São Paulo Boat Show 2026 registrou forte movimentação comercial, reuniu estaleiros e fornecedores de diferentes segmentos e apresentou embarcações que foram de modelos de entrada a grandes iates e projetos com novas tecnologias.
O São Paulo Boat Show 2026 encerrou sua 29ª edição com mais de 800 embarcações vendidas em apenas seis dias, resultado quase 10% superior ao registrado no ano anterior.
Realizado entre 24 e 29 de setembro, no São Paulo Expo, o evento recebeu 42 mil visitantes e reuniu estaleiros, fabricantes de motores, fornecedores de equipamentos e empresas de serviços ligados à cadeia náutica brasileira.
A movimentação comercial ocorreu em uma edição com mais de 120 marcas, cerca de 160 embarcações expostas e mais de 40 lançamentos e novidades.
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O público encontrou desde modelos de entrada e barcos para pesca e esportes até grandes iates, incluindo uma embarcação avaliada em mais de R$ 40 milhões.

Mais de 800 embarcações foram negociadas em seis dias
Os números colocam o evento como uma vitrine relevante para a produção náutica brasileira.
Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos, a Acobar, o país produz atualmente cerca de 5,5 mil embarcações por ano.
Nesse contexto, as mais de 800 unidades negociadas durante o salão representam uma parcela expressiva quando comparadas ao volume anual informado pela associação, embora o número do evento reúna negócios fechados por diferentes fabricantes e segmentos.
O desempenho também superou a edição de 2025.
Naquele ano, o salão havia registrado mais de 750 barcos negociados e cerca de 40 mil visitantes.
Em 2026, o público subiu para 42 mil pessoas, enquanto o número de embarcações vendidas ultrapassou 800, mantendo a trajetória de crescimento observada pela organização.
A diretora da Boat Show Eventos, Thalita Vicentini, afirmou que os negócios realizados durante a feira movimentam uma cadeia que vai além dos próprios estaleiros.
Fabricantes de motores, fornecedores de equipamentos, marinas e empresas de serviços também são alcançados pelas vendas e pelos contatos comerciais realizados durante o evento.
Estaleiros brasileiros levaram mais de 40 lançamentos ao salão
A presença dos estaleiros brasileiros também ajuda a explicar o peso comercial do salão.
Empresas como Intermarine, Schaefer Yachts, NX Boats, Ventura, Fibrafort, Sessa Marine e outros fabricantes levaram embarcações e lançamentos ao São Paulo Expo.
A lista de expositores ainda reuniu marcas de motores, sistemas de propulsão, equipamentos náuticos e serviços associados ao setor.
Entre os lançamentos de 2026 esteve a Intermarine 25M, iate de 25 metros apresentado ao público pela primeira vez.
A NX Boats, por sua vez, lançou a NX 62 Design by Pininfarina, embarcação de 60 pés que se tornou o maior modelo da história do estaleiro pernambucano.

A Fibrafort apresentou a Focker 288 GTS, enquanto a Ventura levou quatro novidades e um total de 12 lanchas para o evento.
O salão também serviu de vitrine para projetos que extrapolam o mercado tradicional de lanchas de lazer.
Um dos exemplos foi a apresentação mundial do JAQ H2, projeto de embarcação de 50 metros movida a hidrogênio verde.
Segundo a cobertura da Revista Náutica, a proposta prevê que o barco produza o próprio combustível a bordo e opere com autonomia energética baseada nesse sistema.
Outra frente apresentada ao público foi a de embarcações destinadas a usos profissionais.
A Victory Yachts levou ao evento a W400 Interceptor, modelo desenvolvido para a Polícia Militar do Paraná e voltado a atividades costeiras e de interceptação.
A presença desse tipo de projeto mostra que o salão reúne não apenas barcos de lazer, mas também aplicações específicas desenvolvidas por estaleiros nacionais.
Barcos maiores ganham espaço no mercado náutico brasileiro
A dimensão dos modelos expostos também mudou nos últimos anos.
Antes da abertura da edição, a organização já destacava maior presença de barcos entre 30 e 40 pés e o avanço de embarcações de maior porte no mercado brasileiro.
Fabricantes nacionais vêm ampliando seus portfólios para atender compradores que procuram mais espaço interno, autonomia e estrutura para permanências prolongadas a bordo.
Esse movimento aparece na estratégia de diferentes estaleiros.
A Schaefer Yachts levou ao salão modelos que chegavam a 66 pés, enquanto a Intermarine apresentou projetos de maior porte.
A Azimut, que possui produção em Itajaí, em Santa Catarina, antecipou detalhes do Grande 30M, iate de 30 metros com fabricação prevista no Brasil e lançamento programado para 2028.
Os resultados comerciais também variam de acordo com cada fabricante.
A Fluvimar informou à Revista Náutica que, historicamente, o São Paulo Boat Show responde por aproximadamente 70% das vendas anuais do estaleiro.
Já a Ross Mariner anunciou durante a edição de 2026 que havia esgotado, logo no primeiro dia do salão, a quantidade de embarcações que previa comercializar naquele ano.
Para fabricantes com atuação fora de São Paulo, o evento funciona ainda como ponto de acesso ao mercado do Sudeste.
Jonas Moura, CEO da NX Boats, afirmou que a região representa o principal mercado do estaleiro pernambucano e que a participação no salão é usada para apresentar novos modelos justamente em um período próximo ao início do verão.
Cadeia náutica vai além da fabricação de embarcações
O perfil dos expositores mostra ainda que a cadeia movimentada pelo setor não termina quando uma embarcação deixa o estaleiro.
Motores, sistemas eletrônicos, acessórios, seguros, financiamento, compartilhamento de barcos, marinas e serviços de manutenção fizeram parte da edição.
Empresas de propulsão como Mercury, Yamaha, Yanmar e Volvo Penta figuraram entre as marcas presentes ou vinculadas às novidades apresentadas no salão.
A edição de 2026 foi realizada quase três décadas depois do início do São Paulo Boat Show.
Ao longo desse período, o evento passou a acompanhar a ampliação da oferta dos estaleiros e a entrada de embarcações maiores e tecnologicamente mais complexas no mercado nacional.
Neste ano, o balanço terminou com 42 mil visitantes, mais de 120 marcas, 160 embarcações em exposição, mais de 40 lançamentos e mais de 800 barcos vendidos em seis dias.
