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Onze robôs já ajudam a fabricar 65% das peças de uma fábrica de máquinas agrícolas no Rio Grande do Sul, enquanto 20 trabalhadores deixam de enfrentar diretamente os riscos da soldagem

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 01/11/2026 às 12:10
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Robôs de soldagem industrial em célula fechada na fábrica AGCO de Ibirubá, Rio Grande do Sul
Célula de soldagem robotizada da AGCO em Ibirubá, registrada na divulgação de outubro de 2026. Foto: AGCO/Divulgação via GZH.
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Fábrica da AGCO em Ibirubá (RS) utiliza 11 robôs em dez células industriais; 65% das peças recebem apoio da automação e cerca de 20 trabalhadores deixam de ficar diretamente expostos à soldagem.

Em uma fábrica de plantadeiras no interior do Rio Grande do Sul, onze robôs distribuídos por dez células industriais já participam da fabricação de peças de máquinas agrícolas. Segundo a AGCO, que controla a marca Massey Ferguson, a tecnologia está presente na produção de aproximadamente 65% dos componentes feitos na unidade de Ibirubá. A transformação tem outra consequência que não aparece nas estatísticas de produtividade: cerca de 20 trabalhadores deixaram de ficar diretamente expostos às faíscas, ao calor e aos esforços da soldagem manual.

O caso não retrata uma fábrica sem funcionários. Na operação, profissionais posicionam componentes, acionam os equipamentos, acompanham painéis, conferem a qualidade e retiram os conjuntos soldados. O robô assume uma parte perigosa do processo; o trabalhador continua responsável por decisões essenciais. É essa combinação, descrita em reportagens publicadas na última semana de outubro de 2026, que mostra como a automação está modificando atividades industriais brasileiras.

Dez células robotizadas e onze equipamentos já trabalham dentro da fábrica de Ibirubá

A unidade da AGCO/Massey Ferguson fica em Ibirubá, município gaúcho ligado à produção de equipamentos para o agronegócio. A fábrica é especializada em plantadeiras e componentes estruturais desses equipamentos, fabricados para suportar esforços elevados e trabalhar em condições de campo.

A tecnologia não apareceu de repente em 2026. Segundo a engenheira de manufatura Marina Maletzke, ouvida pela GZH em 26 de outubro, a adoção da soldagem robotizada teve seus primeiros passos há aproximadamente 15 anos e foi ampliada até chegar à configuração atual de dez células e onze robôs.

Os equipamentos executam soldas em estruturas que fazem parte do chassi, dos suportes dos tanques de sementes e fertilizantes e das linhas de plantio. São conjuntos de aço que precisam de uniões resistentes e posições precisas para funcionar no campo. Uma falha de soldagem pode exigir retrabalho e aumentar o risco de defeitos durante o uso do implemento.

Como uma célula fechada de soldagem funciona sem deixar o operador diante das faíscas

Na operação descrita pela empresa, o trabalhador posiciona as peças metálicas sobre a mesa de fabricação. Depois aciona o equipamento e passa a acompanhar o processo pelo lado externo da área protegida. Cilindros e grampos prendem os componentes na posição correta antes de o braço robótico executar a soldagem.

O equipamento movimenta a ferramenta de forma programada ao longo das junções. Ao terminar, a máquina libera a estrutura, que pode ser retirada para as próximas etapas. As informações publicadas pelo Portal do Agronegócio detalham justamente esse funcionamento, no qual o profissional opera fora da célula enquanto ocorre a aplicação de calor.

Em uma soldagem convencional, quem executa o trabalho costuma ficar próximo à fonte de calor, à luminosidade intensa do arco, à fumaça do processo e às peças pesadas. A proteção de uma célula não elimina todos os riscos industriais, mas afasta a execução direta da solda e permite organizar procedimentos de segurança e ergonomia ao redor do equipamento.

O engenheiro de manufatura Dieilon Martins da Silva explica que os projetos de automação consideram exposição a riscos, repetitividade e posição corporal dos trabalhadores, além de produtividade. Uma tarefa especialmente repetitiva ou fisicamente exigente pode ser uma candidata para robotização mesmo quando o objetivo principal não é aumentar a quantidade de peças produzidas.

O número de 65% não significa que robôs montam sozinhos as plantadeiras inteiras

Quando a AGCO afirma que 65% das peças fabricadas em Ibirubá contam com auxílio de robôs, fala da participação de máquinas automáticas em etapas da produção de componentes. Não é uma medição de 65% das horas trabalhadas substituídas, nem prova de que a plantadeira completa sai de uma linha autônoma.

Plantadeiras Massey Ferguson vermelhas e trabalhadores na linha de montagem da fábrica de Ibirubá
Linha de montagem da Massey Ferguson em Ibirubá, em imagem institucional de arquivo. Foto: Massey Ferguson/AGCO.

Para construir uma plantadeira, as estruturas soldadas ainda precisam ser combinadas a mecanismos de dosagem, transporte de sementes, discos, rodas, mangueiras, comandos hidráulicos e outros conjuntos. A posição de cada peça e o ajuste final dependem de diferentes processos industriais, muitos deles acompanhados por técnicos.

O site oficial da Massey Ferguson identifica Ibirubá entre suas unidades fabris e apresenta a fabricação de plantadeiras como especialidade local. As fotos institucionais mostram equipamentos grandes e linhas organizadas para montagem, uma realidade diferente da imagem de robôs antropomórficos caminhando pela fábrica.

O dado de 65% também não informa quantos componentes são produzidos por dia, quanto custa cada robô nem qual foi a economia total obtida. Esses números não foram divulgados nas fontes consultadas e não devem ser inventados para dimensionar o projeto.

Vinte trabalhadores deixaram de enfrentar a soldagem direta, mas continuam existindo tarefas humanas

A empresa atribui à automação a redução da exposição direta de cerca de 20 profissionais à operação de soldagem. Isso não representa o anúncio de 20 demissões, nem a informação de que essas pessoas foram afastadas do emprego. O que mudou foi o local e a forma de realizar parte das tarefas industriais.

Marina Maletzke afirmou à GZH que os antigos conhecimentos do soldador continuam importantes, porque alguém precisa identificar se a união foi bem feita, acompanhar a qualidade e corrigir problemas. A cadeia de trabalho passa a incluir profissionais capazes de programar os movimentos, calibrar parâmetros e inspecionar a solda produzida.

Essa mudança exige qualificação. Um operador de célula precisa compreender o funcionamento de travas, sensores, limites de acesso e rotinas de parada segura. Já um programador deve ajustar velocidade, sequência, posição e condições de soldagem conforme o tipo de peça. A automação não dispensa a supervisão nem autoriza ignorar protocolos.

O desafio de segurança continua quando as máquinas precisam de manutenção. Técnicos entram nas áreas de risco apenas com procedimentos específicos de isolamento e bloqueio de energia. As proteções da célula destinam-se a impedir movimentos inadequados durante acessos e intervenções.

Não é só soldar: robôs também ajudam no manuseio de peças, prensagem e alimentação de linhas

O conjunto de tecnologias instalado na fábrica inclui aplicações em outras partes da produção. Relatos industriais sobre a unidade mencionam prensagem de cubos, montagem de discos e movimentação de materiais com auxílio de braços automáticos. Em algumas estações, o equipamento alimenta a máquina com uma peça e a retira ao final da operação.

Existem ainda processos que podem ocorrer em ambientes fechados, como jateamento e lavagem, e recursos de alimentação automática em áreas de corte de chapas. Cada solução enfrenta um problema diferente: manter o trabalhador afastado de partículas, reduzir o manuseio de materiais pesados ou repetir movimentos com precisão.

Operadora com óculos de segurança junto a braço robótico de soldagem da fábrica AGCO em Ibirubá
Profissional da AGCO em Ibirubá junto a equipamento robotizado, em fotografia de arquivo divulgada em reportagem sobre trabalho e tecnologia. Imagem: AGCO/Divulgação.

Nem todo processo deve ser robotizado da mesma forma. Uma peça que muda de formato frequentemente exige garras, programas e ajustes. A decisão depende de volume de produção, investimento, segurança e capacidade de manutenção. Por isso, a experiência de Ibirubá resulta de uma implantação gradual, e não de uma troca instantânea de pessoas por máquinas.

Uma engenheira que começou na solda manual mostra a mudança de carreira dentro da própria fábrica

Uma trajetória relatada em publicação sobre a unidade ajuda a ilustrar essa transformação. Raquel Stan Rodrigues de Oliveira, colaboradora da AGCO, começou com soldagem manual e passou a trabalhar com programação e operação de robôs de soldagem. Seu histórico mostra que o conhecimento da tarefa original pode ajudar o trabalhador a migrar para a supervisão automatizada.

A experiência, divulgada em material sobre diversidade e tecnologia industrial, não permite concluir que todos os funcionários receberão treinamento ou serão promovidos automaticamente. Mostra, porém, uma das possibilidades concretas abertas quando processos antes manuais são integrados a máquinas programáveis.

Em fábricas de equipamentos agrícolas, a experiência prática do soldador é valiosa para reconhecer deformações, examinar cordões de solda e avaliar a necessidade de ajustes. A programação de um robô também depende de saber o que uma peça precisa suportar quando está trabalhando no campo.

O que a experiência gaúcha ensina sobre segurança, empregos e indústria brasileira

A soldagem automatizada já é usada em diferentes setores brasileiros, inclusive na fabricação de automóveis, carrocerias e máquinas. O caso de Ibirubá chama atenção porque combina três números concretos: onze robôs, 65% das peças com participação da automação e cerca de 20 profissionais afastados da exposição direta à solda.

Para o trabalhador, o ganho anunciado está na redução de determinados riscos e esforços físicos. Para a empresa, a produção assistida por robôs oferece mais controle de movimentos, padronização e possibilidade de acompanhar os resultados. Esses benefícios só se sustentam quando a implantação vem acompanhada de manutenção, inspeção e formação das equipes.

O caso não representa a eliminação completa de postos industriais nem fornece estimativa de quantos empregos serão criados ou perdidos no futuro. A lição prática é mais específica: o trabalho de soldar peças passa a incluir tarefas de supervisionar, programar e conferir máquinas que executam a união metálica.

Em uma época em que se discute se a inteligência artificial e os robôs vão substituir os operários, a fábrica gaúcha oferece um retrato verificável de transformação industrial no Brasil. Você considera que afastar trabalhadores das tarefas mais perigosas é o maior benefício da robotização? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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