Deolira Glicéria Pedro da Silva, de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, recebeu no fim de agosto o certificado do RankBrasil de mulher mais longeva do país, com nascimento fixado em 10 de março de 1905 após cruzamento de INSS e certidões. Supera em cinco anos a recordista do Guinness, Ethel Caterham
Deolira Glicéria Pedro da Silva, moradora de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, tem 121 anos e foi confirmada pelo RankBrasil como a mulher mais longeva do Brasil. O Guinness World Records atribui a liderança mundial à britânica Ethel Caterham, de 116 anos, o que abre a possibilidade de a brasileira ser listada no topo do ranking global, enquanto o Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP sequencia o genoma dela.
As informações foram publicadas pelo ND Mais em 5 de setembro de 2026, em reportagem de Vinicios Souza, com dados do RankBrasil, do Guinness e entrevista da neta de Deolira, Doroteia Ferreira, ao Inter 1.
Certificado do RankBrasil chegou no fim de agosto

Deolira recebeu o certificado do RankBrasil no final de agosto de 2026, com o reconhecimento oficial de mulher mais longeva do Brasil.
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Nascida antes da invenção da televisão e do primeiro voo do 14-Bis, ela entrou no livro dos recordes nacional com 121 anos confirmados. Para o RankBrasil, a oficialização vai além da contagem matemática: Deolira viu o nascimento de tecnologias modernas, mudanças de regime político e a evolução de toda a sociedade brasileira.
Guinness aponta Ethel Caterham, de 116 anos; Deolira tem cinco a mais
Na lista do Guinness World Records, a liderança da longevidade mundial é atribuída à britânica Ethel Caterham, de 116 anos.
Com 121 anos confirmados, Deolira pode ser listada no topo do ranking mundial, segundo o ND Mais. A reportagem não informa se houve pedido formal ao Guinness nem qual seria o rito para essa inclusão.
Enchente de 1977 levou documentos e obrigou uma investigação
Parte dos documentos antigos da família havia sido perdida após uma grave enchente na região em 1977. Sem esses papéis, confirmar a idade exigiu um trabalho de investigação.
O caminho até o reconhecimento oficial passou por cartórios, paróquias e registros previdenciários, para preencher as lacunas do passado rural da centenária.
Geriatra Juair Abreu Pereira vasculhou cartórios e paróquias

O médico geriatra Juair Abreu Pereira, que acompanha a saúde de Deolira, coordenou as buscas por certidões em cartórios e paróquias.
O RankBrasil destaca o papel do médico como fundamental para o reconhecimento da idade excepcional. Foi ele quem organizou a reconstrução documental que faltava desde a enchente de 1977.
INSS e certidões civis apontaram a mesma data: 10 de março de 1905
Para confirmar a idade, foi preciso cruzar o histórico de créditos do INSS com certidões civis do interior.
Todos os registros oficiais apontaram para a mesma data: Deolira nasceu em 10 de março de 1905. É essa convergência entre previdência e cartório que sustenta os 121 anos certificados.
Filha de lavradores, viveu no campo e atravessou seis gerações até uma pentaneta
Segundo o RankBrasil, Deolira é filha de lavradores e viveu grande parte da vida no campo. A trajetória é marcada pela simplicidade da vida rural, pelo trabalho e pela religiosidade.
Os vínculos familiares atravessam gerações: filhos, netos, bisnetos, tataranetos, tetranetos e uma pentaneta. “Mesmo com limitações naturais da idade, Deolira permanece cercada pelos cuidados da família e pelo acompanhamento médico”, destacou o RankBrasil.
Coxinha e guaraná: a exceção nos aniversários da família
A alimentação de Deolira é descrita pela neta como balanceada, mas com uma exceção em data específica. Nos aniversários da família, ela não abre mão de coxinha com guaraná.
“Prato preferido”, revelou Doroteia Ferreira à reportagem do Inter 1.
Neta credita a longevidade à comida natural e ao modo de vida
“Eu acho que foi a alimentação dela, né. Os modos de vida que ela viveu. Era tudo natural, não tinha nada de hoje em dia que a gente tem. Eu acho que isso contribuiu para ela chegar até essa idade”, disse Doroteia Ferreira ao Inter 1.
A explicação da neta coincide com a origem rural registrada pelo RankBrasil, com uma vida de campo e de comida sem os produtos industrializados atuais.
Geriatra cita religiosidade, alimentação, sono e preservação cognitiva
Para o geriatra que acompanha Deolira, fatores como religiosidade, alimentação saudável, sono e preservação cognitiva podem estar relacionados à longevidade dela.
A avaliação do especialista é apresentada como hipótese, não como conclusão. A resposta definitiva, se existir, está sendo buscada no laboratório.
USP colheu sangue para sequenciar o genoma completo no Projeto DNA Longevo
Deolira passou a integrar o Projeto DNA Longevo, conduzido pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP. Amostras de sangue dela foram recolhidas para o sequenciamento completo do genoma.
O objetivo dos cientistas é mapear quais fatores biológicos garantiram uma vida tão extensa e com qualidade. A reportagem não informa prazo para os resultados do estudo.
Título nacional em mãos e processo aberto para documentos mais antigos
Quando a reportagem foi publicada, em 5 de setembro de 2026, Deolira Glicéria Pedro da Silva já tinha o certificado do RankBrasil de mulher mais longeva do Brasil, recebido no fim de agosto, e seu sangue estava nas mãos dos pesquisadores da USP.
O RankBrasil mantém o processo aberto caso surjam documentos ainda mais antigos. A eventual inclusão no ranking mundial do Guinness, hoje liderado por Ethel Caterham, seguia como possibilidade, sem confirmação registrada pelo ND Mais.
Na sua opinião, o cruzamento de registros do INSS com certidões de cartório é prova suficiente para o Guinness reconhecer Deolira como a pessoa mais velha do mundo, ou a perda de documentos na enchente de 1977 deixa margem para dúvida? Deixe sua opinião nos comentários.
