Pesquisadores da Universidade Autônoma de Coahuila criam um tijolo com 60% de resíduos de mármore que supera as normas mexicanas de resistência e pode reduzir custos, impactos ambientais e problemas de descarte
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia da Universidade Autônoma de Coahuila, no México, desenvolvem um tijolo que utiliza 60% de resíduos da indústria do mármore e supera os padrões de resistência estrutural definidos pelas normas nacionais.
O material surge como alternativa para reduzir impactos ambientais associados à extração, ao processamento e ao descarte de pedra ornamental, um setor que gera volumes elevados de resíduos e afeta diretamente comunidades próximas a aterros.
Impacto ambiental e cenário atual
A construção civil utiliza grande parte dos materiais retirados da crosta terrestre.
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Esse processo exige extração e beneficiamento de rochas e minerais industriais a céu aberto, atividade que modifica a paisagem natural, altera a topografia, provoca erosão do solo e contribui para poluição sonora e atmosférica.
Além disso, durante a produção de materiais de construção, ocorre consumo elevado de energia e uso intenso de materiais pulverulentos. Isso aumenta a presença de partículas em suspensão e amplia a geração de resíduos.
O México integra, ao lado de China e Índia, o grupo dos maiores produtores mundiais de pedra ornamental.
A produção anual ultrapassa 750.000 toneladas, sendo que até 20% desse volume se transforma em resíduos durante o processo industrial.
Esses materiais descartados não são regulamentados, o que agrava impactos ambientais e gera riscos à saúde de moradores que vivem próximos aos aterros.
Desenvolvimento do tijolo de pó de mármore
Com o objetivo de enfrentar esse problema, pesquisadores iniciaram estudos sobre o reaproveitamento dos resíduos na construção civil. A iniciativa resultou na criação de um tijolo composto por pó de mármore residual (até 60%), cimento, areia artificial, superplastificante e água.
O cimento atua como aglomerante e garante coesão à mistura. A areia artificial apresenta maior quantidade de óxido de cálcio, que reage com a água e forma carbonato de cálcio, responsável por melhorar o desempenho mecânico dos tijolos.
O superplastificante reduz o volume de água e aumenta a trabalhabilidade da mistura, elevando a resistência à compressão.
Pesquisadores relatam que a resistência à compressão dos tijolos de pó de mármore supera os limites mínimos definidos pelas normas mexicanas para uso como elemento estrutural em alvenaria.
Vantagens do uso do pó de mármore
Os tijolos desenvolvidos oferecem uma série de benefícios:
- 60% da matéria-prima provém de resíduos.
- A fabricação pode ocorrer diretamente no local da obra, reduzindo custos.
- A resistência supera a indicada pelas normas mexicanas.
- A absorção é inferior à dos tijolos de barro recozido.
- A densidade é maior do que a de divisórias comuns.
- As melhorias resultam em habitações de maior qualidade e melhoram as condições de vida do usuário final.
Segundo o Dr. Nicolás Moreno, o uso do pó de mármore reduz problemas de gestão em pedreiras e na indústria do mármore, diminui o volume de resíduos, reduz a geração de CO2 associada à produção de outros tijolos, melhora o aspecto visual de aterros e mitiga problemas de saúde causados à população próxima desses locais. Ele reforça que o aproveitamento adequado contribui para conservar recursos naturais.
O artigo tem autoria do Dr. Armando Nicolás Moreno, professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Autônoma de Coahuila.

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