O hovercraft caseiro criado no Canadá combina peças reaproveitadas, engenharia artesanal e 1.800 horas de trabalho para atravessar água, gelo, neve e solo firme.
O motor foi ligado, o barulho tomou conta do local e o casco se levantou alguns centímetros. Logo depois, o hovercraft caseiro começou a deslizar sobre a água, levando Robert Tymofichuk e sua esposa dentro de uma cabine retirada de um automóvel.
O professor de Alberta, no Canadá, dedicou cerca de 1.800 horas durante um ano à construção da máquina. O veículo combina materiais descartados, peças retiradas de carros e componentes fabricados especialmente para o projeto.
A informação foi publicada por Global News, rede canadense de notícias nacionais e regionais. Tymofichuk trabalha como professor de matemática, ciências e atividades práticas na New Myrnam School, localizada na pequena comunidade de Myrnam.
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Sonho começou quando ele viu uma máquina atravessar gelo e água
O interesse de Tymofichuk por hovercraft surgiu ainda na infância, quando ele viu uma dessas máquinas sair do solo, passar sobre uma camada de gelo e entrar na água quase sem formar ondas.
Aquela imagem permaneceu na memória do futuro professor. Ainda jovem, ele trabalhou com o pai durante cinco anos para construir uma primeira versão do veículo.

A máquina ficou pronta em 1986, mas não funcionou na primeira tentativa. Depois de novos ajustes, ela conseguiu se mover, embora apresentasse limitações para transportar peso, proteger os ocupantes e superar pequenas subidas.
Anos mais tarde, Tymofichuk decidiu retomar o projeto. Desta vez, a ideia era construir um veículo maior, com cabine fechada e capacidade para passar por solo firme, neve, gelo e água.
Hovercraft se apoia sobre uma almofada de ar
O hovercraft não voa como um avião e também não navega como um barco comum. Ele utiliza uma camada de ar para manter grande parte do casco afastada da superfície.
Uma parte do sistema força o ar para baixo do veículo. Esse ar fica preso por uma saia de borracha posicionada ao redor da base, formando uma almofada capaz de sustentar o peso da estrutura.
Outro sistema gera o impulso necessário para fazer a máquina avançar. A mudança de direção ocorre pelo controle do fluxo de ar produzido pelas hélices.
Com pouco contato direto com a superfície, o veículo consegue passar da terra para a água sem depender de rodas. A mesma característica permite atravessar áreas cobertas por neve ou gelo.
Peças de Jeep, Toyota e Volkswagen ganharam novas funções
Tymofichuk procurou materiais em locais de desmontagem de veículos e oficinas mecânicas. Muitas peças precisaram ser adaptadas porque não haviam sido produzidas para trabalhar dentro de um hovercraft.

A cabine foi retirada de um Jeep Grand Cherokee de 1997. O motor veio de um Toyota Celica de 1985, enquanto os bancos pertenciam a um Volkswagen Jetta.
O casco de fibra de vidro havia sido descartado em um prédio abandonado. Já o controle de direção começou como uma peça de papel machê moldada às mãos do professor e depois recebeu fibra de vidro e espuma.
Popular Science, revista norte americana de ciência e tecnologia, detalhou que Shelley, esposa do professor, costurou os 107 segmentos da saia de borracha instalada sob a estrutura. Essa peça segura o ar necessário para levantar o casco.
Construção ocupou noites, fins de semana e períodos fora da escola
A montagem exigiu cerca de 1.800 horas de trabalho ao longo de um ano. O professor aproveitou noites, fins de semana e praticamente todo o tempo disponível fora da escola.
Cada componente precisava se encaixar no restante da estrutura. Além de instalar o motor e a cabine, ele teve de pensar no peso, no equilíbrio e na distribuição do ar sob o casco.
A esposa também participou de diferentes etapas. O trabalho nos segmentos de borracha foi essencial para que a almofada de ar permanecesse presa na parte inferior do hovercraft.
Global News, rede canadense de notícias nacionais e regionais, registrou que Tymofichuk construiu cada parte aos poucos, usando componentes encontrados em oficinas e locais de reaproveitamento automotivo.
Primeiro teste mostrou que a máquina realmente flutuava
O primeiro grande teste ocorreu no Lac Bellevue, em Alberta. Tymofichuk entrou na cabine com a esposa, ligou o motor retirado do Toyota e conduziu o hovercraft para dentro do lago.

A maior preocupação era descobrir se o casco continuaria sobre a água depois que o motor fosse desligado. Longe da margem, Shelley pediu que ele não interrompesse o funcionamento naquele ponto.
O professor levou o veículo até uma área mais rasa e desligou o motor. O hovercraft permaneceu flutuando, confirmando que o casco não afundaria imediatamente sem a almofada de ar.
O teste também mostrou que a máquina conseguia passar por diferentes superfícies. O veículo saiu do solo, atravessou a água e também foi conduzido sobre neve e gelo.
Condução sobre gelo exige espaço e controle cuidadoso
A capacidade de deslizar com pouco atrito facilita o deslocamento, mas também dificulta a parada. Esse efeito se torna ainda mais forte quando o hovercraft está sobre uma superfície congelada.
Na água, a resistência ajuda a reduzir a velocidade. No gelo, o veículo continua deslizando por uma distância maior, o que exige movimentos planejados e atenção constante do condutor.
O motor e as hélices também produzem barulho intenso durante o funcionamento. As partes que giram em alta velocidade precisam permanecer protegidas para reduzir o risco de contato com pessoas ou objetos.
Um projeto artesanal desse porte também não deve ser confundido com um veículo comum liberado para circular em qualquer ambiente. O uso precisa respeitar as regras, as permissões e as condições de segurança aplicáveis a cada local.
Projeto virou exemplo prático para os alunos
Tymofichuk trabalha como professor há 35 anos e utiliza projetos práticos para aproximar os estudantes da ciência, da matemática e da construção de máquinas.
Na escola, ele já participou de trabalhos que envolveram uma estufa sustentável, a transformação de um ônibus escolar em uma pequena residência e a recuperação de carrinhos elétricos.
O hovercraft reforçou essa forma de ensinar. Para os alunos, a máquina mostra que uma ideia complexa pode sair do papel quando existe planejamento, trabalho contínuo e disposição para corrigir erros.
O resultado não nasceu de uma peça pronta ou de uma equipe industrial. Ele surgiu da combinação entre materiais reciclados, conhecimento adquirido durante a construção e milhares de horas de dedicação.
O hovercraft criado por Robert Tymofichuk transformou um sonho guardado desde a infância em uma máquina funcional capaz de atravessar água, gelo, neve e solo firme.
Além de reaproveitar componentes que poderiam terminar descartados, o projeto mostrou como testes, adaptações e persistência foram decisivos para fazer uma estrutura artesanal de grande porte realmente funcionar.
Até que ponto um projeto feito com peças descartadas pode mostrar aos alunos que engenharia também nasce da criatividade e da persistência? Deixe sua opinião e compartilhe a publicação.
