Centro de Alfabetização de Mulheres de Al Houta foi reconstruído com blocos de concreto após o antigo prédio perder todo o piso superior e ficar sem condições seguras de uso, criando um espaço próprio para 350 mulheres matriculadas e recebendo mais de 40 estudantes por dia no Iêmen
O prédio de dois andares que abrigava um centro de alfabetização para mulheres no Iêmen chegou a uma situação em que fazer pequenos reparos já não resolvia o problema. As paredes estavam rachadas, as fundações haviam se tornado instáveis e todo o piso superior tinha desabado. A saída foi abandonar a ideia de recuperar a antiga estrutura e erguer uma nova construção com blocos de concreto.
A mudança ganhou importância porque aquelas salas representavam mais do que um endereço para estudar. Sem um centro adequado, parte das aulas acontecia em casas e mesquitas, enquanto algumas famílias resistiam à ideia de permitir que as mulheres frequentassem esses locais. No novo espaço, 350 mulheres estavam matriculadas na ocasião registrada pela fonte.
A história foi publicada em 14 de abril de 2025 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, programa da ONU voltado ao desenvolvimento. O registro também apontava que o novo centro já recebia mais de 40 estudantes diariamente.
-
Milionário mobilizou 300 trabalhadores para erguer um castelo de 6 andares e 120 cômodos em uma ilha de Nova York como presente para a esposa, mas mandou interromper toda a construção em 1904 após receber a notícia da morte dela e deixou o palácio inacabado e abandonado por 73 anos
-
Médico espanhol obcecado por Cristóvão Colombo gastou as economias da aposentadoria erguendo um castelo do zero sem projeto e com a ajuda de apenas dois pedreiros, terminou em sete anos e deixou lá dentro a menor igreja do mundo, com 1,96 metro quadrado
-
Homem descobriu que tinha tuberculose, sumiu de casa e passou 15 anos no deserto do Arizona erguendo em segredo um castelo de sucata para a filha, que só soube da existência da obra depois de o pai morrer e recebeu de herança 18 cômodos
-
Avó que sustentava duas filhas e netos com trabalhos informais no Quênia passou anos achando impossível ter casa própria, até colocar pessoalmente o primeiro tijolo da moradia que daria segurança a três gerações
Quando reformar um prédio deixa de valer a pena
O antigo Centro de Alfabetização de Mulheres de Al Houta, no governadorado de Lahj, não apresentava apenas sinais de envelhecimento. Uma avaliação da construção encontrou rachaduras nas paredes e fundações instáveis, ou seja, problemas justamente na parte que sustenta o peso do edifício.

A situação do piso superior tornava o cenário ainda mais grave. Todo o pavimento havia desabado, enquanto a parte restante não possuía condições básicas adequadas para continuar recebendo estudantes e professores.
Também faltavam eletricidade, encanamento e banheiros adequados. A combinação desses problemas fez a avaliação chegar a uma conclusão prática: recuperar aquele edifício seria caro demais diante do estado em que ele se encontrava.
Erguer uma nova estrutura permitiria planejar o espaço a partir das necessidades reais dos usuários, empregar métodos de construção mais modernos e evitar gastos elevados de manutenção no futuro.
O piso superior já tinha desaparecido completamente
Um dos detalhes que mostra a dimensão da deterioração era fácil de perceber olhando para o antigo prédio. A construção possuía dois andares, mas o piso superior já havia desabado por completo.
Isso muda completamente o tamanho de uma intervenção. Não se tratava de trocar portas, pintar paredes ou corrigir pequenas infiltrações. Havia danos nas paredes, problemas na base da construção e a perda total de um pavimento inteiro.
Manter estudantes dentro daquela estrutura também não era uma alternativa segura. Por isso, a avaliação feita antes da obra colocou lado a lado o custo de tentar recuperar o prédio deteriorado e a possibilidade de construir novamente pensando no uso educacional.
A nova construção ainda poderia incorporar desde o começo espaços e instalações que o imóvel anterior não oferecia de forma adequada.
Blocos de concreto levantaram as paredes do novo centro
A decisão levou a obra para outro caminho. Em vez de tentar salvar partes de uma estrutura bastante comprometida, trabalhadores começaram a erguer um edifício inteiramente novo para o centro de alfabetização.
Imagens publicadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, programa da ONU voltado ao desenvolvimento, mostram trabalhadores levantando as novas paredes com blocos de concreto durante a construção.

O projeto também contou com participação de autoridades locais, professores e usuários. Isso permitiu que pessoas que conheciam a rotina das aulas ajudassem a definir como o novo centro deveria atender suas necessidades.
Depois da obra, o espaço recebeu móveis e equipamentos de informação e comunicação. O resultado foi uma construção planejada para funcionar como centro educacional, em contraste com o prédio antigo, que já estava sem condições adequadas de ocupação.
Antes da reconstrução, as aulas aconteciam em casas e mesquitas
O problema do antigo prédio alcançava diretamente as mulheres que buscavam alfabetização. Sem um espaço próprio em condições adequadas, as aulas chegaram a acontecer em casas e mesquitas.
Faten, uma das mulheres matriculadas, explicou que convencer as famílias a permitir a participação nesses encontros era difícil. Quando soube da abertura do novo centro, a proximidade e a sensação de segurança fizeram diferença para que ela pudesse estudar.
A situação ajuda a entender por que a reconstrução não pode ser medida apenas pela quantidade de blocos colocados na obra. Ter um endereço específico para estudar eliminou uma barreira prática enfrentada por mulheres que dependiam de locais improvisados.

Intisar, diretora do Escritório de Alfabetização e Educação de Adultos de Lahj, também apontou a evasão entre meninas como um dos problemas importantes da educação local. Pobreza e outras dificuldades sociais contribuíam para que mulheres e meninas abandonassem os estudos.
Faten começou pelo alfabeto e passou a ler informações simples
Faten está entre as 350 mulheres matriculadas no centro retratado em 2025. Sua experiência mostra em pequena escala o que a reconstrução passou a permitir dentro das novas salas.
Após apenas um mês de aprendizagem, ela já havia aprendido o alfabeto e conseguia ler informações básicas em rótulos. Era um avanço simples para quem já domina a leitura, mas importante para alguém que estava iniciando sua alfabetização.

Faten também relacionou o aprendizado aos próprios filhos. Saber ler e escrever permitiria que ela pudesse acompanhar melhor as atividades escolares das crianças, levando o conhecimento adquirido no centro para dentro de casa.
Na ocasião da publicação, o prédio já recebia mais de 40 estudantes por dia. As novas instalações também melhoraram o ambiente de trabalho dos professores e ofereceram às alunas um espaço destinado especificamente ao aprendizado.
350 mulheres matriculadas mostram o impacto que ultrapassou a obra
A reconstrução começou a partir de uma decisão prática de engenharia. Um edifício com paredes rachadas, base instável, instalações precárias e um pavimento totalmente perdido havia chegado ao ponto em que construir novamente fazia mais sentido do que insistir na recuperação.
Os blocos de concreto deram forma ao novo centro, mas a mudança mais importante apareceu quando as salas voltaram a receber estudantes. Em abril de 2025, eram 350 mulheres matriculadas e mais de 40 frequentando o espaço diariamente, transformando uma obra de reconstrução em uma nova oportunidade de alfabetização.
Se uma construção segura pode ser decisiva para alguém finalmente conseguir estudar, quantas oportunidades podem estar sendo perdidas simplesmente pela falta de espaços adequados?
