1. Início
  2. Construção
  3. Paraná ergue planetário de R$ 46,5 milhões com vigas de madeira de 30 metros, atinge 53% da obra e aguarda sistema alemão de projeção de R$ 31 milhões que cruza o Atlântico
PR
Faça um comentário 6 min de leitura

Paraná ergue planetário de R$ 46,5 milhões com vigas de madeira de 30 metros, atinge 53% da obra e aguarda sistema alemão de projeção de R$ 31 milhões que cruza o Atlântico

Imagem de perfil do autor Noel Budeguer
Escrito por Noel Budeguer Publicado em 22/10/2026 às 20:21 Atualizado em 22/10/2026 às 20:25
Google News
Paraná ergue planetário de R$ 46,5 milhões com vigas de madeira de 30 metros, atinge 53% da obra e aguarda sistema alemão de projeção de R$ 31 milhões que cruza o Atlântico
Com quase 5 mil m², o novo planetário de Pinhais já atingiu 53% de execução e usa vigas de madeira engenheirada de até 30 metros. O sistema alemão de € 5,16 milhões deve chegar ao Paraná no início de novembro.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Com quase 5 mil m², o novo planetário de Pinhais já atingiu 53% de execução e usa vigas de madeira engenheirada de até 30 metros. O sistema alemão de € 5,16 milhões deve chegar ao Paraná no início de novembro.

Uma obra de R$ 46,5 milhões está mudando a paisagem de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O novo planetário do Parque da Ciência Newton Freire Maia chegou a 53% de execução e ergue uma estrutura de quase 5 mil metros quadrados com vigas de madeira engenheirada de até 30 metros, produzidas a partir de pinus cultivado no Paraná.

Enquanto três quartos da estrutura de madeira já estão concluídos, um sistema de projeção fabricado pela alemã Zeiss atravessa o Atlântico rumo ao Brasil. A tecnologia, adquirida separadamente por 5,16 milhões de euros, deverá transformar a cúpula do edifício em uma superfície de imagens imersivas, com a chegada ao Porto de Paranaguá esperada para o início de novembro.

Vigas de 30 metros saem da fábrica prontas para serem montadas no canteiro

O material utilizado é conhecido como madeira laminada colada, ou MLC. Lâminas de madeira são unidas industrialmente para formar pilares e vigas resistentes, capazes de cobrir grandes vãos. No planetário, esses elementos ficarão à vista, integrados à arquitetura, em vez de escondidos por revestimentos.

Segundo a Secretaria da Educação do Paraná, as peças são projetadas digitalmente, usinadas com precisão e entregues identificadas para instalação. Cortes e ajustes antes realizados na obra passam para a indústria, diminuindo desperdícios e etapas de execução no canteiro.

Vigas de madeira engenheirada alaranjadas diante da armação metálica da cúpula do planetário em construção em Pinhais
Vigas de madeira engenheirada instaladas diante da estrutura metálica da cúpula do novo planetário de Pinhais, em agosto de 2026. Foto: Silvio Turra/SEED.

O pinus usado na estrutura vem de florestas plantadas no próprio Paraná e é processado no estado. O uso de fornecedores próximos encurta o transporte do material. A madeira também mantém armazenada parte do carbono absorvido pelas árvores durante o crescimento, embora o desempenho ambiental completo de uma construção dependa de toda a sua cadeia produtiva.

Projeto de quase 5 mil m² foi desenhado ao redor de uma cúpula circular

Batizado de Órbita, o projeto foi escolhido em um concurso público nacional realizado em 2024. A seleção atraiu 51 inscritos e validou 19 propostas. Os vencedores foram os arquitetos Gabriel Grothge Faria e Rita de Cássia Nardo, do escritório Nardo Grothge Arquitetos.

A cúpula de projeção ocupa o centro da composição arquitetônica. A partir dela, corredores e outros setores se distribuem de forma radial, lembrando trajetórias orbitais. As vigas e os pilares aparentes fazem parte dessa proposta, dando ao edifício uma identidade visual diretamente ligada ao material empregado na construção.

O espaço previsto inclui auditório, salas expositivas, laboratórios, ambientes para atividades pedagógicas, setores administrativos e áreas de atendimento aos visitantes. O projeto também contempla a integração paisagística com a vegetação do parque.

Equipamento alemão terá 11 projetores digitais e cúpula de 18 metros

A estrutura receberá uma cúpula com 18 metros de diâmetro e aproximadamente 508 metros quadrados de superfície de projeção. Conforme informações divulgadas em agosto pelo governo estadual, o sistema híbrido Asterion Premium + VELVET LED combina um projetor óptico-mecânico central com 11 projetores digitais distribuídos ao redor do domo.

O equipamento central poderá representar cerca de 9 mil estrelas observáveis a olho nu em condições ideais, além da Lua, de planetas e de diferentes movimentos astronômicos. Os projetores digitais formarão uma imagem contínua por toda a cúpula, permitindo apresentações, vídeos e simulações educativas.

Em atualização publicada em 21 de outubro de 2026, o Estado informou que o conjunto havia deixado a Alemanha e tinha chegada prevista ao Porto de Paranaguá nos primeiros dias de novembro. A instalação dependerá do desembaraço aduaneiro e do andamento da montagem da edificação.

Fundação está pronta e montagem da estrutura de madeira alcança 75%

A atualização mais recente do governo mostra a obra civil em 53%, depois de ter registrado 30% em agosto. Terraplanagem e fundações foram concluídas, e os trabalhos de concreto e alvenaria chegaram a 98%. A montagem da estrutura de madeira, um dos componentes mais característicos do edifício, atingiu 75%.

Cobertura com longas vigas alaranjadas de madeira engenheirada apoiadas em pilares metálicos na obra do planetário de Pinhais
Detalhe da cobertura de madeira engenheirada apoiada em pilares metálicos durante a construção do planetário de Pinhais. Foto: Silvio Turra/SEED.

As equipes também avançam nas divisões internas, instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias, drenagem, calçamento e adaptações da área externa. O cronograma precisa conciliar essas frentes com as exigências de montagem do sistema óptico dentro da cúpula.

A obra é conduzida pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), com recursos da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, por meio do Fundo Paraná. O contrato de construção foi homologado em dezembro de 2025 por aproximadamente R$ 46,47 milhões, após desconto de 7% sobre o orçamento estimado na licitação.

Sistema de projeção custou cerca de R$ 31 milhões fora do contrato da obra

Os R$ 46,5 milhões divulgados para a construção correspondem ao edifício e não incluem a compra do equipamento alemão. Em agosto, a Secretaria da Educação informou que o sistema de projeção havia sido adquirido por 5,16 milhões de euros, montante então equivalente a aproximadamente R$ 31 milhões.

A licitação da obra foi vencida pelo Consórcio Fundepar Planetário, formado pelas empresas JNB Construções e Serviços, Construtora Sandin e JB Construções e Empreendimentos. A construção começou no início de 2026, depois da etapa de contratação.

Placas solares, captação de chuva e iluminação baixa fazem parte do projeto

O edifício prevê geração fotovoltaica e sistema de captação da água da chuva. O entorno será progressivamente arborizado, enquanto a iluminação externa noturna deverá permanecer baixa e direcionada para o solo, para reduzir a luz projetada sobre o céu e favorecer atividades de observação astronômica.

A proposta combina um edifício de grandes vãos, componentes produzidos industrialmente e espaços destinados ao ensino. O projeto também prevê telescópios e experimentos interativos, incluindo um pêndulo de Foucault, instrumento usado para demonstrar a rotação da Terra.

Previsão de entrega depende da chegada da tecnologia e da conclusão da cúpula

Em agosto, o Fundepar trabalhava com a expectativa de encerrar a obra no início de dezembro, prazo condicionado à chegada dos equipamentos importados. A atualização de 21 de outubro confirma o avanço da construção e o deslocamento do sistema de projeção, mas não estabelece uma nova data definitiva de inauguração.

Quando concluído, o planetário deverá atender estudantes, professores, pesquisadores e visitantes com sessões imersivas, atividades de astronomia e formação docente. A instalação do equipamento alemão e a finalização dos espaços internos são os próximos passos para transformar a estrutura de madeira em um centro de divulgação científica aberto ao público.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x