Após décadas produzindo alface, tomate, pimentão e outras hortaliças, Vicente José da Silva iniciou a transição para a banana-da-terra no Sítio Mão de Deus, entre Tangará da Serra e Santo Afonso, recebeu orientação da ATeG Fruticultura e projeta alcançar 15 mil plantas em nove hectares até 2026 de área cultivada.
A banana-da-terra começou a ocupar o espaço antes dominado por alface, tomate, pimentão, couve, pepino e abobrinha no Sítio Mão de Deus, propriedade de aproximadamente 14 hectares administrada por Vicente José da Silva e sua família, na divisa entre Tangará da Serra e Santo Afonso, em Mato Grosso.
A história foi apresentada pelo Canal Rural Mato Grosso em uma reportagem publicada em 20 de janeiro de 2025 e no programa Senar Transforma. Segundo o conteúdo, a mudança começou cerca de oito meses antes da publicação e recebeu acompanhamento do programa de Assistência Técnica e Gerencial, a ATeG Fruticultura, do Senar Mato Grosso.
Três décadas de experiência já não garantiam o mesmo retorno
Vicente dedicou cerca de 30 anos à olericultura. Ao lado da esposa e, posteriormente, dos filhos, produziu diferentes tipos de hortaliças para comercialização em feiras. A atividade sustentou a família durante décadas e se tornou parte central da trajetória do produtor no campo.
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Nos últimos anos, entretanto, a permanência exclusiva nesse segmento ficou mais difícil. O produtor relatou aumento da concorrência, pressão sobre os preços e maiores despesas para controlar pragas e insetos. O problema não estava na falta de experiência, mas na dificuldade crescente de manter custos e receitas equilibrados.
Um exemplo mencionado por Vicente foi o preço da caixa de tomate. Segundo ele, em 2003, o produto chegou a ser vendido por R$ 130, enquanto, em 2024, houve dificuldade para comercializá-lo por R$ 50. O produtor afirmou que, nesse valor, a receita não era suficiente para cobrir adequadamente os custos.
Mesmo diante das dificuldades, a substituição das hortaliças não ocorreu de uma vez. A família decidiu preservar parte da produção enquanto o novo bananal se desenvolvia, evitando interromper completamente a entrada de renda durante o período de formação das plantas.
Ideia para plantar banana-da-terra partiu do filho
A proposta de mudar o foco da propriedade partiu de Thallys Arthur Alves da Silva, filho de Vicente e companheiro do pai no trabalho rural. Ele conheceu um produtor que já cultivava bananas e passou a considerar a atividade como uma alternativa para o sítio da família.
De acordo com Thallys, o manejo da banana poderia ser menos exigente em mão de obra do que a rotina da horta. A sugestão foi aceita por Vicente, embora nenhum dos dois tivesse experiência anterior com a cultura.
A família levou para o novo projeto a disposição de trabalhar, mas precisou buscar conhecimento específico para não repetir na banana os procedimentos utilizados nas hortaliças. Cada cultivo exige decisões próprias sobre mudas, espaçamento, adubação, irrigação e controle fitossanitário.
O apoio inicial também envolveu Antônio Carvalho Perez, cunhado de Vicente e tio de Thallys. Conforme apresentado no programa, ele auxiliou financeiramente na compra das primeiras 1,5 mil mudas utilizadas para iniciar o bananal.
Orientação técnica começou antes das primeiras plantas nascerem
A família passou a ser acompanhada pelo engenheiro-agrônomo Eduardo Carneiro Teixeira, técnico de campo da ATeG Fruticultura do Senar Mato Grosso. Quando chegou à propriedade, o cultivo ainda estava em fase inicial e as primeiras covas haviam sido preparadas recentemente.
O trabalho incluiu ajustes na seleção das mudas, na adubação de plantio, no manejo fitossanitário e na distância entre as plantas. A orientação técnica permitiu que as decisões fossem adaptadas às condições da propriedade e aos objetivos econômicos da família.
Entre as escolhas realizadas estava a cultivar BRS Terra-Anã, desenvolvida pela Embrapa. A variedade foi selecionada considerando seu potencial produtivo e sua adaptação às condições climáticas encontradas na região de Tangará da Serra.
Também foram adotados sistemas de fileiras duplas, com espaçamentos adequados à realidade do sítio. Além de organizar o bananal, esse modelo deixou corredores mais largos nos quais algumas hortaliças puderam continuar sendo cultivadas durante a formação das bananeiras.
Primeira colheita pode chegar a mil caixas
O Sítio Mão de Deus possuía aproximadamente 3 mil covas de banana plantadas de forma escalonada no período retratado pela reportagem. Desse total, cerca de 1,5 mil estavam mais avançadas e deveriam participar da primeira etapa de colheita.
A estimativa apresentada pelo técnico era obter entre 900 e mil caixas de banana-da-terra, dependendo do desenvolvimento das plantas, das perdas e das condições climáticas. A previsão era iniciar a retirada dos primeiros cachos dentro de um intervalo de 30 a 45 dias.
Vicente relatou a presença de cachos pesando aproximadamente 18 a 20 quilos. Para uma família que havia começado o plantio sem experiência na cultura, os primeiros resultados foram considerados expressivos pelo responsável pela assistência técnica.
A cultivar BRS Terra-Anã possui ciclo aproximado de 12 meses entre o plantio e a colheita. Como parte das plantas havia sido implantada oito meses antes da reportagem, o bananal ainda não havia atingido sua capacidade completa de produção.
Plantio escalonado reduz período sem receita
A implantação gradual foi adotada para evitar que todas as plantas produzissem ao mesmo tempo e para impedir que a propriedade permanecesse sem renda durante o ciclo inicial. Por isso, Vicente continuou cultivando pepino, tomate, pimentão e outros produtos enquanto aguardava as bananas.
Algumas dessas culturas foram instaladas entre as fileiras do bananal. O espaço disponível recebeu pimenta-de-cheiro, pimentão, berinjela e quiabo, permitindo o aproveitamento da área enquanto as bananeiras ainda estavam em desenvolvimento.
O escalonamento também procura distribuir a produção ao longo dos meses, reduzindo a dependência de um único período de comercialização. A estratégia pode ajudar a família a manter fornecimento regular e enfrentar momentos em que a oferta de banana aumenta no mercado.
Na avaliação do técnico da ATeG, a intenção é abandonar progressivamente as hortaliças quando a renda mensal obtida com a banana se tornar suficiente para sustentar a propriedade. Até isso acontecer, as duas atividades devem coexistir.
Família planejava chegar a nove hectares em 2026
O planejamento apresentado na reportagem previa encerrar 2025 com aproximadamente 6 mil a 7 mil covas, distribuídas por uma área próxima de quatro hectares. Para 2026, a meta era ocupar nove hectares com cerca de 15 mil plantas da variedade BRS Terra-Anã.
Nos primeiros dias de 2025, aproximadamente 800 novas mudas já haviam sido plantadas. A família preparava outras áreas do sítio e pretendia retirar novas mudas do próprio bananal para continuar a expansão de maneira parcelada.
O projeto representava mais do que a troca de uma cultura por outra: tratava-se de uma reorganização gradual da fonte de renda construída pela família ao longo de três décadas. A decisão, contudo, ainda dependia dos resultados das colheitas e da capacidade de comercializar a produção.
Além da banana-da-terra, Vicente informou que pretendia ampliar o cultivo de café. A propriedade possuía cerca de 2 mil pés, e o produtor considerava aumentar essa área como parte da nova fase produtiva do sítio.
Horta pode virar lembrança, mas mudança ainda está começando
Ao comentar o futuro da propriedade, Vicente afirmou que a horta poderia permanecer como uma boa lembrança e que a banana e o café deveriam assumir maior importância. A declaração demonstra confiança, embora a transição ainda estivesse no começo quando o programa foi gravado.
A primeira colheita seria o teste mais concreto do novo planejamento. Produção, qualidade dos cachos, custos, preços e capacidade de venda seriam fatores fundamentais para determinar se a expansão projetada poderia ocorrer conforme o cronograma apresentado.
Depois de 30 anos dominando uma atividade, Vicente aceitou voltar à condição de aprendiz para tentar manter a família produzindo no campo. A experiência mostra como assistência técnica, implantação gradual e planejamento podem reduzir os riscos de uma mudança produtiva.
Na sua opinião, a família fez a escolha certa ao trocar progressivamente as hortaliças pela banana-da-terra ou deveria manter as duas atividades? Conte nos comentários qual estratégia parece mais segura para uma pequena propriedade rural.

