A fragata Mariz e Barros será a quarta unidade construída no TKMS Estaleiro Brasil Sul e deverá operar a partir de 2029. O novo navio terá dimensões de escolta oceânica, sistemas de combate integrados e produção modular, enquanto o batimento de quilha transforma uma antiga cerimônia em marco industrial brasileiro.
O novo navio de guerra que encerra o primeiro lote da Classe Tamandaré alcançou uma etapa simbólica e estrutural no estaleiro de Itajaí, em Santa Catarina. A fragata Mariz e Barros (F203), projetada com pouco mais de 107 metros, recebeu uma moeda comemorativa no casco durante o batimento de quilha.
A cerimônia não significa que a fabricação tenha começado naquele momento. O primeiro corte de aço ocorreu em 9 de janeiro de 2026 e abriu a fase industrial. O batimento de quilha assinala o avanço para a montagem dos blocos que formarão a embarcação, cuja entrega à Marinha do Brasil está prevista para 2029.
Batimento de quilha marca nova etapa da Mariz e Barros

A reportagem do ND Mais apresenta o batimento de quilha como o novo marco da construção no TKMS Estaleiro Brasil Sul. O ato envolveu a instalação de uma moeda comemorativa na estrutura da fragata Mariz e Barros, quarta embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré.
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Na construção naval tradicional, a quilha funcionava como a espinha dorsal colocada antes das demais partes do navio. Os projetos modernos utilizam fabricação modular: grandes seções são produzidas separadamente, equipadas e depois unidas. Por isso, a cerimônia passou a representar o posicionamento de um dos blocos na área de edificação.
O novo navio já havia deixado a etapa exclusiva de projeto meses antes. Em janeiro de 2026, o corte da primeira chapa indicou que o detalhamento de engenharia, o planejamento industrial e a preparação logística estavam suficientemente avançados para o começo da fabricação física.
O batimento de quilha não inaugura o projeto do zero; ele confirma que a estrutura começou a ganhar forma dentro da sequência industrial. Essa diferença evita confundir três momentos distintos: corte do aço, montagem do casco e lançamento ao mar.
Moeda no casco preserva uma tradição da construção naval

A moeda empregada na cerimônia conecta um processo tecnológico a um costume mantido por estaleiros e marinhas. O objeto é colocado na estrutura durante o batimento de quilha como símbolo de proteção e boa sorte para o navio, sua tripulação e as futuras missões.
O gesto não possui função mecânica, não reforça o casco e não interfere nos sistemas da embarcação. Seu valor é cerimonial. Em um projeto construído com modelagem digital, equipamentos eletrônicos e grandes módulos de aço, a pequena peça registra o momento em que a estrutura passa a ser reconhecida como uma unidade em formação.
A própria Marinha já utilizou a cerimônia nas fragatas anteriores da Classe Tamandaré. Na F203, a tradição ganha um significado adicional: o navio fecha o conjunto inicial de quatro unidades contratadas para renovar a força de escolta brasileira.
A moeda ocupa pouco espaço no casco, mas representa uma mudança de escala no programa. Depois dela, o cronograma ainda inclui união de blocos, instalação de equipamentos, lançamento, acabamento, testes de sistemas, provas de mar e procedimentos de aceitação antes da incorporação.
Novo navio terá 107 metros e deslocará cerca de 3,5 mil toneladas
As embarcações da Classe Tamandaré medem 107,2 metros de comprimento e têm deslocamento aproximado de 3.500 toneladas. A Marinha do Brasil informa ainda 15,95 metros de boca, velocidade na faixa de 25 nós e autonomia de até 5.500 milhas náuticas para a classe.
O novo navio segue o conceito MEKO, desenvolvido pela empresa alemã TKMS e adaptado aos requisitos brasileiros. A configuração modular permite organizar construção, integração e futuras atualizações por seções, reduzindo a necessidade de tratar todo o casco como uma única peça desde o início da produção.
A fragata contará com convoo e hangar para helicóptero, radares, sensores, sistema de gerenciamento de combate e armamentos voltados à defesa antiaérea, antissuperfície e antissubmarino. Esses recursos caracterizam a embarcação como escolta multimissão, preparada para atuar sozinha ou integrada a outros meios navais.
Os 107 metros descrevem o tamanho, mas a capacidade operacional depende da integração entre plataforma, sensores, comunicação e armamentos. A existência dos equipamentos previstos não elimina as etapas de instalação, comissionamento e teste que ainda deverão ocorrer até 2029.
Quarta fragata encerra o primeiro lote da Classe Tamandaré
A Mariz e Barros recebe o indicativo F203 e completa a sequência iniciada pela fragata Tamandaré (F200). A primeira unidade foi lançada em agosto de 2024, passou por testes no mar em 2025 e foi incorporada à Esquadra em 24 de abril de 2026.
A segunda embarcação é a Jerônimo de Albuquerque (F201), lançada em agosto de 2025 e preparada para a fase de provas de mar. A terceira, Cunha Moreira (F202), foi lançada em Itajaí em junho de 2026. Cada unidade se encontra, portanto, em uma etapa diferente de prontificação.
O novo navio não deve ser confundido com essas embarcações já lançadas. A F203 continua na fase estrutural e deverá chegar à água em 2027, antes do período de integração final e testes. A previsão disponível aponta a entrega à Marinha do Brasil em 2029.
Encerrar o primeiro lote significa completar a série inicial de quatro fragatas, não concluir imediatamente todas as entregas. O cronograma permanece escalonado porque lançar um casco ao mar e incorporar um navio plenamente testado são acontecimentos separados.
Produção em Itajaí reúne Marinha, Emgepron e Águas Azuis
O Programa Fragatas Classe Tamandaré é conduzido pela Marinha do Brasil, gerenciado pela Empresa Gerencial de Projetos Navais, a Emgepron, e executado pela SPE Águas Azuis. A sociedade reúne TKMS, Embraer Defesa & Segurança e Atech, com a construção concentrada no estaleiro de Itajaí.
O arranjo distribui responsabilidades entre acompanhamento estatal, engenharia naval, fabricação da plataforma e integração de sistemas. Segundo a Marinha, o programa envolve transferência de tecnologia, participação de fornecedores brasileiros e entrega do código-fonte de sistemas desenvolvidos no país, medida relacionada à autonomia de manutenção e atualização.
A estimativa institucional é de aproximadamente 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos até 2029, além do envolvimento de mais de mil fornecedores nacionais. Esses números se referem ao conjunto do programa, e não apenas à construção da Mariz e Barros ou aos postos existentes dentro do estaleiro.
A fabricação simultânea das quatro unidades colocou o estaleiro no ponto de maior atividade do primeiro lote. A conclusão progressiva de cada fragata, porém, altera esse quadro ao longo do tempo, razão pela qual projeções de emprego não devem ser confundidas com uma quantidade permanente de vagas.
Mariz e Barros homenageia oficial ligado à história naval
A quarta fragata recebeu o nome de Antônio Carlos de Mariz e Barros, primeiro-tenente da Marinha Imperial. O oficial comandou o encouraçado Tamandaré durante a Guerra da Tríplice Aliança e morreu em 1866, depois de o navio ser atingido no bombardeio ao Forte de Itapiru.
A escolha mantém o padrão de homenagens adotado na classe. Tamandaré, Jerônimo de Albuquerque, Cunha Moreira e Mariz e Barros remetem a personagens vinculados à trajetória naval brasileira. O indicativo F203, por sua vez, identifica a quarta posição dentro da série iniciada pela F200.
O nome histórico conviverá com sistemas produzidos mais de um século e meio depois do episódio homenageado. Essa combinação entre memória naval e tecnologia aparece também no batimento de quilha, no qual uma tradição antiga é incorporada a uma linha de produção digital e modular.
A homenagem identifica a embarcação, mas suas capacidades serão definidas pelo projeto comum da Classe Tamandaré. O nome não indica uma classe diferente nem altera as dimensões, a finalidade ou o cronograma previsto para o novo navio.
Fragata deverá reforçar a proteção da Amazônia Azul
As unidades da Classe Tamandaré foram planejadas para substituir gradualmente escoltas mais antigas e ampliar a capacidade de atuação da Marinha do Brasil. Entre as missões previstas estão controle de áreas marítimas, proteção de unidades de maior valor, defesa de ilhas oceânicas e participação em operações nacionais ou internacionais.
A área de interesse inclui a Amazônia Azul, espaço marítimo sob jurisdição brasileira que alcança cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Nessa região estão rotas comerciais, atividades pesqueiras, recursos naturais, plataformas de petróleo e outras infraestruturas consideradas estratégicas.
Até cumprir essas funções, a Mariz e Barros ainda deverá atravessar várias etapas industriais e operacionais. A moeda no casco registra um avanço concreto, mas não equivale ao término da fragata. O calendário prevê lançamento em 2027 e entrega em 2029, condicionada à conclusão da montagem e dos testes.
O novo navio fecha uma série de quatro construções, enquanto abre uma espera de anos até a operação efetiva.
Na sua opinião, o Brasil deveria priorizar novos navios militares, a continuidade da indústria naval ou investimentos em outras áreas estratégicas? Conte nos comentários qual resultado desse programa deveria ser acompanhado mais de perto.
