentrando mais de 50% do valor das mercadorias exportadas pelo estado.

A participação chinesa está diretamente relacionada à importância da soja e da carne bovina nas vendas externas.

Na pecuária, o mercado asiático exerce influência sobre as características da produção e o planejamento das empresas exportadoras.

O diretor de pecuária da Motta Agropecuária, Thiago Amorim, afirma que a produção voltada ao comércio internacional considera especialmente a demanda chinesa, devido ao volume adquirido pelo país.

Além da China, existem plantas frigoríficas habilitadas para atender mercados como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Indonésia.

Essa diversidade de destinos permite acessar diferentes compradores, embora a China continue concentrando a maior parcela das exportações tocantinenses.

A dependência de um mercado de grande participação também torna relevante acompanhar as mudanças na demanda internacional, nas exigências comerciais e nas condições de acesso aos países importadores.

Tocantins é o nono maior produtor de carne bovina do Brasil

Carne bovina produzida no Tocantins é destaque na exportação — Foto: Arquivo Pessoal/Motta Agropecuária
Carne bovina produzida no Tocantins é destaque na exportação — Foto: Arquivo Pessoal/Motta Agropecuária

A pecuária tocantinense ocupa uma posição importante no cenário nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado aparece em nono lugar no ranking brasileiro de produção de carne bovina.

A posição contribui para explicar a relevância da proteína animal na pauta exportadora, embora a produção e as vendas internacionais sejam indicadores diferentes.

Para Thiago Amorim, um dos caminhos para ampliar o desenvolvimento da atividade é aumentar o processamento da carne dentro do próprio estado.

Em vez de enviar animais vivos para outras regiões, o setor poderia ampliar a comercialização de carne embalada e processada, agregando valor antes da saída da mercadoria.

Esse movimento é conhecido como verticalização da cadeia produtiva e envolve a realização de mais etapas industriais próximas da origem da matéria-prima.

Na prática, pode incluir atividades como abate, processamento, embalagem e preparação dos produtos destinados aos compradores.

A proposta busca ampliar a participação da indústria local no valor gerado pela pecuária, além da produção primária dos animais.

O avanço, entretanto, depende de capacidade industrial, infraestrutura e condições comerciais que permitam competir com outras regiões produtoras.

Porto Nacional lidera exportações municipais com mais de R$ 2,5 bilhões

O desempenho estadual também aparece na distribuição das vendas externas entre os municípios.

Porto Nacional ocupa a primeira posição no ranking tocantinense, respondendo por 20,93% das exportações registradas entre janeiro e setembro.

O município ultrapassou R$ 2,5 bilhões em vendas internacionais, consolidando sua liderança no período.

Santa Rosa do Tocantins aparece em segundo lugar, seguida por Almas, Campos Lindos e Araguaína.

MunicípioParticipação nas exportações
Porto Nacional20,93%
Santa Rosa do Tocantins10,84%
Almas8,77%
Campos Lindos8,21%
Araguaína7,11%

Os cinco municípios somaram 55,86% das exportações estaduais no período.

Palmas ficou na sexta posição, com participação de 6,62% e vendas externas superiores a R$ 821 milhões.

O resultado mostra que a atividade exportadora não está concentrada exclusivamente na capital, com municípios do interior respondendo por parcelas expressivas das receitas obtidas no comércio internacional.

Importações crescem 17,9% e superam R$ 1,5 bilhão

Enquanto as exportações aumentaram 3%, as importações tocantinenses avançaram em ritmo mais acelerado.

O estado comprou mais de R$ 1,5 bilhão em mercadorias estrangeiras entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 17,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

No ranking nacional, o Tocantins ocupa a 22ª posição entre os estados importadores, enquanto aparece em 15º lugar nas exportações.

A China também lidera as compras internacionais realizadas pelo estado, com participação de 21,4%.

Estados Unidos, Canadá, Turcomenistão e Venezuela aparecem na sequência. Esses quatro países responderam, juntos, por 66,2% das importações estaduais.

Entre os municípios, Palmas concentra a maior parcela do valor importado, seguida por Palmeirante e Miranorte.

MunicípioParticipação nas importações
Palmas29,77%
Palmeirante26,95%
Miranorte10,17%
Lagoa da Confusão9,56%
Gurupi5,65%

Palmas e Palmeirante, sozinhas, representam 56,72% do valor das importações do Tocantins.

O crescimento mais acelerado das compras externas não elimina o saldo comercial positivo do estado, já que o valor exportado permanece substancialmente superior ao importado.

Distância dos portos reduz competitividade da soja tocantinense

Apesar do crescimento das vendas internacionais, o transporte continua sendo um dos principais desafios para os produtores do Tocantins.

O estado integra a região do Matopiba, formada por áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, mas não possui acesso próprio a portos marítimos.

Por isso, a produção destinada ao exterior precisa percorrer trajetos até instalações portuárias localizadas em outros estados.

Esse deslocamento acrescenta despesas à comercialização, afetando o valor que os produtores conseguem receber pelas mercadorias.

Thiago Facco aponta que a soja tocantinense pode alcançar preços inferiores aos pagos pelo produto originado em estados como Maranhão e Piauí, justamente devido às diferenças de logística e distância dos portos.

O impacto é especialmente relevante para uma mercadoria como a soja, comercializada em grandes volumes e sujeita à concorrência internacional.

Mesmo quando a demanda externa está aquecida, custos elevados de transporte podem reduzir a margem disponível para os produtores.

A competitividade depende, portanto, não apenas da produtividade agrícola, mas também da infraestrutura necessária para movimentar a produção até os compradores internacionais.

Riscos climáticos podem limitar o crescimento da próxima safra

O desempenho das exportações até setembro não elimina as incertezas para o restante do ciclo agrícola.

A expectativa de uma boa safra convive com preocupações relacionadas à instabilidade do clima e à possibilidade de impactos associados ao El Niño.

A expansão da área plantada, que vinha registrando crescimento no Tocantins, poderá desacelerar em 2026 e até apresentar estabilidade em comparação com anos anteriores.

O resultado dependerá das condições enfrentadas pelos produtores durante o desenvolvimento das lavouras.

Ao mesmo tempo, a recuperação da demanda internacional, especialmente da China, contribui para sustentar o interesse comercial pela soja brasileira.

A combinação entre procura externa, condições de produção e despesas logísticas será determinante para o desempenho futuro das exportações tocantinenses.

Com mais de R$ 13 bilhões vendidos ao exterior em nove meses, o Tocantins encerrou setembro na terceira posição entre os exportadores do Norte e na 15ª colocação nacional. A continuidade desse crescimento dependerá, sobretudo, das condições das próximas safras e da capacidade das cadeias de soja e carne bovina de manter sua competitividade nos mercados internacionais.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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