O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial ligou a manutenção da escala 6×1 ao risco de o emprego formal perder atratividade entre as novas gerações. A PEC 221/2019 já avançou na Câmara, prevê dois dias de repouso remunerado, e Lula disse no sábado (29), em Belo Horizonte, esperar aprovação nesta semana
Olavo Noleto, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), defendeu mudanças na jornada de trabalho e afirmou que a manutenção da escala 6×1 pode tornar a contratação pela CLT cada vez menos atrativa, sobretudo para as novas gerações. “É a defesa do futuro do Brasil. Se o Brasil não avançar na escala de trabalho, ninguém vai querer ser CLT”, declarou.
As informações foram publicadas pelo Diário do Comércio em texto assinado por Pedro Silvini, a partir de entrevista concedida por Olavo Noleto ao Poder360.
Discussão sobre jornada é ligada à permanência no emprego formal
Segundo Olavo Noleto, a discussão sobre a jornada de trabalho está diretamente relacionada à capacidade de o país manter trabalhadores no emprego formal.
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Luciano Hang afirmou que a troca da escala 6×1 pela 5×2 obrigaria a Havan a contratar mais gente, elevaria em cerca de 15% os custos com mão de obra e poderia levar trabalhadores a buscar um subemprego, em fala feita na inauguração da megaloja de Caldas Novas (GO)
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A avaliação do presidente da ABDI ocorre em meio à discussão no Congresso sobre uma proposta que pretende reduzir a jornada semanal e ampliar o período de descanso dos trabalhadores.
Apenas 6% dos jovens colocam a ascensão hierárquica como principal objetivo
Um levantamento global da Deloitte com integrantes da Geração Z e Millennials aponta que apenas 6% dos jovens colocam a ascensão na hierarquia empresarial como principal objetivo profissional.
O dado aparece no debate como indicador da mudança no perfil das novas gerações no mercado de trabalho.
No Brasil, 89% dizem que propósito no trabalho é essencial
No Brasil, 89% dos entrevistados consideram ter propósito no trabalho algo essencial para alcançar satisfação e bem-estar, segundo o mesmo levantamento da Deloitte.
O resultado indica uma transformação nas expectativas em relação à carreira, com maior valorização de autonomia, flexibilidade e significado nas atividades profissionais.
Modelos tradicionais de trabalho são questionados por parte dos mais jovens
Modelos tradicionais de trabalho passam a ser questionados por uma parcela dos trabalhadores mais jovens, conforme aponta a reportagem.
Entre os fatores citados estão experiências familiares relacionadas ao excesso de trabalho, a percepção de que a estabilidade profissional pode ser afetada por demissões em massa e a pressão por resultados sem contrapartidas consideradas suficientes.
CLT segue garantindo férias, 13º salário, FGTS e limites de jornada
A CLT continua sendo responsável por assegurar uma série de direitos trabalhistas, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e limites para a jornada.
O debate atual não está relacionado à eliminação desses direitos, mas à possibilidade de adaptar a organização do trabalho às novas demandas do mercado.
Lula disse em Belo Horizonte que a aprovação sai nesta semana
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante o evento Lula com Mulheres, realizado no sábado (29) em Belo Horizonte, que espera a aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso na próxima semana.
“Nós vamos aprovar, essa semana, o fim da escala 6×1”, afirmou Lula. Na sequência, ele defendeu que a mudança permitiria aos trabalhadores ampliar o tempo disponível para a vida pessoal, incluindo cuidados com os filhos, lazer e relacionamentos.
PEC 221/2019 prevê corte de 44 para 40 horas semanais
A proposta está relacionada à PEC 221/2019, que prevê uma redução progressiva da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
O texto também garante dois dias de repouso remunerado aos trabalhadores.
Texto já avançou na Câmara e vai à CCJ do Senado na quarta-feira (2)
A PEC 221/2019 já avançou na Câmara dos Deputados e deve ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira (2).
De acordo com líderes partidários, há expectativa de aprovação na comissão, mas ainda não está definido se a proposta seguirá imediatamente para votação no plenário.
Debate envolve interesses das empresas e dos trabalhadores
A discussão sobre a escala 6×1 ganhou dimensão econômica por envolver dois interesses distintos: a necessidade das empresas de manter operações e a busca dos trabalhadores por melhores condições de jornada.
Para defensores da mudança, uma rotina com apenas um dia de descanso semanal pode dificultar a atração e retenção de profissionais, especialmente em setores que dependem de mão de obra jovem. A avaliação é de que condições mais flexíveis poderiam tornar o emprego formal mais competitivo diante de outras formas de trabalho.
Alteração exige análise de custos, produtividade e organização das atividades
Qualquer alteração na jornada exige análise dos impactos sobre empresas, custos trabalhistas, produtividade e organização das atividades, aponta a reportagem.
Por isso, a eventual aprovação da PEC deverá ser acompanhada de uma fase de adaptação às novas regras.
Proposta aguarda a CCJ e ainda não tem definição sobre o plenário
A PEC 221/2019 aguarda a análise da CCJ do Senado marcada para a quarta-feira (2), com expectativa de aprovação na comissão segundo líderes partidários, mas sem definição sobre o envio imediato ao plenário.
Nesse cenário, o alerta de Olavo Noleto, presidente da ABDI, de que ninguém vai querer ser CLT caso o Brasil não avance na escala de trabalho, e a previsão de Lula sobre a votação nesta semana marcam as posições públicas às vésperas da reunião da comissão.
Na sua opinião, reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais torna o emprego com carteira assinada mais atrativo para os jovens, ou o modelo CLT perde espaço por outras razões? Deixe sua opinião nos comentários.

