Após 30 horas sem capturar nada no Golfo do México, seis pescadores fisgaram um atum-rabilho de 401 kg a 257 km da costa e quebraram um recorde do Texas.
Em 10 de abril de 2025, uma expedição de pesca que havia começado com o objetivo de encontrar grandes marlins terminou com um resultado completamente diferente a cerca de 160 milhas, aproximadamente 257 quilômetros, da costa do Texas. David Esslinger e outros cinco pescadores estavam havia cerca de 30 horas no mar sem uma única fisgada quando um peixe finalmente atacou a isca. O que se seguiu foi uma batalha de mais de cinco horas contra um gigantesco atum-rabilho-do-atlântico.
Quando conseguiram levar o animal até Galveston e colocá-lo em uma balança certificada, veio a dimensão real da captura: 884 libras, aproximadamente 401 kg. O peixe superou por oito libras o recorde estadual anterior, estabelecido em 2021. Em março de 2026, o Texas Parks and Wildlife Department confirmou oficialmente David L. Esslinger como novo recordista estadual do atum-rabilho capturado com vara e carretilha.
Depois de 30 horas no mar, eles ainda não tinham conseguido uma única fisgada
Apesar da experiência da tripulação, o início foi frustrante. Segundo o relato publicado pela Sport Fishing, 30 horas depois do começo da viagem, Esslinger e os outros pescadores ainda não tinham registrado sequer uma mordida. Eles haviam passado aproximadamente um dia e meio tentando encontrar atividade em alto-mar.
-
Cientistas chineses descobriram que um líquen laranja pode denunciar terras raras escondidas em rochas, após ligar sua presença a carbonatos ricos nesses minerais; agora, drones e sensores hiperespectrais podem transformar uma crosta vista em muros, trilhas e jardins em pista para novas jazidas
-
Embrapa identifica nova bactéria em bovinos com “mal do olho” no Rio Grande do Sul, batiza espécie de Moraxella tarda após oito anos de pesquisa e revela genoma de 1,8 milhão de bases, descoberta que pode ajudar no desenvolvimento de diagnósticos rápidos e vacinas mais abrangentes contra a doença
-
Menino de 11 anos encontra dente de megalodonte preso entre pedras durante férias em Nova Jersey, alcança fóssil onde a mão do pai não cabia e especialistas confirmam peça de espécie extinta há cerca de 3,6 milhões de anos, com menos de cinco dentes encontrados no estado
-
Quinze estudantes de instituto federal constroem foguetes com garrafas PET, vencem competição em base do Exército e classificam três equipes para Supercopa nacional, em Maceió, com chance de uma experiência científica na Europa
A situação começou a mudar perto de uma estrutura flutuante localizada a cerca de 160 milhas da costa, o equivalente a aproximadamente 257 quilômetros.
Ali, os pescadores observaram um atum-albacora, conhecido internacionalmente como yellowfin, saltar violentamente para fora da água. Para Esslinger, o comportamento parecia indicar que o peixe estava tentando escapar de algo maior.
Pouco depois, descobriram que havia realmente grandes predadores naquela área.
Tripulação capturou pequenos atuns para usar como isca viva
Na manhã seguinte ao primeiro dia improdutivo, a equipe conseguiu capturar exemplares menores de atum-blackfin para utilizar como isca.
Seis animais, pesando aproximadamente 5 a 10 libras cada, foram mantidos vivos nos compartimentos apropriados da embarcação. Outros dois foram lançados atrás do barco enquanto o Catillac avançava lentamente.

Uma das linhas finalmente disparou. Esslinger correu para a vara, mas o primeiro peixe soltou a isca antes de ficar preso ao anzol. Depois de tantas horas sem nenhuma ação, o ataque perdido representava mais uma frustração.
A segunda oportunidade, porém, mudaria completamente a viagem.
O peixe atacou novamente e arrancou mais de 1.200 metros de linha
Quando veio a segunda investida, não houve dúvida. O peixe atingiu a isca com enorme violência e começou imediatamente a correr para longe do barco. Esslinger utilizava uma carretilha Shimano Tiagra 130A, linha pesada e um anzol circular 12/0.
Segundo a Sport Fishing, na primeira corrida o peixe levou aproximadamente 1.400 jardas de linha, quase 1,3 quilômetro, antes que a situação começasse a se estabilizar.
A força do animal inicialmente dificultou até mesmo sua identificação.
Quando surgiu perto da superfície, a equipe conseguiu enxergar uma enorme massa escura. Por alguns momentos, os próprios pescadores não sabiam se estavam conectados a um gigantesco marlim ou a um atum-rabilho.
Só mais tarde perceberiam que tinham encontrado um dos maiores exemplares já capturados nas águas do Texas.
A batalha ultrapassou cinco horas
A pesca de um animal com centenas de quilos não consiste simplesmente em puxá-lo continuamente para o barco.
Esslinger precisou administrar a pressão da carretilha enquanto o capitão Carson Deer posicionava constantemente o Catillac para impedir que a linha atravessasse os motores ou encostasse nas laterais da embarcação.
A tensão no equipamento foi aumentando durante a batalha.
Segundo o relato publicado pela Outdoor Life, Esslinger chegou a trabalhar inicialmente com aproximadamente 35 libras de pressão no freio da carretilha. Depois aumentou para 45 libras e, em determinado momento, alcançou 52 libras de pressão, aproximadamente 23,6 kg.
O peixe mergulhava, retornava à superfície e circulava abaixo da embarcação.
E Esslinger enfrentava tudo isso sem uma cadeira de combate convencional. Ele utilizava um sistema de suporte preso ao corpo, obrigando-o a suportar durante horas grande parte do esforço da luta.
Foram necessários vários homens para colocar o atum dentro do barco
Chegar até o peixe não significava que o trabalho tivesse terminado. Um integrante da equipe segurou o líder da linha, enquanto outros utilizaram ganchos específicos para controlar o atum. Uma corda foi passada pela cauda antes que os homens conseguissem puxar o animal para dentro do catamarã.
Esslinger relatou que terminou a batalha com o corpo tremendo e as mãos praticamente sem responder depois do esforço acumulado.
O problema seguinte era igualmente concreto: onde colocar um peixe que ninguém esperava encontrar?
A bolsa utilizada para conservar grandes capturas não era suficientemente grande para acomodar o atum inteiro. A tripulação precisou adaptá-la, cobrir o animal e utilizar grandes quantidades de gelo para tentar reduzir sua temperatura durante o retorno.
Eles imaginaram que o peixe pesava 295 kg, mas erraram por mais de 100 kg
Depois de finalmente colocar o atum a bordo, a conversa mudou para seu possível peso.
Mesmo observando aquela massa extraordinária no convés, a maioria da tripulação calculou algo próximo de 650 libras, aproximadamente 295 kg.
Era uma estimativa enorme. Ainda assim, estava mais de 100 kg abaixo do peso verdadeiro.
O Catillac iniciou então a corrida de volta para Galveston. A Outdoor Life relata que a embarcação chegou a navegar por mar com ondas de aproximadamente três pés a cerca de 48 milhas por hora durante parte do retorno.
O destino era a Pelican Rest Marina, onde finalmente haveria uma balança adequada para responder à pergunta que acompanhava os pescadores desde o momento em que viram o atum.
Balança marcou 884 libras, aproximadamente 401 kg
Na marina, o peixe foi colocado em uma balança certificada. O marcador parou em 884 libras.
Convertido para o sistema métrico, são aproximadamente 400,98 kg, arredondados para 401 kg. Foi nesse momento que a captura deixou de ser apenas uma história extraordinária de pesca e passou a representar um possível recorde estadual.
O recorde anterior do Texas para um atum-rabilho era de 876 libras, aproximadamente 397 kg, registrado em 2021. O animal capturado por Esslinger havia acrescentado apenas oito libras, cerca de 3,6 kg, à marca anterior.
Texas confirmou oficialmente o recorde quase um ano depois
A captura aconteceu em 10 de abril de 2025, mas o reconhecimento definitivo não ocorreu imediatamente.
O peixe precisou passar pelo processo de homologação do Texas Parks and Wildlife Department, responsável pelo programa estadual de recordes de pesca.
Em 31 de março de 2026, o órgão publicou o balanço dos recordes estabelecidos durante o ano anterior e confirmou que o maior recorde estadual quebrado em 2025 havia sido justamente o atum-rabilho de 884 libras capturado por David L. Esslinger.
A base oficial do Texas atualmente registra o animal na categoria de água salgada, capturado com vara e carretilha, utilizando um atum-blackfin vivo como isca.
O resultado tornou o peixe oficialmente o maior atum-rabilho já registrado pelo programa estadual.
O atum carregava duas etiquetas e já havia sido encontrado no Canadá
A história ganhou ainda outro elemento quando os pescadores examinaram o animal. O gigantesco atum carregava duas etiquetas de pesquisa.
Segundo a Sport Fishing, pesquisadores conseguiram confirmar que uma delas estava relacionada a uma captura ocorrida em 11 de outubro de 2024, perto de Liverpool, na província canadense da Nova Escócia. Na ocasião, pesquisadores e pescadores estimaram que o peixe pesava aproximadamente 800 libras, cerca de 363 kg.
Menos de seis meses depois, o mesmo animal apareceu a milhares de quilômetros de distância, no Golfo do México, e pesava oficialmente 884 libras.
A trajetória ilustra a enorme capacidade migratória do atum-rabilho-do-atlântico, uma espécie capaz de cruzar grandes extensões oceânicas durante seu ciclo de vida.
A captura não chegou perto do recorde mundial, mas entrou para a história do Texas
Apesar das proporções, o peixe de Esslinger não representa o maior atum-rabilho já capturado no planeta.
O recorde mundial reconhecido pela International Game Fish Association permanece muito acima: 1.496 libras, aproximadamente 679 kg, capturado por Ken Fraser na Nova Escócia, Canadá, em 1979. A Outdoor Life utiliza essa marca como referência ao comparar a captura texana.
Mas dentro do Texas, as 884 libras foram suficientes para escrever uma nova linha na história da pesca esportiva local.
O próprio Esslinger procurou dividir o mérito com todos os integrantes da embarcação. Em seu relato, destacou que um peixe daquele tamanho não é capturado pelo esforço de apenas uma pessoa.
E a sequência dos acontecimentos ajuda a explicar por quê. Foram seis pescadores experientes, um catamarã de 46 pés preparado para águas profundas, centenas de litros de combustível, mais de 680 kg de gelo, equipamentos de pesca pesada e um trabalho coordenado durante mais de cinco horas.
Uma expedição quase vazia terminou com 401 kg no convés
Talvez o aspecto mais extraordinário do episódio esteja justamente no contraste entre o começo e o final da viagem.
Depois de aproximadamente 30 horas no mar, a equipe não havia conseguido sequer uma fisgada. O objetivo original de encontrar um grande marlim parecia cada vez mais distante.
Então surgiu uma movimentação na superfície. Pequenos atuns foram capturados para servir de isca. Uma primeira investida terminou sem peixe. Na segunda, a linha disparou.
Mais de cinco horas depois, havia um atum-rabilho gigantesco ao lado da embarcação.
Os pescadores imaginaram que estavam trazendo para casa um peixe de aproximadamente 295 kg. A balança mostrou que haviam subestimado o animal em mais de 100 kg.
O resultado oficial foi 401 kg, oito libras acima do recorde anterior do Texas.
Quase um ano depois, a confirmação do Texas Parks and Wildlife Department eliminou qualquer dúvida: a viagem de 36 horas que começou atrás de marlins e atravessou 30 horas de silêncio terminou com o maior atum-rabilho oficialmente registrado na história do estado.


