1. Início
  2. Construção
  3. Com dez prédios construídos e oito em operação, Scala prepara megacampus de data centers de até R$ 32 bilhões em São Paulo, com mais sete edifícios previstos e capacidade elétrica de 600 MW
SP
Faça um comentário 6 min de leitura

Com dez prédios construídos e oito em operação, Scala prepara megacampus de data centers de até R$ 32 bilhões em São Paulo, com mais sete edifícios previstos e capacidade elétrica de 600 MW

Imagem de perfil do autor Noel Budeguer
Escrito por Noel Budeguer Publicado em 22/10/2026 às 20:14 Atualizado em 22/10/2026 às 20:15
Google News
Vista aérea de um edifício de data center da Scala no Campus Tamboré em Barueri, com telhado claro, acessos e construções vizinhas
Vista aérea de uma unidade da Scala Data Centers no Campus Tamboré, em Barueri (SP). Crédito: Scala Data Centers/Divulgação.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Em Barueri, a Scala já construiu dez prédios de data centers, opera oito e planeja chegar a 17 unidades, com 600 MW de capacidade elétrica e um compromisso de investimento total de até R$ 32 bilhões para o campus.

Em Barueri, na Grande São Paulo, a Scala Data Centers já construiu dez edifícios de servidores e prepara uma expansão capaz de levar o Campus Tamboré a 17 data centers verticais. O empreendimento tem oito prédios em operação e foi planejado para alcançar 600 megawatts de capacidade elétrica, com um compromisso de investimento que pode chegar a R$ 32 bilhões.

O complexo reúne aproximadamente 150 mil metros quadrados já edificados em uma área total superior a 220 mil metros quadrados. Três subestações estão energizadas e a empresa pretende ativar novas fases conforme a procura por espaço de processamento de dados. Parte da estrutura já atende clientes; outra parte integra um projeto de longo prazo que ainda depende de obras e contratos.

Dez prédios foram concluídos e o plano prevê outros sete em Barueri

As informações divulgadas em outubro de 2026 e detalhadas pela DatacenterDynamics apontam dez edifícios construídos no Tamboré, oito deles operacionais. Os sete restantes fazem parte da configuração máxima prevista para o campus e serão implantados em etapas, segundo a evolução da demanda.

Em vez de um único galpão, o complexo reúne edifícios projetados para abrigar servidores, conexões de alta velocidade e sistemas elétricos e de refrigeração. Grandes provedores de computação em nuvem precisam de energia constante e condições controladas para manter máquinas funcionando durante todo o dia.

A distribuição por prédios permite à Scala ampliar a instalação conforme os contratos fechados com clientes de grande porte. Cada nova unidade exige obras civis, sistemas de segurança, fornecimento elétrico e infraestrutura para dissipar o calor gerado pelos equipamentos.

Compromisso de R$ 32 bilhões se soma a obras que já superaram R$ 10 bilhões

Os R$ 32 bilhões são o valor potencial comprometido para a expansão, não um total já gasto. Em novembro de 2025, a Scala informou, em comunicado oficial, que o montante aplicado no campus já ultrapassava R$ 10 bilhões. O restante do investimento planejado está associado às próximas fases de implantação.

Na mesma ocasião, a empresa anunciou um memorando de entendimento com a Prefeitura de Barueri para o plano diretor do complexo. O acordo envolve propostas de melhorias viárias, mobilidade e infraestrutura urbana ao redor do empreendimento, localizado próximo ao Rodoanel.

O movimento já gerou um canteiro de obras de grandes proporções. Nas primeiras etapas, cerca de 3.500 trabalhadores participaram da construção, conforme reportagem da Revista O Empreiteiro. O projeto também contratou empresas de engenharia, fornecedores de equipamentos e serviços especializados.

Prédio vertical da Scala Data Centers no Campus Tamboré com fachadas brancas e cinzas, equipamentos de ar no topo e área de obras ao lado
Edifício SGRUTB08 da Scala Data Centers, no Campus Tamboré, com equipamentos técnicos no topo e obras nas proximidades. Crédito: Scala Data Centers/Divulgação.

Três subestações preparam o campus para uma demanda elétrica de 600 MW

A implantação dos prédios depende de uma rede capaz de entregar energia em grande escala. O plano do Tamboré considera 600 MW de capacidade elétrica total no desenvolvimento completo. A meta corresponde ao potencial previsto para o campus, enquanto os oito prédios em operação representam a fase já instalada.

Uma das subestações foi construída com participação da ENGIE para conectar a área ao Sistema Interligado Nacional. Inaugurada em 2026, essa instalação possui capacidade nominal de 560 MVA, unidade utilizada no dimensionamento elétrico. Os 600 MW divulgados para o campus correspondem à potência projetada para o conjunto de instalações.

A Scala liderou requisitos e etapas de desenvolvimento da subestação, enquanto a ENGIE assumiu a infraestrutura de conexão e as atividades de operação e manutenção. A construção de novos edifícios precisará acompanhar a disponibilidade de energia e de infraestrutura de transmissão.

Obras usam componentes modulares e deixam espaço para resfriamento líquido

Para reduzir etapas de construção e melhorar a previsibilidade dos canteiros, a empresa afirma trabalhar com engenharia própria e métodos modulares e industrializados. A estratégia permite repetir componentes de instalações elétricas e estruturas técnicas em diferentes etapas do campus, com adaptações conforme as necessidades dos clientes.

A refrigeração tem papel decisivo nesse tipo de construção. O Tamboré possui operações com sistemas de resfriamento a ar e infraestrutura preparada para incorporar refrigeração líquida. A tecnologia é voltada a equipamentos de alta densidade, como servidores usados para treinar e executar modelos de inteligência artificial.

Edifício da Scala Data Centers visto de cima, com grandes sistemas de ventilação, tubulações externas e veículos no nível da rua
Unidade SGRUTB06 da Scala Data Centers no Tamboré, com sistemas externos de refrigeração e instalações técnicas. Crédito: Scala Data Centers/Divulgação.

A companhia também declara contratar energia de fontes renováveis, principalmente por acordos de longo prazo com projetos eólicos e solares. São soluções importantes para um empreendimento cujo crescimento exigirá mais instalações elétricas e refrigeração, além de acompanhamento do consumo de água e da eficiência energética.

Empresa prepara no Rio Grande do Sul outra cidade de data centers

Além de Barueri, a Scala desenvolve a Scala AI City, em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre. O projeto gaúcho tem investimento inicial previsto de R$ 3 bilhões e primeira etapa com capacidade de 54 MW de TI, medida destinada aos equipamentos de processamento de dados.

O plano de longo prazo considera até 4,75 gigawatts de capacidade de TI e uma área que pode atingir 10 milhões de metros quadrados. Em 2025, o Ministério de Minas e Energia autorizou a conexão de até 5 GW à rede elétrica para o empreendimento. A autorização abre caminho à futura implantação, mas a primeira fase anunciada permanece muito menor que a escala total pretendida.

O projeto de Eldorado do Sul amplia a atuação da empresa enquanto o Tamboré cresce por etapas. Em São Paulo, a segunda fase do campus havia sido inaugurada em 2024; agora, o avanço dos novos prédios segue condicionado à demanda das empresas interessadas.

Lei de incentivo aos data centers amplia investimentos e exige contrapartidas

Em setembro de 2026, o governo federal sancionou a lei que instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). O programa prevê incentivos fiscais para equipamentos destinados à implantação e ampliação de centros de dados, sujeitos a autorização e obrigações específicas.

Entre as condições previstas estão o uso de energia limpa, requisitos de eficiência no consumo de água e compromissos com o atendimento ao mercado brasileiro. O governo pretende atrair novos empreendimentos, enquanto empresas do setor precisam assegurar eletricidade, conectividade e contratos comerciais antes de ampliar seus campi.

No Tamboré, a Scala já reúne dez prédios e três subestações energizadas. O próximo avanço será definido pela contratação de capacidade adicional e pela execução das etapas restantes até o limite planejado de 17 edifícios. Você acredita que instalações desse tamanho devem vir acompanhadas de novas obras de mobilidade e energia para a região? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x