Super Terminais leva estrutura de 4 mil toneladas para Itacoatiara, com três guindastes elétricos e operação 24 horas para manter mercadorias chegando a Manaus.
Quando os rios da Amazônia baixam, grandes navios enfrentam dificuldades para chegar a Manaus. Por isso, a Super Terminais investiu R$ 70 milhões em uma operação portuária flutuante para manter o transporte de mercadorias durante a estiagem. Segundo reportagem do BE News, publicada em 5 de outubro de 2026, a empresa iniciou a Operação Seca 2026 em Itacoatiara, no Amazonas. A iniciativa utiliza uma estrutura de aproximadamente 4 mil toneladas para transferir cargas de navios para balsas menores.
Estrutura de 4 mil toneladas ajuda navios a vencer a seca
A operação começou em 2 de outubro, quando a Super Terminais iniciou o deslocamento de um módulo portuário de Manaus para Itacoatiara. O equipamento transporta três guindastes elétricos Konecranes ESP10, responsáveis pela movimentação de mercadorias.
-
Receita Federal encontra R$ 63 milhões em cargas ocultas no Porto do Rio
-
Mercado Livre inaugura dois centros logísticos e prevê mais de 1.400 empregos no RS
-
Trens de carga percorrem milhares de quilômetros puxando vagões completamente vazios e, em algumas ferrovias, essas viagens sem mercadoria representam cerca de 40% de toda a operação
-
Moradores de Bom Despacho e Nova Serrana estão no único trecho de 44,3 km da BR-262 que será duplicado com os R$ 2,74 bilhões do BNDES, enquanto Uberaba ainda espera aval da ANTT para antecipar a terceira faixa até Araxá
Durante a estiagem, a redução do nível dos rios limita a navegação de embarcações maiores. Assim, a empresa utiliza Itacoatiara como ponto de transferência de cargas.
Os navios poderão atracar na estrutura flutuante e descarregar os contêineres. Em seguida, balsas menores transportarão as mercadorias até Manaus.
Dessa forma, a companhia pretende manter o abastecimento da população e das indústrias que dependem do transporte fluvial.
A estratégia também evidencia a importância da infraestrutura de transporte na região. A situação da BR-319, única ligação rodoviária entre Manaus e o restante do país, ajuda a explicar por que as hidrovias continuam essenciais para a logística amazonense.
Píer de 240 metros terá operação 24 horas por dia
A base ocupa uma área de 300 mil metros quadrados na margem esquerda do Rio Amazonas. Além disso, fica a aproximadamente 1,4 quilômetro do porto público de Itacoatiara.
O projeto inclui um píer flutuante de 240 metros de comprimento e 24 metros de largura. A estrutura ficará a 100 metros da margem, em um trecho com profundidade de 34 metros.
Segundo a Super Terminais, essas características permitirão receber navios de diferentes portes, mesmo quando a vazante dificultar a chegada das embarcações à capital.
Para garantir o funcionamento, a empresa organizará equipes em três turnos, mantendo a operação durante as 24 horas do dia.
O trajeto fluvial entre Itacoatiara e Manaus possui aproximadamente 200 quilômetros. Conforme a companhia, as balsas deverão levar cerca de 18 horas em um sentido e 12 horas no outro.
Além disso, a estrutura oferecerá abastecimento de combustíveis, serviços de reparo, equipes de mergulho e apoio à atracação dos navios.
A base também terá segurança permanente, atendimento médico de emergência, combate a incêndios e monitoramento em tempo real.
Esses recursos são importantes porque a operação não envolve apenas descarregar contêineres. Ela precisa manter uma cadeia logística funcionando em uma região sujeita a mudanças no nível dos rios.
Seca anterior deixou terminal 32 dias sem movimentar cargas
A Super Terminais já enfrentou uma situação semelhante durante a estiagem de 2023 e 2024. Naquela ocasião, o terminal passou 32 dias sem movimentar cargas em Manaus.
Por isso, a companhia criou uma operação de transbordo em Itacoatiara, com investimento de R$ 60 milhões.
Como resultado, a estrutura atendeu 27 navios e movimentou mais de 33 mil contêineres, segundo os números divulgados pela empresa.
Em 2024, o terminal também registrou movimentação recorde de 264,8 mil TEUs, unidade utilizada para medir a capacidade de transporte de contêineres.
Agora, a companhia pretende aproveitar a experiência anterior para reduzir os impactos de novas estiagens.
Segundo Marcello Di Gregorio, diretor-geral da Super Terminais, a operação busca dar previsibilidade ao Polo Industrial de Manaus e preservar o fornecimento de produtos durante os períodos de seca.
O desafio ganha importância diante da atividade industrial da capital amazonense. A expansão da fábrica Novamed, que prevê R$ 300 milhões em investimentos no Polo Industrial de Manaus, exemplifica a presença de empresas que dependem de uma cadeia de abastecimento eficiente.
Além disso, a discussão sobre infraestrutura vai além do Amazonas. O planejamento do Novo PAC para 2027 inclui investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, reforçando a importância das diferentes modalidades de transporte para a economia brasileira.
No Amazonas, entretanto, a prioridade imediata é manter os produtos circulando mesmo quando a seca restringir a navegação.
Com o investimento de R$ 70 milhões na Operação Seca 2026, a Super Terminais aposta no transbordo fluvial para diminuir atrasos e preservar o abastecimento de Manaus. Ainda assim, os resultados dependerão das condições dos rios e do desempenho da estrutura durante a estiagem.
