Governo brasileiro prepara R$ 8,9 bilhões em obras de energia, com 1.866 km de linhas de transmissão, novas subestações e mais de 20 mil empregos.
Milhares de estruturas metálicas poderão ser erguidas em diferentes regiões do Brasil para sustentar novas linhas de transmissão de energia elétrica. O projeto prevê a instalação de 1.866 quilômetros de linhas e obras em subestações, com investimentos estimados em R$ 8,9 bilhões. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em comunicado publicado em 26 de outubro de 2026, as construções serão oferecidas a investidores durante um leilão marcado para 30 de outubro, na B3, em São Paulo. Os empreendimentos abrangem sete estados e poderão gerar mais de 20 mil empregos durante sua implantação. A construção ainda depende da contratação das empresas vencedoras.
Leilão de R$ 8,9 bilhões será realizado em 30 de outubro de 2026
A ANEEL marcou o Leilão de Transmissão nº 4/2026 para sexta-feira, 30 de outubro, às 10h, na sede da bolsa de valores B3, em São Paulo.
As empresas interessadas disputarão contratos para construir, operar e manter instalações que fazem parte da rede elétrica brasileira.
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O edital aprovado em setembro apresentou oito lotes de empreendimentos. Cada lote reúne obras que poderão ser executadas por uma empresa vencedora.
O investimento de R$ 8,9 bilhões é uma estimativa para todo o conjunto. O valor definitivo das obras dependerá dos contratos e da execução dos projetos.
Obras terão 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão
A maior parte do empreendimento envolve a construção de linhas de transmissão, utilizadas para transportar grandes quantidades de energia entre diferentes regiões.
As novas instalações somarão 1.866 quilômetros, incluindo trechos de interligação com estruturas existentes.

O leilão também contempla a continuidade da operação de 483 quilômetros de linhas já instaladas. Esse trecho não deve ser confundido com a extensão das novas construções.
Os serviços exigirão levantamento de terrenos, implantação de fundações, montagem de torres metálicas e instalação de cabos de alta tensão.
A quantidade exata de torres dependerá dos projetos executivos. A distância entre elas varia conforme o relevo, os equipamentos e as características de cada trecho.
Sete estados receberão investimentos em grandes estruturas elétricas
As obras previstas estão distribuídas por Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Cada estado possui necessidades diferentes de expansão e modernização da rede elétrica.
Alguns projetos envolvem novas linhas de alta tensão. Outros incluem subestações e instalações necessárias para conectar equipamentos à rede existente.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) participa dos estudos que orientam a escolha desses empreendimentos.
O planejamento considera a demanda de energia, a capacidade das instalações atuais e as necessidades futuras do sistema elétrico.
Maior lote concentra R$ 4,1 bilhões em três estados
O maior conjunto de obras oferecido pela ANEEL é o lote 4, com investimento estimado em R$ 4,1 bilhões.
Esse lote contempla instalações em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, incluindo linhas e subestações do sistema de 500 mil volts.
A tensão elevada permite transportar grandes quantidades de energia por longas distâncias. O projeto inclui instalações associadas a Rio Brilhante, Sarandi, Rio Verde Norte e Chapadão.
Para ampliar a disputa, a ANEEL dividiu esse conjunto em dois sublotes, identificados como 4A e 4B, com regras específicas para a seleção das propostas.
O prazo previsto para conclusão chega a 60 meses após a assinatura dos contratos.
Engenheiros terão de construir fundações e montar torres metálicas
Antes de instalar os cabos de energia, as equipes precisam preparar o terreno que receberá cada torre. O primeiro trabalho envolve estudos do solo e a definição dos pontos onde serão construídas as fundações.
Essas bases ficam abaixo ou próximas da superfície e precisam suportar o peso das estruturas metálicas, dos cabos e as forças produzidas pelo vento.
Depois, as torres são montadas por etapas. Dependendo das condições do local, podem ser utilizados guindastes, equipamentos de içamento e equipes especializadas.
A instalação dos cabos ocorre após a conclusão dos apoios necessários. O trabalho exige controle da tensão mecânica dos fios e respeito às distâncias de segurança.
Subestações terão capacidade de transformação de 12.694 MVA
Além das linhas de transmissão, o leilão contempla instalações com 12.694 megavolt-amperes de capacidade de transformação.
Essa medida, conhecida pela sigla MVA, indica a capacidade elétrica dos transformadores. Não corresponde diretamente à quantidade de energia consumida.
As subestações recebem eletricidade e permitem controlar ou alterar os níveis de tensão para transportá-la pela rede.
Os empreendimentos também incluem quatro compensadores síncronos. Esses equipamentos ajudam a manter a tensão elétrica dentro das condições necessárias ao funcionamento do sistema.
A construção dessas instalações envolve grandes transformadores, bases de concreto, estruturas metálicas, sistemas de proteção e equipamentos de controle.
Bahia terá obras para atender regiões Sul e Centro-Sul
Na Bahia, o lote 1 contempla instalações existentes da Afluente Transmissão de Energia e novas estruturas destinadas ao atendimento das regiões Sul e Centro-Sul do estado. O lote 2 envolve a ligação entre Rio das Éguas, na Bahia, e Iaciara, em Goiás.
Esse empreendimento inclui uma linha de transmissão e uma subestação, ampliando as possibilidades de transporte de energia entre as duas regiões.
Os dois conjuntos possuem prazo previsto de 48 meses após a assinatura dos contratos.
As empresas vencedoras deverão cumprir as exigências técnicas e ambientais antes de iniciar as intervenções previstas.
Paraná terá novas subestações e linhas de alta tensão
O Paraná aparece em diferentes conjuntos de empreendimentos do leilão. O lote 5 contempla instalações ligadas aos sistemas Curitiba Oeste, Barigui 2 e Uberaba, com prazo previsto de 60 meses.
Já o lote 6 envolve a subestação Iguaçu e interligações com linhas de 525 mil e 230 mil volts.
Essas instalações fazem parte da estrutura necessária para transportar eletricidade e atender à demanda da região.
Em São Paulo, outro lote prevê intervenções na subestação Santana, com ligações em níveis de 500 mil e 345 mil volts. Na Paraíba, o projeto contempla os sistemas Coremas II e Cajazeiras II, com prazo previsto de 42 meses.
Construções poderão gerar mais de 20 mil empregos
A ANEEL estima que os empreendimentos possam gerar 20.312 empregos durante a fase de implantação. A demanda por trabalhadores deverá envolver diferentes atividades, desde a construção civil até serviços especializados em eletricidade.
Entre os profissionais necessários estão operadores de máquinas, montadores de estruturas, eletricistas, engenheiros e equipes de transporte.
A movimentação de equipamentos também poderá beneficiar empresas que fornecem aço, concreto, cabos e outros materiais.
Os postos de trabalho, porém, ainda representam uma previsão. A contratação dependerá do início efetivo das obras e do planejamento das empresas vencedoras.
Empresas vencedoras terão até cinco anos para entregar os projetos
Os prazos definidos pela ANEEL variam entre 42 e 60 meses, contados a partir da assinatura dos contratos de concessão. Isso significa que os empreendimentos não começarão a funcionar imediatamente após o leilão.
Antes da construção, as empresas deverão desenvolver os projetos necessários, obter autorizações e organizar a execução das obras.
As linhas também precisarão passar por testes antes de entrar em operação comercial.
O modelo de concessão prevê que as empresas selecionadas assumam a construção e a manutenção das instalações durante o período contratado.
Os contratos de transmissão possuem prazo de 30 anos, conforme as condições previstas no edital.
Expansão permitirá transportar mais energia entre regiões brasileiras
O Sistema Interligado Nacional conecta grande parte das instalações de geração e transmissão de energia elétrica do país.
Essa rede permite que a eletricidade produzida em uma região seja transportada para atender consumidores de outras áreas.
Com a expansão da geração solar, eólica e de outras fontes, surgem novas necessidades de transporte de energia.
As linhas e subestações previstas no leilão foram planejadas para ampliar a capacidade da rede e atender a requisitos de segurança e operação.
A conclusão das obras poderá melhorar as condições de transmissão, mas os efeitos específicos dependerão dos projetos entregues e das necessidades de cada região.
Leilão definirá quais empresas assumirão as construções
Em 30 de outubro, as empresas habilitadas apresentarão suas propostas para disputar os empreendimentos.
Na transmissão de energia, a competição considera a receita anual que cada participante aceita receber pela prestação do serviço.
A receita é definida pelas regras do leilão e remunera a disponibilidade das instalações conforme as condições do contrato.
Depois da seleção, os vencedores deverão cumprir as etapas necessárias à assinatura das concessões e à implantação dos projetos.
Até 28 de outubro de 2026, os R$ 8,9 bilhões permanecem como investimento previsto, e os 1.866 quilômetros de novas linhas ainda não representam obras contratadas ou concluídas.

