1. Início
  2. Curiosidades
  3. Sem dinheiro nem para comprar gás, mãe de cinco filhos catava latinhas, cozinhava com gravetos, bateu de porta em porta para pagar a inscrição, estudou das 8h às 23h após uma cirurgia e conquistou uma vaga no concurso do TJDFT
Faça um comentário 6 min de leitura

Sem dinheiro nem para comprar gás, mãe de cinco filhos catava latinhas, cozinhava com gravetos, bateu de porta em porta para pagar a inscrição, estudou das 8h às 23h após uma cirurgia e conquistou uma vaga no concurso do TJDFT

Imagem de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 12/08/2026 às 17:43 Atualizado em 12/08/2026 às 18:28
Assista o vídeoMarilene Lopes superou dificuldades, estudou para concurso e conquistou vaga no TJDFT após uma trajetória marcada por persistência.
Marilene Lopes superou dificuldades, estudou para concurso e conquistou vaga no TJDFT após uma trajetória marcada por persistência.
  • Reação
  • Reação
3 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Responsável por cinco filhos e cercada por dificuldades financeiras, uma brasileira manteve os estudos enquanto enfrentava obstáculos que iam muito além da preparação para uma prova. Falta de recursos, recuperação de cirurgia, rotina intensa de estudos e uma oportunidade profissional marcaram a trajetória.

Sem renda suficiente para comprar gás de cozinha e responsável por cinco filhos, Marilene Lopes passou a recolher latinhas nas ruas para conseguir dinheiro para alimentar a família, enquanto mantinha os estudos e buscava uma oportunidade capaz de mudar sua situação profissional.

Mesmo cercada por dificuldades financeiras, ela reuniu com ajuda de outras pessoas o valor necessário para participar de um concurso público, intensificou a preparação durante a recuperação de uma cirurgia e acabou aprovada para o cargo de técnica judiciária do TJDFT.

A trajetória foi registrada pelo próprio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, que relatou um período em que a situação econômica da família se tornou tão difícil que faltava dinheiro até para comprar o gás usado no preparo das refeições.

Diante dessa limitação, Marilene recorria a gravetos para cozinhar e continuava procurando maneiras de garantir comida para os filhos, ao mesmo tempo em que tentava preservar uma rotina de estudos voltada para concursos públicos e para uma mudança de profissão.

Catadora de latinhas manteve os estudos em meio às dificuldades

Antes de ingressar no serviço público, ela havia trabalhado como empregada doméstica, mas a perda do emprego agravou uma realidade já marcada por restrições financeiras e transformou a manutenção da casa e o sustento das crianças em preocupações ainda mais imediatas.

Foi nesse cenário que a coleta de latinhas passou a fazer parte de sua rotina, não como projeto profissional, mas como uma forma de obter algum dinheiro enquanto buscava alternativas de renda e mantinha o objetivo de conquistar uma oportunidade por meio dos estudos.

Apesar da instabilidade, a preparação para concursos permaneceu entre suas prioridades, exigindo conciliação entre as responsabilidades familiares, a busca por renda e o acesso limitado a recursos básicos, inclusive aqueles necessários para participar formalmente de um processo seletivo.

Quando surgiu a oportunidade de disputar uma vaga no TJDFT, o obstáculo mais urgente deixou de ser apenas o conteúdo da prova, porque Marilene não tinha o dinheiro necessário para pagar a taxa e garantir a própria inscrição no concurso.

Marilene Lopes superou dificuldades, estudou para concurso e conquistou vaga no TJDFT após uma trajetória marcada por persistência.
Marilene Lopes superou dificuldades, estudou para concurso e conquistou vaga no TJDFT após uma trajetória marcada por persistência.

Inscrição no concurso do TJDFT virou uma corrida contra o tempo

Segundo o relato publicado pelo tribunal, ela decidiu pedir ajuda e bateu de porta em porta para reunir o valor, numa corrida que se prolongou até o último dia disponível para pagamento e terminou poucos minutos antes do encerramento do expediente bancário.

A quantia só foi completada quando faltavam cerca de dez minutos para o fechamento da agência, detalhe que permitiu a continuidade da candidatura e transformou uma dificuldade financeira imediata em mais uma etapa superada antes mesmo da realização da prova.

Conseguir efetuar a inscrição, porém, representava apenas uma parte do caminho, porque a candidata ainda precisava se preparar para uma seleção concorrida enquanto administrava a rotina familiar, a falta de recursos e os imprevistos pessoais que continuavam surgindo naquele período.

Pouco depois, uma cirurgia interferiu diretamente na preparação, mas o período de recuperação acabou se tornando também uma fase de estudo mais intenso, graças ao acesso a uma apostila e ao contato com outras pessoas que buscavam a mesma aprovação.

Estudos das 8h às 23h marcaram preparação para a prova

Na casa da mãe, onde permaneceu durante a recuperação, Marilene encontrou condições para aprofundar a preparação e passou a dedicar praticamente todo o dia ao conteúdo da prova, numa rotina que, segundo o TJDFT, chegou a se estender das 8h às 23h.

As longas horas de estudo ocorreram enquanto ela ainda se recuperava do procedimento cirúrgico, circunstância que aumentava as exigências daquela fase, mas não interrompeu a tentativa de ingressar no tribunal nem alterou seu objetivo de seguir no processo seletivo.

A aprovação colocou a antiga empregada doméstica e catadora diante de uma mudança profissional concreta, já que a vaga de técnica judiciária representava uma fonte regular de renda e a entrada efetiva no serviço público federal depois de um período de forte vulnerabilidade.

Essa mudança não eliminou imediatamente os desafios pessoais que cercavam sua vida, porque a posse no TJDFT ocorreu em um momento igualmente delicado: Marilene havia passado por um parto difícil apenas três dias antes de assumir oficialmente o cargo.

Posse no TJDFT aconteceu três dias depois de um parto difícil

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Registrada pelo tribunal, a posse aconteceu em 9 de maio de 2001, enquanto o filho caçula ainda permanecia no berçário da maternidade, circunstância que acrescentou mais um episódio marcante à sequência de dificuldades enfrentadas antes da consolidação da nova atividade profissional.

Mesmo poucos dias após o parto, Marilene compareceu para assumir a função, encerrando uma etapa que havia começado com a busca por renda em trabalhos informais e avançado por estudos intensos, dificuldades para pagar a inscrição e preparação durante a recuperação cirúrgica.

Os detalhes reunidos pelo TJDFT ajudam a dimensionar as limitações materiais daquele período, sobretudo porque a falta de dinheiro para comprar gás não aparece apenas como uma referência genérica à pobreza, mas como uma dificuldade que afetava diretamente o preparo das refeições.

Ao mesmo tempo, a taxa do concurso representava outro obstáculo concreto, já que sua participação dependia de um recurso que não estava disponível e precisou ser obtido com ajuda de outras pessoas no limite do prazo estabelecido para o pagamento.

Aprovação transformou a trajetória profissional de Marilene Lopes

Durante a preparação, a combinação entre recuperação médica, responsabilidades familiares e estudo prolongado criou uma rotina intensa, na qual a apostila encontrada na casa da mãe e o contato com outros candidatos ajudaram a sustentar uma jornada diária que avançava da manhã até a noite.

A nomeação transformou a aprovação em uma mudança efetiva de profissão e de fonte de renda, levando Marilene ao quadro do TJDFT depois de uma sequência que incluiu trabalho doméstico, coleta de latinhas, dificuldades financeiras e preparação persistente para o concurso.

Anos depois, o próprio tribunal reuniu esses episódios em uma reportagem institucional sobre sua trajetória, descrevendo desde a fase em que Marilene buscava latinhas para sustentar a família até o momento em que passou a exercer a função de técnica judiciária.

Entre a falta de dinheiro para cozinhar, a busca por ajuda para pagar a inscrição, as horas de estudo durante a recuperação de uma cirurgia e a posse poucos dias após um parto difícil, qual parte dessa trajetória mais chama sua atenção?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x