Cientistas chineses criaram um novo dispositivo de camuflagem que imita plantas, bloqueia raios laser e esconde calor. A tecnologia combina materiais inteligentes e algoritmos avançados para escapar de sistemas de detecção multiespectral. O mais importante é que o projeto já demonstrou resultados promissores em testes de laboratório.
Pesquisadores da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China desenvolveram um novo dispositivo de camuflagem infravermelha multiespectral ajustável.
O sistema simula o comportamento térmico de plantas da família Rosaceae e utiliza um material de mudança de fase para alcançar camuflagem em várias faixas do espectro.
O mais importante é que essa inovação oferece simultaneamente camuflagem infravermelha, gestão térmica, furtividade a laser e disfarce na luz visível.
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A estrutura conta com um material chamado In3SbTe2 (IST), que muda sua forma interna — entre estados amorfo e cristalino — e altera suas propriedades ópticas.
Resultados em testes e simulações
O projeto foi publicado na revista Opto-Electronic Advances e mostra que o dispositivo consegue emissividades muito próximas às das folhas reais. Isso permite que a camuflagem seja eficiente em faixas atmosféricas críticas, como de 3 a 5 µm e de 8 a 14 µm.
No estado amorfo, o material atingiu emissividades de 0,38 e 0,29 nas duas faixas, respectivamente. Já no estado cristalino, os números caíram para 0,36 e 0,08. Isso indica uma performance ainda mais eficiente na ocultação do calor.
Além disso, o dispositivo apresentou excelente absorção de laser: 0,99 em 1,064 μm, 0,92 em 1,55 μm e 0,88 em 10,6 μm. Esses dados confirmam a capacidade de escapar da detecção por feixes usados em sistemas de vigilância.
Tecnologia inspirada em algoritmos e natureza
Para alcançar esses resultados, os cientistas utilizaram um algoritmo de otimização de enxame de partículas combinado com o método de domínio de tempo de diferença finita. Isso permitiu um projeto mais preciso e eficiente do material.
A camuflagem também foi avaliada com base em comparações visuais por imagens infravermelhas. Foram utilizadas folhas naturais, silício, pó de carbono e prata como base de análise.
Quanto mais próxima a emissividade do dispositivo à dessas amostras, mais realista sua aparência na imagem.
Desempenho em várias faixas do espectro
O sistema também se destaca por sua capacidade de gerenciar calor em bandas de janela não atmosféricas, como de 2,5 a 3 µm e de 5 a 8 µm. Isso garante que o calor seja dissipado sem comprometer a camuflagem.
No espectro visível, o dispositivo oferece alta absortividade, o que facilita o disfarce. Com ajustes geométricos, é possível mudar a cor da estrutura para adaptar-se ao ambiente.
Reconhecimento e avanços contínuos
Segundo o artigo, o projeto permite não apenas ocultação, mas também aplicações em codificação dinâmica e imagens reconfiguráveis.
A equipe responsável pelo desenvolvimento já recebeu prêmios nacionais e militares, além de ter solicitado mais de 70 patentes relacionadas à tecnologia.
Portanto, o novo dispositivo chinês representa um avanço significativo no campo da furtividade multiespectral. Ele combina ciência de materiais, algoritmos e observação da natureza para driblar sensores modernos em diversos contextos operacionais.