A Companhia Nacional de Abastecimento abriu o primeiro leilão de compra de arroz da safra 2025/2026 para recompor o estoque público do país, com 127,33 mil toneladas do cereal a granel oferecidas por produtores e cooperativas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
O certame está marcado para 16 de setembro de 2026, a partir das 9h, e o aviso foi publicado pela companhia no dia 11.
Quem pode vender são os próprios produtores de arroz e as cooperativas de agricultores, segundo o aviso, o que exclui atravessador e desenha o leilão como instrumento de renda no campo além de instrumento de abastecimento.

De onde sai cada tonelada
Do total, 102,08 mil toneladas saem do Rio Grande do Sul.
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As outras 25,25 mil toneladas vêm de Santa Catarina, o que mantém a operação concentrada na região que responde pela maior parte do arroz irrigado brasileiro.
A distribuição não é acidental: ela segue a geografia da produção, e quem está fora desses dois estados simplesmente não tem lote nesse primeiro leilão.
O que é, na prática, um estoque público de arroz
Estoque público é comida guardada pelo governo para ser colocada no mercado quando o preço dispara ou quando falta produto na prateleira.
A ideia é simples.
Compra-se quando há oferta, guarda-se, vende-se quando o abastecimento aperta.
Sem esse colchão, uma quebra de safra vira alta de preço direta e imediata no supermercado, sem nada no meio para amortecer o choque entre o que o campo deixou de produzir e o que a família precisa comprar na mesma semana.
O El Niño é o motivo declarado
A companhia afirma que o objetivo da compra é mitigar os possíveis impactos associados ao fenômeno e assegurar o abastecimento no país.
O El Niño altera o regime de chuvas no Sul do Brasil, e a lavoura de arroz irrigado é sensível tanto ao excesso quanto à falta de água em janelas específicas do ciclo.
Comprar antes de um evento climático anunciado é diferente de comprar depois que ele já derrubou a safra, porque no segundo caso o governo entra no mercado disputando o pouco que sobrou, pelo preço que a escassez impôs.

O dinheiro já estava reservado desde o começo do mês
Em 4 de setembro, uma portaria destinou até R$ 500 milhões para a compra de arroz e a formação de estoques públicos.
É esse recurso que sustenta o leilão do dia 16, e a sequência mostra que a operação foi montada com antecedência, não como reação de última hora.
A mesma política já havia ampliado para 260 mil toneladas o volume de milho que pode ser adquirido no programa, o que indica um movimento mais amplo de recomposição.
Por que o Rio Grande do Sul carrega quase todo o lote
O arroz brasileiro é, em esmagadora maioria, arroz irrigado de várzea, e a várzea gaúcha é onde esse sistema está consolidado há décadas, com lâmina de água controlada, canais e maquinário próprio.
Daí as 102,08 mil toneladas concentradas num único estado.
Santa Catarina entra em seguida, com o mesmo sistema em escala menor, e juntos os dois formam a base que abastece o país inteiro com o cereal que está em praticamente toda mesa brasileira todos os dias do ano.
A memória recente que pesa nessa decisão
Quem acompanha o setor lembra do que uma quebra localizada de safra provoca na prateleira, com o preço do pacote de cinco quilos saltando em poucas semanas e a corrida de consumidor ao supermercado.
Estoque público existe justamente para esse tipo de episódio.
Formar o estoque antes do evento climático, e não durante a crise dele, é a diferença entre ter instrumento e ter apenas discurso.
Por que o produtor se interessa por vender ao governo
Num leilão de compra, o produtor tem um comprador com volume definido e regras publicadas, em vez de negociar saca a saca com o mercado.
Isso importa especialmente em ano de preço instável, quando a decisão de segurar ou vender a produção muda o resultado da lavoura inteira.
O leilão não substitui o mercado, mas cria um piso de referência que o mercado passa a ter de considerar.
O preço não foi divulgado
O aviso fala em preço máximo de aceitação para fechamento da compra, sem detalhar o valor.
Então não há como dizer aqui quanto o governo vai pagar por saca, e qualquer número que circule antes do certame é estimativa de terceiro.
O mesmo vale para o número de produtores habilitados, que também não consta do aviso divulgado pela companhia.
A safra que está sendo comprada
O arroz oferecido é da safra 2025/2026, ou seja, produto já colhido e armazenado, não compromisso de entrega futura.
Isso muda a natureza da operação: o governo não está financiando plantio, está tirando volume do mercado agora.
E volume que sai do mercado tende a sustentar o preço de quem ficou com o restante para vender, o que explica por que o setor produtivo costuma receber bem esse tipo de anúncio mesmo quando o preço máximo ainda não foi revelado.
O que acontece depois do martelo
Arrematado o lote, o cereal vai para armazém credenciado e entra no controle da Conab, que passa a decidir quando e como devolvê-lo ao mercado.
Essa devolução pode acontecer por leilão de venda, por programa de distribuição de alimentos ou por liberação direta ao abastecimento.
Nenhuma dessas saídas está definida agora, porque depende do que o abastecimento exigir nos próximos meses.
O detalhe que o consumidor sente depois
Entre o leilão de setembro e o preço no supermercado existe uma distância longa, feita de beneficiamento, transporte, margem do varejo e sazonalidade.
Estoque público não derruba preço no mês seguinte.
Nunca derrubou.
Ele muda o que acontece quando o preço começa a subir, porque existe algo para colocar no mercado em vez de assistir à alta.
Vale acompanhar o resultado do dia 16 para saber quanto do volume ofertado foi efetivamente arrematado, porque leilão publicado não é leilão fechado.
O aviso completo está publicado no site da Conab.
Você acha que estoque público de arroz segura o preço na prateleira ou só adia o problema?
