Santa Catarina registrou 109.209 imigrantes internacionais entre 2000 e 2022, segundo o Atlas das Migrações lançado pela Udesc em setembro de 2026 com dados do SISMIGRA. Os registros saltaram de 12.641 (2000-2009) para 96.568 (2010-2022). Haitianos somam 35.536 registros, venezuelanos 24.797, e Florianópolis concentra 22.177 pessoas cadastradas no período analisado.
Santa Catarina registrou 109.209 imigrantes internacionais entre 2000 e 2022, de acordo com levantamentos do SISMIGRA (Sistema de Registro Nacional Migratório). A maior parte dos registros aconteceu a partir de 2010: foram 12.641 entre 2000 e 2009 e 96.568 entre 2010 e 2022, um salto de aproximadamente 7,6 vezes. Haitianos e venezuelanos lideram as nacionalidades, e Florianópolis concentra 22.177 pessoas cadastradas.
Os dados constam no Atlas Temático das Migrações Internacionais em Santa Catarina no Século XXI, cuja versão impressa foi lançada pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) nesta semana, no Auditório Tito Sena, no Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed), em Florianópolis. As informações foram publicadas pelo ND Mais em 4 de setembro de 2026, em reportagem de Maria Isabel Miranda, com edição de Thaane Otero.
De 12.641 para 96.568 registros: fluxo cresceu 7,6 vezes a partir de 2010

Entre 2000 e 2009, o estado contabilizou 12.641 registros migratórios. Entre 2010 e 2022, o volume subiu para 96.568 pessoas, um salto de aproximadamente 7,6 vezes em relação à década anterior.
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O período pós-2010 foi marcado, segundo o atlas, por uma intensa diversificação dos fluxos originários do Sul Global, com destaque para Haiti, Venezuela e Argentina.
Haitianos são 32,5% dos registros; venezuelanos, 22,7%; argentinos, 11,7%
Os haitianos lideram o ranking de nacionalidades, com 35.536 registros, ou 32,5% do total. Em seguida vêm os venezuelanos, com 24.797 (22,7%), e os argentinos, com 12.786 (11,7%).
As três nacionalidades somam cerca de dois terços de todos os registros do período. O estado também abriga populações de outros países sul-americanos, europeus, norte-americanos, asiáticos e africanos.
“O Brasil se tornou um destino”, diz coordenadora do Observatório das Migrações
Gláucia de Oliveira Assis, professora e coordenadora do Observatório das Migrações de Santa Catarina, resume a mudança de perfil. “São migrantes da África, Caribe e América Central que mostram que o Brasil se tornou um destino para esses migrantes”, afirmou.
Florianópolis lidera com 22.177 registros; Joinville, Chapecó e Balneário Camboriú vêm a seguir

Florianópolis é o município com mais registros em Santa Catarina: 22.177 pessoas. Depois aparecem Joinville (10.498), Chapecó (6.794), Balneário Camboriú (6.076), Itajaí (3.893) e Blumenau (3.532).
Municípios vizinhos da Capital também se destacam: São José tem 2.517 registros e Palhoça, 2.178.
Região de Florianópolis soma 28.345 registros, 26% do total estadual

Ao considerar a Região Geográfica Intermediária de Florianópolis, o volume chega a 28.345 registros, o que corresponde a 26% do total do estado. Ou seja, mais de um em cada quatro imigrantes registrados em Santa Catarina está na região da Capital.
Região de Chapecó saiu de 17 para 16.488 registros; Blumenau, de 1.447 para 22.229
Outras regiões tiveram salto expressivo entre os dois períodos. A de Blumenau passou de 1.447 registros (2000-2009) para 22.229 (2010-2022). A de Joinville subiu de 349 para 12.234.
O caso mais marcante é o de Chapecó: de 17 registros na primeira década para 16.488 na segunda, segundo o atlas.
80.875 solteiros e 23.227 casados: perfil em idade ativa
O perfil geral dos imigrantes registrados indica predominância de pessoas em idade ativa, conforme o levantamento. Quanto ao estado civil, 80.875 se declararam solteiros e 23.227, casados.
RAIS de 2021 mostra 41.258 vínculos formais; Chapecó lidera com 16.565
Dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) de 2021 apontam 41.258 vínculos formais ativos de imigrantes no estado. Chapecó liderava a geração de empregos formais para essa população, com 16.565 vínculos, seguida por Blumenau (9.868), Florianópolis (5.380) e Joinville (4.956).
A ordem é diferente da dos registros de entrada: Florianópolis, primeira em cadastros, aparece em terceiro lugar em vínculos formais.
Haitianos com vistos de longa duração; venezuelanos com acolhida humanitária
As formas de regularização variam por nacionalidade. Entre os haitianos, predominam os vistos e amparos de longa duração, com 18.124 pessoas. Entre os venezuelanos, sobressaem os registros temporários e as acolhidas humanitárias, com 22.703 pessoas.
Criciúma recebe ganeses e o Oeste, senegaleses

Em Florianópolis, há forte presença de haitianos, argentinos e venezuelanos. Chapecó, Joinville e Blumenau absorvem grande volume do contingente haitiano, segundo o atlas.
Criciúma se destaca pela recepção de imigrantes de países africanos, sobretudo ganeses, com 156 registros. Senegaleses aparecem com destaque no Oeste, em especial em Chapecó, com 51 registros.
Números não indicam residentes atuais e excluem indocumentados
Os dados do SISMIGRA/Polícia Federal consideram os registros feitos na entrada e na regularização a partir de 2000. Por isso, segundo a metodologia do atlas, os 109.209 registros não indicam necessariamente a quantidade de imigrantes residentes hoje, já que saídas do país e óbitos não são contabilizados.
A base também não inclui pessoas indocumentadas nem o total acumulado de solicitações de refúgio. O atlas impresso, lançado pela Udesc em Florianópolis, é a versão consolidada desse panorama de 2000 a 2022.
Na sua opinião, Santa Catarina está preparada para absorver um fluxo migratório que cresceu 7,6 vezes em pouco mais de uma década, ou os municípios que mais recebem imigrantes, como Florianópolis e Chapecó, precisam de mais estrutura? Deixe sua opinião nos comentários
