Ford Edge ST usado já aparece por menos de R$ 160 mil com V6 biturbo de 335 cv, 54,5 kgfm, tração AWD e desempenho de esportivo.
Em 2019, o Ford Edge ST chegou oficialmente às concessionárias brasileiras por R$ 299 mil. Segundo a própria Ford, aquele era o primeiro SUV do mundo a receber a preparação ST da Ford Performance e também o primeiro veículo da divisão Sport Technologies comercializado pela marca no Brasil.
Sete anos depois, a situação mudou completamente. Em setembro de 2026, a Webmotors registra exemplares 2019 anunciados a partir de R$ 158.880, enquanto a FIPE está em R$ 178.426. Na ponta mais barata dos classificados, isso coloca o SUV aproximadamente R$ 140 mil abaixo de seu preço nominal de lançamento.
Edge ST de 335 cv já aparece abaixo dos R$ 160 mil
A diferença entre os dois momentos chama atenção. O Edge ST chegou ao Brasil por R$ 299 mil e hoje pode ser encontrado em anúncios na faixa inferior de R$ 158.880, de acordo com o levantamento atual da Webmotors.
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A diferença nominal é de R$ 140.120. Isso representa aproximadamente 46,9% do preço original, sem considerar inflação, quilometragem, conservação ou custos financeiros ao longo desses sete anos.

A própria referência FIPE de setembro de 2026 é bem mais alta que os anúncios mais baratos. O valor oficial registrado pela Webmotors para o Edge ST 2019 é de R$ 178.426, enquanto a média nacional calculada pela plataforma está em R$ 177.522,75.
Mesmo usando a FIPE, são R$ 120.574 a menos que os R$ 299 mil cobrados no lançamento. O ponto mais interessante está justamente nessa mudança de patamar: um SUV que disputava compradores de modelos premium agora aparece na faixa de preço de utilitários novos muito menores e menos potentes.
Ford cobrava R$ 299 mil quando o modelo chegou ao Brasil
A pré-venda começou no fim de 2018, depois da apresentação no Salão do Automóvel de São Paulo. A Ford estabeleceu R$ 299 mil como preço e exigia sinal de R$ 30 mil para quem quisesse reservar o veículo antes das primeiras entregas.
Quando as vendas regulares começaram em abril de 2019, o valor de R$ 299 mil foi mantido. A estratégia colocava o Edge em uma faixa ocupada por SUVs de marcas premium, algo que limitava naturalmente seu público.
Naquele período, o próprio Mustang GT vendido pela Ford no Brasil custava praticamente o mesmo dinheiro. Isso criava uma situação curiosa: o cliente podia escolher entre um esportivo V8 tradicional e um SUV de cinco lugares com motor V6 biturbo, tração integral e mais espaço para família.
O coração do Edge ST é um V6 2.7 biturbo de 335 cv
A parte mais especial do Edge ST está debaixo do capô. O motor é um 2.7 V6 EcoBoost biturbo, alimentado exclusivamente com gasolina e equipado com injeção direta. A Ford declarava 335 cv e 534 Nm de torque, equivalentes a aproximadamente 54,5 kgfm.
O torque máximo ajuda a explicar por que um SUV de mais de duas toneladas consegue entregar desempenho de carro esportivo.
O conjunto foi desenvolvido especificamente para a configuração ST e trabalha com transmissão automática de oito marchas.
A caixa utiliza seletor rotativo E-Shifter no console e oferece aletas atrás do volante para trocas manuais. Há também um modo Sport, que altera as respostas do acelerador, transmissão e gerenciamento do conjunto para tornar o comportamento mais agressivo.
Faz de 0 a 100 km/h em apenas 6,2 segundos
Segundo os dados divulgados oficialmente pela Ford, o Edge ST consegue acelerar de 0 a 100 km/h em 6,2 segundos. A velocidade máxima fica na região dos 210 km/h.
A Quatro Rodas obteve 6,8 segundos em seu teste de pista, diferença normal quando se considera condições ambientais, combustível, pneus e metodologia. O mesmo teste registrou retomada de 80 a 120 km/h em apenas 4,2 segundos.
Trata-se de um utilitário com quase 4,8 metros de comprimento, cinco lugares, porta-malas superior a 600 litros e peso superior a duas toneladas.
Tração AWD distribui a força entre as quatro rodas
Toda a potência é enviada ao solo por um sistema de tração integral AWD com gerenciamento eletrônico. A Ford descrevia o conjunto como inteligente e capaz de distribuir torque entre os eixos conforme a necessidade de aderência.
Isso diferencia o Edge ST de muitos SUVs urbanos com tração exclusivamente dianteira. O sistema não transforma o modelo em um jipe destinado a trilhas pesadas, mas ajuda nas acelerações fortes, curvas e situações de menor aderência.
A suspensão também recebeu calibração específica da divisão Ford Performance. Direção, freios e amortecimento foram ajustados para acompanhar o aumento significativo de desempenho em relação às versões convencionais do Edge.
Foi o primeiro SUV ST da Ford no mundo
O emblema ST não foi utilizado apenas como pacote visual. A Ford afirma que o Edge de 2019 foi o primeiro SUV do mundo desenvolvido para receber a identidade Sport Technologies, até então associada principalmente a modelos como Fiesta ST e Focus ST.
O projeto nasceu dentro da Ford Performance, mesma divisão responsável por automóveis especiais da marca. A proposta era transportar parte do conhecimento de desempenho para um veículo grande e familiar.
Rodas de 21 polegadas deixam claro que não é um Edge comum
Visualmente, o ST também se distancia das antigas versões Titanium. O SUV recebeu grade preta em padrão colmeia, para-choques próprios, saias laterais, escapamento com duas saídas e rodas de 21 polegadas.
Os pneus utilizam medida 265/40 R21. É uma combinação larga e de perfil baixo, coerente com a proposta de desempenho, mas que também merece atenção quando se avalia o custo de propriedade de um exemplar usado.

Faróis e lanternas utilizam LED, enquanto os logotipos ST aparecem no exterior e dentro da cabine. O conjunto não tenta esconder o porte do veículo, mas adiciona elementos visuais típicos de um modelo esportivo.
Quase 4,81 metros e porta-malas de 602 litros
A Ford informa 4.808 mm de comprimento e 2.849 mm de entre-eixos. A largura total chega a 2.179 mm considerando os retrovisores, ou 1.991 mm com eles recolhidos.
O porta-malas possui 602 litros, número bastante elevado para um veículo de cinco lugares. Segundo a fabricante, o Edge também oferecia grande espaço para pernas, ombros e cabeça na segunda fileira.
Interior tinha equipamentos que ainda impressionam
A cabine também explica o posicionamento de quase R$ 300 mil na época do lançamento. Os bancos esportivos eram revestidos em couro e camurça e tinham aquecimento e ventilação.
O SUV trazia teto solar panorâmico, carregamento sem fio para smartphones, central multimídia SYNC 3 e sistema de áudio premium Bang & Olufsen com 12 alto-falantes.
Para os ocupantes traseiros, havia ainda duas telas independentes de 8 polegadas integradas ao sistema de entretenimento. Cada uma podia reproduzir conteúdo separadamente, algo cada vez menos comum em automóveis atuais, que passaram a depender mais de tablets e smartphones.
O pacote de segurança era avançado para 2019
O Edge ST foi também o primeiro Ford brasileiro a estrear o pacote CoPiloto 360. O conjunto reunia várias tecnologias de assistência que, naquela época, ainda estavam concentradas principalmente em automóveis premium.
Entre elas estavam frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, assistência de permanência em faixa e farol alto automático.
O SUV ainda tinha piloto automático adaptativo com Stop & Go, assistente de manobra evasiva, estacionamento automático, câmera dianteira de 180 graus e sensores dianteiros e traseiros.
São oito airbags dentro da cabine
A Ford equipou o modelo com oito airbags, além de controle eletrônico de estabilidade e tração, sistema anticapotamento e controle de torque em curvas.
Também estavam presentes monitoramento da pressão dos pneus, assistente de partida em rampa e sistema MyKey, que permite configurar determinadas limitações quando outra pessoa utiliza o veículo.
Esse nível de segurança ajuda a mostrar que o Edge ST não era simplesmente um Edge com motor mais potente. A Ford tentou posicioná-lo como produto de tecnologia, conforto e desempenho dentro do mesmo pacote.
Consumo mostra o preço de alimentar 335 cv
O motor V6 biturbo entrega desempenho elevado, mas não tem a eficiência de um SUV híbrido moderno. Dados divulgados para o modelo indicam consumo próximo de 7,3 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada com gasolina.
A Quatro Rodas conseguiu números um pouco melhores em seu teste, com 7,6 km/l no ciclo urbano e 11,4 km/l em estrada.
As diferenças mostram como condições de uso e metodologia afetam significativamente o consumo de um veículo desse porte.
O tanque tem aproximadamente 70 litros. Para quem pensa em comprar um exemplar usado, combustível precisa entrar na conta com o mesmo peso que preço de aquisição e manutenção.
Edge ST pesa mais de duas toneladas
A ficha técnica da Quatro Rodas aponta 2.031 kg para o veículo testado. Outras bases brasileiras trazem números ligeiramente diferentes conforme metodologia, mas todas confirmam que o Edge ST passa das duas toneladas.

Isso torna os 6,2 segundos declarados pela Ford ainda mais expressivos. Para acelerar uma massa desse tamanho com tanta rapidez, motor, transmissão e sistema AWD precisam trabalhar em conjunto.
Ao mesmo tempo, o peso tem consequências em pneus, freios, suspensão e consumo. Em um usado de alto desempenho, todos esses componentes precisam ser avaliados cuidadosamente.
Ford encerrou as vendas brasileiras em 2021
A trajetória do Edge ST por aqui foi curta. Em agosto de 2021, a Ford confirmou que o modelo deixaria de ser comercializado no Brasil.
Na época, a empresa explicou que a decisão fazia parte da busca por maior competitividade do portfólio e que a escassez global de semicondutores havia antecipado a retirada.
Pouco antes do fim, o Edge ST já custava cerca de R$ 351.950, segundo registros do período. Em 2021, apenas algumas dezenas de unidades haviam sido emplacadas no país, reforçando seu caráter de nicho.
Baixo volume ajuda a explicar por que pouca gente conhece o Edge ST
O Edge nunca teve presença comparável à de SUVs populares. A versão ST tornou essa situação ainda mais evidente porque foi vendida durante pouco tempo e em uma faixa de preço elevada.
Em 2021, por exemplo, registros publicados na época indicam apenas 41 unidades emplacadas, contra centenas de Mustang vendidos no mesmo período.
FIPE de setembro está em R$ 178.426
Em setembro de 2026, a referência FIPE do Edge ST 2019 2.7 V6 EcoBoost AWD automático é de R$ 178.426. A média Webmotors aparece muito próxima, em R$ 177.522,75.
Os anúncios, entretanto, apresentam dispersão considerável. A própria plataforma indica faixa de R$ 158.880 a R$ 199.800, mostrando que quilometragem, estado e histórico têm impacto significativo no valor pedido.
O Edge ST 2020 permanece mais caro. Para o ano-modelo 2020, a FIPE atual é de R$ 191.810, com anúncios encontrados entre aproximadamente R$ 159.990 e R$ 215.900.
A diferença para o preço original chega a R$ 140 mil
Tomando como referência os R$ 299 mil do lançamento e os R$ 158.880 da ponta inferior dos anúncios atuais, a diferença nominal chega a exatamente R$ 140.120.
Não se trata de uma medição econômica de desvalorização real corrigida pela inflação. É a diferença direta entre o preço cobrado quando novo e o menor valor anunciado encontrado agora para exemplares daquele ano.
Mesmo pela FIPE, porém, a distância ainda é enorme. Os R$ 178.426 atuais representam R$ 120.574 abaixo do valor inicial de 2019.
Comprar barato não transforma o Edge ST em carro barato de manter
O preço abaixo de R$ 160 mil pode colocar o Ford no radar de quem procura SUVs muito mais simples. A estrutura mecânica, entretanto, continua sendo a de um modelo importado com V6 biturbo, transmissão de oito marchas, AWD, rodas de 21 polegadas e ampla eletrônica embarcada.
Uma inspeção antes da compra deve avaliar histórico de revisões, funcionamento da transmissão, sistema de tração, vazamentos, turbocompressores, suspensão, freios, pneus e todos os sistemas eletrônicos de assistência.
Também é importante verificar a disponibilidade e o preço dos componentes antes da negociação. O valor depreciado do automóvel não reduz automaticamente o custo das peças de um SUV que nasceu custando quase R$ 300 mil.
Um SUV de R$ 299 mil que agora pode custar menos de R$ 160 mil
Em 2019, o Edge ST era uma das vitrines tecnológicas da Ford no Brasil. Levava a assinatura da Ford Performance, tinha o primeiro pacote CoPiloto 360 da marca no país e combinava um V6 biturbo de 335 cv com tração integral e aceleração de 0 a 100 km/h em 6,2 segundos.
Em setembro de 2026, o mesmo modelo aparece entre os usados por R$ 158.880 na ponta inferior dos anúncios, com FIPE de R$ 178.426. São mais de R$ 140 mil de diferença nominal entre a oferta mais barata encontrada e o preço que o carro tinha quando chegou às concessionárias.
Para quem conhece apenas Territory, Bronco Sport ou os antigos EcoSport, o Edge ST pode parecer um Ford praticamente escondido na história recente do mercado brasileiro.
Só que por trás do baixo reconhecimento existe um SUV canadense de quase 4,8 metros, mais de duas toneladas, rodas de 21 polegadas e desempenho suficiente para atingir 100 km/h em pouco mais de seis segundos.
