1. Início
  2. Economia
  3. Procon de São Paulo confirma multa de R$ 11,4 milhões à Enel pelos apagões que deixaram até 3 milhões de consumidores sem luz no fim de 2025, e a concessionária, que diz discordar, tem 15 dias para recorrer
Faça um comentário 5 min de leitura

Procon de São Paulo confirma multa de R$ 11,4 milhões à Enel pelos apagões que deixaram até 3 milhões de consumidores sem luz no fim de 2025, e a concessionária, que diz discordar, tem 15 dias para recorrer

Imagem de perfil do autor Bruno Teles
Escrito por Bruno Teles Publicado em 21/10/2026 às 09:03 Atualizado em 22/10/2026 às 09:26
Google News
Árvore grande tombada sobre a rua, com fios elétricos arrebentados no asfalto e um carro cinza preso sob os galhos.
Árvore caída sobre carro e fiação na rua Paula Ney, na Vila Mariana, em São Paulo, depois do temporal de dezembro de 2025. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Despacho do Procon Paulistano no Diário Oficial da Cidade declara subsistente o auto de infração contra a Enel, fixa a multa em R$ 11.428.615,57 e prevê desconto de 30% se a empresa abrir mão do recurso e pagar em 30 dias

O Procon Paulistano publicou no Diário Oficial da Cidade de São Paulo de 21 de outubro de 2026 o despacho que confirma a multa de R$ 11.428.615,57 à Enel. O texto declara “subsistente” o auto de infração por falhas no fornecimento de energia.

A empresa tem 15 dias para recorrer à Coordenadoria do Procon Paulistano, “contados da publicação da presente decisão”, diz o despacho. Procurada pela Agência Brasil, a Enel disse discordar da aplicação da punição.

A multa cobre os apagões de setembro a dezembro de 2025, com o pior momento no temporal de dezembro. A falta de energia chegou a até 3 milhões de consumidores, segundo a Prefeitura de São Paulo.

O que o despacho do Procon Paulistano diz sobre a Enel?

O documento é o Despacho nº 004/2026, da Divisão de Fiscalização do Procon Paulistano, ligado à Secretaria Municipal de Justiça. O processo está em nome da Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S.A., nome empresarial da Enel em São Paulo.

Quem assina o despacho é Octavio Sergio Di Grazia Carneiro de Castro, diretor da divisão.

A base legal citada é o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor, somado a um decreto federal de 1997 e à Resolução Normativa 1.000 da Aneel.

O artigo do código é curto. Ele obriga órgãos públicos e concessionárias a fornecer “serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos”, diz o texto da lei.

Por que a multa da Enel ficou em R$ 11,4 milhões?

O cálculo parte de uma pena base e passa pelas regras da instrução normativa do Procon Paulistano. A primeira etapa é a atenuante: a norma lista “ser o infrator primário”, e o despacho aplica essa regra “atenuando pela metade a pena base”.

Depois entram duas agravantes, cada uma “agravando a pena base em 1/3”. A primeira trata de prática com “consequências danosas à saúde ou à segurança do consumidor, ainda que potencialmente”, conforme a instrução normativa.

A segunda pesa quando a prática ocasiona “dano coletivo” ou tem “caráter repetitivo”. Com as duas na conta, o Diário Oficial traz o valor final, calculado em planilha anexada ao processo.

O número de agora é menor que o anunciado no fim do ano passado. Em dezembro de 2025, a Prefeitura divulgou multa de R$ 14.268.300,00 à Enel por falhas no fornecimento, em nota oficial. Naquela fase, a concessionária tinha 20 dias para a defesa.

Entre um valor e outro, a multa encolhe R$ 2.839.684,43. É perto de 20% a menos.

Quanto a Enel paga se desistir do recurso?

O desconto existe há poucos dias. A instrução normativa ganhou o artigo 87-A, que dá “redução de 30%” a quem renuncia ao recurso dentro do prazo. O pagamento tem de sair em até 30 dias da intimação.

A regra entrou por uma norma publicada no Diário Oficial de 19 de outubro, dois dias antes da publicação do despacho, que a cita de forma expressa. Na conta, o abatimento fica assim:

ValorQuanto
Multa fixada no despacho de outubro de 2026R$ 11.428.615,57
Desconto de 30%R$ 3.428.584,67
Multa com desconto, sem recurso e com pagamento em 30 diasR$ 8.000.030,90
Multa anunciada pela Prefeitura em dezembro de 2025R$ 14.268.300,00

Com recurso, o caso sobe para a Coordenadoria do Procon Paulistano e o desconto não se aplica, porque a regra vale só para quem renuncia ao recurso dentro do prazo.

O que a Enel diz sobre os apagões de 2025?

À Agência Brasil, a Enel afirmou que sua atuação “durante os eventos climáticos extremos de dezembro e de setembro de 2025 foi compatível com a magnitude do impacto”.

Trabalhadores de uniforme laranja e capacete azul carregam toras para um caminhão com guindaste, ao lado de galhos espalhados na calçada.
Equipes da Prefeitura removem árvore caída na avenida 23 de Maio, em São Paulo, após a tempestade de dezembro de 2025. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

De acordo com a concessionária, ventos fortes e prolongados atingiram a área por dois dias, em dezembro, e afetaram cerca de 4,4 milhões de consumidores.

Sobre dezembro, a nota da concessionária diz: “A companhia restabeleceu, em até 24 horas, o fornecimento de energia para 80% dos clientes afetados, o equivalente a aproximadamente 3,5 milhões de unidades consumidoras”. O texto saiu na Agência Brasil.

Na mesma nota, a resposta aos apagões de dezembro “foi mais rápida do que nos eventos de novembro de 2023 e outubro de 2024”. Setembro teve outro roteiro: “um vendaval com rajadas de cerca de 100 km/h atingiu a concessão”, segundo a Enel.

A distribuidora diz ainda que, desde 2023, reduziu “em cerca de 60% o tempo médio de atendimento emergencial”, trecho da nota completa publicada pela CNN Brasil.

O que a Aneel decide sobre o contrato da Enel em São Paulo?

A multa corre ao lado de um processo maior. Gentil Nogueira, diretor da Aneel, disse em 21 de outubro que o processo de caducidade da concessão da Enel volta à pauta em novembro, segundo o Estadão. Foi ele quem pediu vista em 6 de outubro.

Técnicos de capacete amarelo e branco e uniforme cinza com faixas laranja conversam ao lado de um tripé metálico e de um caminhão numa esquina.
Funcionários da Enel na rua General Jardim, na Vila Buarque, durante falta de energia na região central de São Paulo, em março de 2024. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Duas diretoras já votaram por recomendar o rompimento: a relatora, Agnes Costa, e Ludimila Silva. A palavra final é do Ministério de Minas e Energia, informa o jornal.

O contrato é grande. A Enel atende 8,8 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios, com contrato até 2028, de acordo com o Estadão.

A Prefeitura, que leva os apagões a reguladores e à Justiça desde 2023, lembra o histórico na nota sobre a multa.

Pela nota, a Aneel abriu em abril deste ano o processo que recomenda o fim da concessão. Em agosto, rejeitou “por unanimidade” um recurso da Enel.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x