Após queda nos volumes, Ambev aposta em eventos, feriados e clima favorável para recuperação. Zé Delivery avança, aproxima jovens consumidores e reforça estratégia nas marcas populares e no segmento core
Após um período descrito como de “gosto amargo” para o mercado de cervejas, a Ambev projeta um cenário mais animador para 2026. A companhia aposta que a combinação entre grandes eventos e um calendário generoso de feriados deve reacender o consumo no Brasil, depois de um ano de retração nos volumes vendidos.
Eventos e feriados no radar
Durante teleconferência de resultados realizada nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o CEO Carlos Lisboa destacou fatores que, na visão da empresa, podem mudar o ritmo do setor.
“O Carnaval está em andamento no Brasil e em vários mercados latino-americanos. Depois, começamos a nos preparar para a Copa do Mundo, que terá fuso horário favorável. No Brasil, o calendário está repleto de feriados, com vários fins de semana prolongados”, afirmou o executivo.
-
Melhor que no Brasil? Dono da Havan quer levar a rede para o Paraguai e Uruguai: “Confesso que nunca tinha pensado nisso”
-
Quanto ganha um dono de posto de gasolina? Negócio que parece uma máquina de dinheiro pode faturar R$ 1,5 milhão por mês e ainda lucrar só R$ 40 mil, enquanto o verdadeiro ganho vem da conveniência, lavagem e serviços extras
-
Idosos podem ganhar documentos essenciais sem pagar taxas: projeto que inclui CIN, CNH, CPF e carteira de trabalho avança na Câmara, elimina cobranças de emissão e renovação e deixa brasileiros aguardando etapas decisivas para saber se benefício realmente sairá do papel
-
O dinheiro de papel está sumindo do bolso do brasileiro, a emissão de cédulas novas caiu 31% de 2020 a 2025, em meio à explosão do Pix, que virou o meio de pagamento mais frequente para 46% da população enquanto o dinheiro vivo despencou de 42% para 22%
A leitura é direta: mais ocasiões de encontro social tendem a ampliar momentos de consumo. Para a companhia, o último ano foi prejudicado justamente pela redução dessas oportunidades.
O peso de um ano desafiador
Lisboa atribuiu o desempenho mais fraco a condições climáticas adversas e a um ambiente de consumo considerado mais difícil.
Segundo ele, esses elementos reduziram as ocasiões de socialização, pressionando tanto a indústria quanto os resultados da Ambev.
No quarto trimestre, os volumes totais caíram 3,6% em relação ao ano anterior. No Brasil, a queda foi de 3,7%.
As vendas de cerveja recuaram 2,6%, enquanto as bebidas não alcoólicas tiveram retração de 6,6%. Em 2025, os volumes totais caíram 3,3%, com recuo de 4,1% no Brasil.
“Foi a primeira vez que vimos um impacto tão forte em nosso setor”, disse Lisboa. Em tom analógico, comparou 2025 a uma temporada difícil, marcada por campo instável, clima frio e um jogo em constante mudança.
Fundamentos preservados
Apesar dos números, o CEO rejeitou interpretações de que haveria uma mudança estrutural no comportamento do consumidor.
Para ele, o movimento foi cíclico e influenciado por fatores específicos. Não houve, segundo Lisboa, alteração repentina nos fundamentos da categoria.
Ele ressaltou que consumidores mais engajados se aproximaram ainda mais da cerveja ao longo do ano. O que mudou, em suas palavras, foi quantas vezes “o momento certo” apareceu.
A cerveja, afirmou, segue culturalmente relevante e ligada à socialização.
Zé Delivery em destaque
Como indicativo dessa conexão, Lisboa citou o desempenho do Zé Delivery. O aplicativo encerrou 2025 com o maior resultado da história, registrando GMV 13% maior que em 2024 e alcançando R$ 4,7 bilhões.
“Em termos estratégicos, o Zé Delivery nos aproxima dos consumidores mais jovens, com quase 80% deles pertencendo à Gen Z ou aos millennials”, afirmou.
Para a companhia, a plataforma funciona como ponte com públicos que moldarão o consumo nos próximos anos.
Estratégia da Ambev para 2026
Na retomada esperada para 2026, Lisboa destacou o papel das marcas populares, classificadas como core.
Embora rótulos premium e super premium tenham crescido “um dígito alto”, ele reforçou que o core é essencial para atingir a maior parte da população, em que o preço é decisivo.
Segundo o executivo, a maioria dos brasileiros ainda depende de um salário mínimo, o que torna a acessibilidade um fator central. O core, disse, é a parte mais forte da indústria.
A Ambev fechou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 4,5 bilhões, queda de 9,9%. A receita líquida recuou 8,2%, para R$ 24,8 bilhões, e o Ebitda ajustado diminuiu 8%, para R$ 8,8 bilhões.
No acumulado do ano, o lucro subiu 7,7%, para R$ 16 bilhões, enquanto a receita líquida caiu 1,4%, para R$ 88,2 bilhões. Por volta das 16h09, as ações subiam 4,44%, a R$ 16,47, acumulando alta de 20,6% em 12 meses.
As informações são do NeoFeed.

-
-
2 pessoas reagiram a isso.