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Seu carro muda a eletricidade do ar: estudo descobre que poluição do tráfego pesado mexe com cargas invisíveis na atmosfera e serve de alerta para a poluição nas cidades

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 06/01/2026 às 10:30
Atualizado em 06/01/2026 às 10:31
Estudo da Universidade Hebraica liga poluição do tráfego a mudanças no campo elétrico atmosférico em dias de congestionamento.
Estudo da Universidade Hebraica liga poluição do tráfego a mudanças no campo elétrico atmosférico em dias de congestionamento.
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Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém monitoraram a qualidade do ar durante sete meses e descobriram que os gases de escape e partículas do tráfego reduzem a condutividade atmosférica, provocando alterações imediatas na intensidade do campo elétrico urbano nos horários de maior congestionamento

Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém monitoraram, durante sete meses em 2024, como emissões de tráfego na região de Tel Aviv alteram o campo elétrico atmosférico, estabelecendo uma ligação física direta entre picos de poluentes e a variabilidade elétrica local.

Monitoramento e metodologia aplicada em Israel

O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel. A equipe utilizou um moinho de campo elétrico instalado na cidade de Holon. As medições foram realizadas ao longo do ano de 2024 para captar variações detalhadas no ambiente urbano.

Os resultados obtidos pelo equipamento foram comparados com dados de qualidade do ar coletados durante um período de sete meses. Para garantir a precisão da análise, apenas as medições de dias de tempo bom foram incluídas no conjunto final de dados.

Essa filtragem foi necessária para eliminar qualquer interferência externa causada por chuvas e tempestads. O objetivo era isolar exclusivamente os efeitos antropogênicos sobre o campo elétrico, sem as flutuações naturais intensas provocadas por fenômenos meteorológicos severos.

Diversos poluentes específicos foram monitorados durante a investigação. A lista incluiu gases e partículas provenientes diretamente do escapamento de veículos e do desgaste de pneus. Também foram considerados compostos adicionais formados em reações químicas com gases já presentes na atmosfera.

Impacto dos poluentes e horários de pico

As análises foram coordenadas com dados locais de qualidade do ar e meteorológicos. Os cientistas examinaram como as partículas finas (PM2,5) e os óxidos de nitrogênio (NOx) influenciam o Gradiente Potencial (PG). O PG atua como um indicador do campo elétrico atmosférico próximo ao solo.

Os dados mostraram que a poluição do tráfego em Tel Aviv exerce um impacto imediato no campo elétrico da região. Foi observado que os gases NOx e o congestionamento de veículos atingem o pico simultaneamente. Isso ocorre nos horários de pico, tanto no início quanto no final do dia útil.

A equipe de pesquisa relacionou diretamente a intensidade do campo elétrico com os horários de maior fluxo de carros. Também foi observada uma associação entre as partículas PM2,5 e o campo elétrico, embora com uma diferença temporal em relação aos gases.

No caso das partículas PM2,5, o efeito foi registrado com um atraso de cerca de duas horas e meia. Os pesquisadores atribuíram esse intervalo às diferenças no tamanho, na composição química e no tempo de permanência dessas partículas na atmosfera.

Um efeito notável também foi relatado nos fins de semana. Houve quedas significativas na poluição do tráfego nesses períodos, o que correspondeu a um enfraquecimento do campo elétrico. Esse dado confirma ainda mais que os dois fatores estão de fato relacionados.

Mecanismos de redução da condutivdade

O geocientista Roy Yaniv, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirmou que foi observada uma ligação física direta entre os picos de emissão e a variabilidade elétrica. Segundo ele, os óxidos de nitrogênio reduzem a condutivdade atmosférica muito rapidamente.

Devido a essa redução na condutividade, o campo elétrico responde quase instantaneamente durante os horários de pico do trânsito. A razão por trás desse efeito são os íons, que são as partículas carregadas presentes no ar.

Os poluentes capturam esses íons, reduzindo a capacidade de condução do campo elétrico atmosférico. Isso, por sua vez, desencadeia um efeito compensatório no qual o campo elétrico se torna mais forte para equilibrar a alteração na carga.

O campo elétrico atmosférico resulta de diferenças naturais de carga entre a superfície e a alta atmosfera. Esse sistema é impulsionado principalmente pelo turbilhão de correntes formadas em tempestades, mas fatores como flutuações climáticas locais e poluição também influenciam esse circuito planetário.

Implicações para saúde e segurança urbana

Estudos anteriores já haviam mostrado como a fumaça urbana pode interferir no campo elétrico. Agora, existem evidências sólidas sobre o impacto que a poluição do ar causada especificamente pelo tráfego também pode ter sobre esse sistema ambiental.

Essas mudanças não são consideradas perigosas. As alterações nos níveis são relativamente pequenas. Não seriam suficientes para desestabilizar os sistemas climáticos ou interferir com qualquer aparelho eletrônico ou infraestrutura similar.

A principal conclusão aponta para a utilidade das medições do campo elétrico no monitoramento da poluição. Essa métrica pode fornecer mais dados sobre o nível de ameaça dos gases de escape do tráfego à saúde nas cidades.

Os resultados aprimoram a compreensão da interação entre poluição urbana e o campo elétrico local. Os pesquisadores enfatizam a importância de integrar dados de qualidade do ar em estudos de eletricidade atmosférica, especialmente em regiões densamente povoadas onde influências humanas são acentuadas.

A pesquisa completa, detalhando a metodologia e as descobertas sobre a interação entre o tráfego e a atmosfera, foi publicada na revista Atmospheric Research (Yaniv et al., 2025).

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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