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Brasileiros que trocaram o país por Portugal encaram salários apertados e aluguel cada vez mais pesado, mas idioma, segurança e vida na Europa continuam atraindo gente, numa comunidade que já chegou a 628 mil pessoas

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/08/2026 às 18:15 Atualizado em 22/08/2026 às 18:47
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Vida dos brasileiros em Portugal
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Portugal já reúne cerca de 628 mil brasileiros, mas a combinação entre salários, aluguéis em alta e crise habitacional torna o planejamento financeiro decisivo para quem pretende recomeçar no país.

Portugal consolidou-se como o segundo maior destino de brasileiros no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos. O Relatório Consular Anual de 2025, elaborado pelo Ministério das Relações Exteriores, estima aproximadamente 628 mil brasileiros vivendo no país, dentro de uma diáspora global que chegou a cerca de 5,3 milhões de pessoas.

O tamanho dessa comunidade mostra que a combinação de idioma, proximidade cultural, segurança e acesso ao mercado europeu continua exercendo forte atração.

Mas os números econômicos revelam uma realidade menos simples: o salário mínimo português está em € 920 em 2026, enquanto os novos contratos de aluguel ficaram 9,7% mais caros em 2025 e a própria Comissão Europeia classifica o acesso à habitação no país como uma crise de acessibilidade.

Portugal já reúne cerca de 628 mil brasileiros

O crescimento da comunidade brasileira em Portugal ganhou escala suficiente para transformar o país em um dos principais polos da diáspora nacional.

Segundo os dados do Relatório Consular Anual de 2025, os brasileiros no exterior chegaram a aproximadamente 5,3 milhões, dos quais cerca de 12% estavam em Portugal. O levantamento detalhado atribui ao país aproximadamente 628 mil brasileiros.

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Apenas os Estados Unidos possuem uma comunidade brasileira maior. A estimativa consular é mais abrangente que determinados registros administrativos portugueses porque o objetivo do Itamaraty é calcular o contingente brasileiro no exterior, inclusive situações que não aparecem da mesma forma nas bases locais.

Salário mínimo subiu para € 920 em 2026

Desde 1º de janeiro de 2026, a remuneração mínima mensal garantida em Portugal continental passou de € 870 para € 920, aumento nominal de 5,7%.

O valor foi determinado pelo Decreto-Lei nº 139/2025 e integra o acordo português de valorização salarial.

Na cotação atual, os € 920 equivalem a pouco mais de R$ 5,5 mil, mas a simples conversão para reais pode produzir uma impressão enganosa. Quem mora em Portugal recebe e também paga moradia, alimentação, energia, transporte e impostos em euros.

Por isso, comparar apenas o salário português convertido com uma renda brasileira não mostra o poder de compra real.

Salário médio é maior, mas ainda encontra uma habitação muito cara

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística português ajudam a enxergar melhor essa relação.

No segundo trimestre de 2026, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador chegou a € 1.835. A remuneração regular ficou em € 1.436, enquanto a componente base foi de € 1.342. Em termos reais, descontado o efeito da inflação, a remuneração total avançou 1,8% na comparação anual.

Portugal já reúne cerca de 628 mil brasileiros, mas a combinação entre salários, aluguéis em alta e crise habitacional torna o planejamento financeiro decisivo para quem pretende recomeçar no país.
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Isso mostra que os salários estão crescendo, mas a questão central é se conseguem acompanhar moradia e demais despesas.

É justamente nesse ponto que Portugal enfrenta sua maior pressão econômica para novos residentes.

Novos contratos de aluguel subiram 9,7% em apenas um ano

Em 2025, Portugal registrou 149.628 novos contratos de arrendamento. A renda mediana desses contratos chegou a € 9,29 por metro quadrado, aumento de 9,7% frente ao ano anterior.

O número é nacional e, portanto, mistura mercados muito diferentes. Lisboa e outras áreas metropolitanas costumam apresentar pressão muito superior à encontrada em cidades menores do interior.

Mesmo assim, o avanço nacional de quase 10% em apenas um ano ajuda a explicar por que a habitação passou a ocupar posição central no orçamento de quem chega ao país.

O problema não é apenas uma percepção de estrangeiros. Tornou-se uma questão estrutural da própria economia portuguesa.

Comissão Europeia fala em crise de acessibilidade à habitação

Um relatório da Comissão Europeia publicado em 2026 é particularmente contundente.

O documento afirma que Portugal continua enfrentando uma crise de acessibilidade habitacional, marcada por aumento contínuo dos preços, oferta insuficiente, forte pressão nas grandes cidades e dificuldade de acesso ao mercado de aluguel.

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Entre 2015 e 2024, os preços dos imóveis residenciais portugueses aumentaram aproximadamente 124%, segundo a análise. Em 2025, a valorização teria acelerado novamente, chegando a 17,6% em termos anuais.

Mais importante para quem pretende alugar: entre os inquilinos que pagavam valores de mercado, 27,2% gastavam mais de 40% da renda disponível com habitação em 2025.

Em algumas regiões, um apartamento pode consumir mais de 80% da renda de um jovem

Segundo o relatório, alugar um apartamento padrão de dois cômodos poderia consumir mais de 80% da renda mediana de um jovem adulto em diversas áreas portuguesas submetidas a forte pressão habitacional.

É aí que a matemática muda para o brasileiro que chega sem uma renda elevada previamente garantida.

Portugal pode oferecer um salário nominal superior ao encontrado em determinadas ocupações no Brasil, mas o benefício diminui rapidamente quando o trabalhador precisa competir por imóveis em Lisboa, Porto, Algarve ou outras zonas valorizadas.

Por isso, morar fora dos grandes centros pode alterar profundamente a equação financeira.

Mercado de trabalho atravessa um momento relativamente forte

A contrapartida aparece nos dados de emprego. No segundo trimestre de 2026, Portugal tinha aproximadamente 5,4 milhões de pessoas empregadas, maior valor registrado desde o início da atual série estatística, em 2011. A taxa de desemprego caiu para 5,3%, também a menor da série.

A população desempregada foi estimada em 300,8 mil pessoas, queda de 8,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Isso não significa que qualquer brasileiro que desembarque encontrará rapidamente emprego bem remunerado. Profissão, escolaridade, documentação, experiência, região e domínio das exigências do mercado continuam sendo determinantes.

Mas os indicadores nacionais mostram um mercado laboral muito mais aquecido do que durante vários momentos da história recente portuguesa.

Segurança continua sendo um dos grandes diferenciais do país

Há outro fator que não aparece diretamente no salário. No Global Peace Index 2026, elaborado pelo Institute for Economics & Peace, Portugal ocupou a 7ª posição entre 163 países e territórios analisados, permanecendo entre as nações mais pacíficas do planeta.

O índice considera diferentes dimensões, como segurança social, conflitos e militarização, portanto não deve ser interpretado simplesmente como um ranking de criminalidade de rua.

Ainda assim, a permanência portuguesa no grupo dos dez países mais pacíficos ajuda a explicar por que segurança pesa nas decisões de estrangeiros que procuram viver no país.

Idioma elimina uma das principais barreiras enfrentadas em outros destinos

Portugal também possui uma vantagem impossível de medir apenas por salário: o português.

Para um brasileiro, chegar a Alemanha, Japão ou outros grandes destinos migratórios frequentemente exige enfrentar uma barreira linguística significativa logo na busca por trabalho, escola, moradia e serviços públicos.

Em Portugal, essa primeira barreira é muito menor, ainda que existam diferenças de vocabulário, sotaque e procedimentos administrativos.

Somam-se a isso proximidade aérea com o Brasil, redes familiares já consolidadas e uma comunidade brasileira de centenas de milhares de pessoas.

O resultado é um efeito cumulativo: quanto maior fica a comunidade, maior tende a ser a infraestrutura comercial, profissional e social criada em torno dela.

Portugal está longe de ser o destino barato que já foi

Os dados atuais, porém, tornam cada vez mais difícil vender Portugal simplesmente como um país europeu “barato”.

Em 2025, a renda mediana dos novos contratos avançou 9,7%. Os preços das casas cresceram ainda mais rapidamente, e a Comissão Europeia afirma que a falta de moradia acessível já afeta não apenas grupos vulneráveis, mas também famílias de renda baixa e média, estudantes e trabalhadores essenciais.

Ao mesmo tempo, salários melhoraram. Em junho de 2026, a remuneração bruta total média estava em € 1.835 e o salário mínimo havia subido para € 920.

A questão deixou de ser simplesmente “quanto se ganha em Portugal?” e passou a ser “quanto sobra depois da moradia?”.

628 mil brasileiros mostram que a conta ainda atrai muita gente

Mesmo com a pressão imobiliária, Portugal continua recebendo e mantendo uma comunidade brasileira gigantesca.

Os 628 mil brasileiros estimados pelo Itamaraty equivalem a praticamente um terço de toda a comunidade brasileira residente na Europa.

Portugal oferece idioma compartilhado, mercado de trabalho com desemprego em 5,3%, salário mínimo de € 920 e um dos melhores resultados mundiais em indicadores de paz.

Do outro lado estão aluguéis em forte valorização, preços imobiliários elevados e uma crise habitacional reconhecida pelas próprias instituições europeias.

Para quem recebe uma renda elevada, trabalha remotamente ou chega com emprego qualificado, a equação pode ser bastante diferente daquela enfrentada por quem depende de um salário próximo ao mínimo.

É justamente essa diferença que desmonta a ideia de que mudar para Portugal é automaticamente uma escolha financeiramente fácil. O país continua sendo um dos destinos preferidos dos brasileiros, mas em 2026 o planejamento da moradia pode ser tão importante quanto conseguir o emprego.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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