Com 183 metros de altura e 39 andares no centro de Sydney, o prédio de madeira Atlassian Central utiliza cerca de 10.000 m³ de madeira estrutural em um sistema híbrido com aço e concreto, incorporando ventilação natural, fachada climática automatizada e terraços verdes integrados ao projeto
O projeto Atlassian Central, com 183 metros de altura e 39 andares no centro de Sydney, consolida o prédio de madeira mais alto do mundo ao combinar madeira estrutural, aço e concreto em uma torre híbrida projetada para redefinir modelos de construção urbana.
A construção do Atlassian Central marca um novo marco na engenharia urbana ao estabelecer um recorde global para prédio de madeira. Localizado no centro de Sydney, o edifício alcança 183 metros de altura distribuídos em 39 andares, configurando o mais alto arranha-céu do mundo com grande uso de madeira estrutural.
O projeto surge em um momento de transformação na arquitetura urbana. Durante mais de um século, arranha-céus foram construídos principalmente com aço e concreto, mas novas soluções estruturais começaram a ampliar o uso da madeira em edifícios de grande escala.
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Recorde global de altura para prédio de madeira
O Atlassian Central praticamente dobra o recorde anterior associado a um prédio de madeira de grande porte. O edifício Ascent, localizado em Milwaukee, nos Estados Unidos, possui 86,6 metros de altura, enquanto a nova torre atinge 183 metros.
A diferença evidencia o avanço recente da engenharia em madeira estrutural. O salto de escala demonstra como o desenvolvimento de novos materiais e técnicas construtivas permitiu elevar significativamente a altura de edifícios com esse tipo de estrutura.
Estrutura híbrida combina madeira, aço e concreto
O prédio de madeira Atlassian Central foi projetado pelos escritórios BVN e SHoP Architects. A torre faz parte de uma ampla operação de regeneração urbana que ocorre no centro da cidade de Sydney.
A estrutura combina madeira estrutural, aço e concreto em um sistema híbrido que permite alcançar grandes alturas mantendo estabilidade. Essa combinação foi adotada para equilibrar desempenho estrutural, peso e eficiência construtiva.
No centro do projeto está o uso de madeira laminada colada, conhecida como glulam, e madeira contralaminada, chamada CLT. Esses materiais são formados pela união de camadas de madeira maciça e apresentam resistência estrutural comparável ao concreto.
Ao todo, o prédio de madeira utilizará aproximadamente 10.000 metros cúbicos de madeira estrutural. Trata-se de um volume elevado para um edifício dessa escala, refletindo a dimensão do projeto.
Os núcleos estruturais e alguns elementos críticos ainda utilizam concreto e aço. Já os espaços de escritórios são organizados ao redor de módulos estruturais de madeira, solução que reduz peso da estrutura e acelera o processo construtivo.
Organização interna cria habitats verticais com vegetação
O projeto arquitetônico organiza o interior do prédio de madeira em sete módulos estruturais de quatro andares cada. Esses conjuntos funcionam como pequenas unidades internas que os arquitetos descrevem como habitats verticais.
Cada módulo possui áreas abertas, terraços ajardinados e acesso à ventilação natural. A proposta é criar dentro do edifício condições semelhantes às de ambientes naturais, com presença de luz, ar e vegetação.
Essa concepção segue princípios do chamado design biofílico, tendência crescente na arquitetura corporativa. O conceito busca aproximar ambientes construídos da natureza para melhorar as condições de trabalho dentro dos edifícios.
Estudos realizados em ambientes profissionais indicam que vegetação, iluminação natural e materiais orgânicos podem reduzir níveis de estresse. Esses fatores também estão associados a melhorias no conforto e na produtividade de usuários dos espaços.
Fachada climática permite ventilação natural controlada
Outro elemento central do prédio de madeira é sua fachada climática avançada. Em vez de depender exclusivamente de sistemas de climatização artificial, o edifício utiliza ventilação natural controlada e painéis solares.
O sistema inclui automação que regula temperatura e circulação de ar no interior da torre. Esse mecanismo ajusta o funcionamento do edifício de acordo com as condições externas de clima.
A automação foi desenvolvida pela empresa EBSA, especializada em controle climático para grandes edifícios comerciais. A tecnologia opera como uma segunda pele do edifício que reage às variações ambientais.
Quando as temperaturas externas aumentam, o sistema amplia áreas de sombra. Em condições favoráveis de vento e clima, a ventilação natural é intensificada para reduzir a necessidade de refrigeração mecânica.
Integração urbana inclui edifício existente no projeto
O desenvolvimento do prédio de madeira também inclui a preservação de uma construção existente no local. Em vez de demolir o edifício anterior, o projeto optou por restaurá-lo e incorporá-lo ao complexo.
A estrutura restaurada será integrada ao lobby principal da nova torre. A reutilização de construções existentes reduz resíduos de demolição e evita emissões associadas à produção de novos materiais.
Nos primeiros níveis da torre será instalado um hostel urbano. Os demais andares serão utilizados principalmente como espaços de escritórios.
O Atlassian Central foi concebido como sede central da empresa tecnológica Atlassian. No entanto, o edifício também abrigará outras áreas de trabalho e espaços públicos.
Retorno da madeira à construção urbana moderna
Durante séculos, a madeira foi o principal material utilizado em construções urbanas. No entanto, incêndios urbanos no século XIX e o avanço do concreto armado levaram à substituição progressiva desse material.
O prédio de madeira Atlassian Central representa o retorno desse recurso em uma nova forma tecnológica. A madeira estrutural industrializada apresenta propriedades como resistência elevada, estabilidade dimensional e comportamento previsível diante do fogo.
Outro fator relevante é a relação peso-resistência desses materiais. A madeira estrutural oferece grande resistência com peso menor em comparação com concreto ou aço.
Além disso, a madeira armazena carbono durante toda a vida útil de um edifício. Cada metro cúbico pode reter aproximadamente uma tonelada de dióxido de carbono equivalente, dependendo do tipo e do processamento da madeira.
Construção civil e redução de emissões de carbono
A construção civil é responsável por cerca de 37 % das emissões globais de carbono, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Grande parte dessas emissões está associada à produção de cimento e aço.
O uso de madeira estrutural certificada pode contribuir para reduzir esse impacto ambiental. A produção desse material exige menos energia em comparação com a fabricação de aço ou cimento.
Outro fator é o crescimento das florestas utilizadas para fornecer madeira. Florestas manejadas de forma sustentável capturam carbono durante o crescimento das árvores.
Quando essa madeira é utilizada em edifícios duráveis, o carbono permanece armazenado por décadas ou até séculos. Além disso, a construção com madeira permite maior uso de pré-fabricação industrial.
Esse processo reduz resíduos de obra, transporte de materiais e tempo de construção. No caso do Atlassian Central, a madeira estrutural utilizada no prédio de madeira provém de florestas da Europa com gestão sustentável regulamentada.

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