A obrigatoriedade do ar-condicionado em veículos cadastrados na Uber voltou ao centro do debate após um caso em Praia Grande (SP), em que a recusa de um motorista em ligar o equipamento terminou em agressão contra passageiros.
Com a chegada dos aplicativos de corrida, o transporte público tradicional não foi abandonado, mas passou a ser usado de forma secundária por parte da população.
O conforto, a praticidade e a rapidez oferecidos pelas plataformas digitais transformaram a mobilidade urbana, mas também trouxeram novas fontes de conflito entre motoristas e clientes.
Regras da Uber sobre ar-condicionado
Desde sua chegada ao Brasil, a Uber estabeleceu critérios mínimos para veículos cadastrados.
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Entre eles, está a exigência de que todos os carros tenham ar-condicionado em perfeito funcionamento.
A regra é válida em todas as categorias, do UberX ao Uber Black, e tem como objetivo garantir um padrão de conforto aos passageiros.
Segundo a empresa, o uso do equipamento durante as viagens é esperado, sobretudo em dias de calor.
O não cumprimento pode resultar em avaliações negativas, advertências e até no banimento da conta do motorista.
Essa política foi reforçada em 2025, quando a plataforma anunciou mudanças no “Código da Comunidade”, deixando claro que os usuários têm o direito de solicitar o uso do ar-condicionado.
Passageiros e motoristas em desacordo
Apesar da regra, não são raros os relatos de passageiros que afirmam ter enfrentado resistência de motoristas ao pedirem para ligar o equipamento.
De outro lado, alguns condutores argumentam que manter o ar ligado continuamente aumenta o consumo de combustível e gera custos adicionais.
Esse desencontro de expectativas já resultou em situações de tensão, como cancelamentos, avaliações negativas e discussões durante o trajeto.
Caso em Praia Grande expõe problema
Foi em Praia Grande, no litoral de São Paulo, que um desses conflitos atingiu o nível mais grave.
Recentemente, por lá, uma família solicitou uma corrida em um carro da Uber e pediu que o motorista ligasse o ar-condicionado. A solicitação foi negada de imediato, gerando estranhamento e incômodo.
A recusa evoluiu para uma discussão, que terminou com o cancelamento da viagem e a retirada dos passageiros do veículo.
Agressão registrada por câmeras
O episódio não terminou aí. De acordo com imagens de câmeras de segurança de residências próximas, ao retirar os pertences do porta-malas, o filho da passageira esqueceu a porta aberta.
A atitude provocou a fúria do motorista, que desferiu um soco no rosto do jovem. O rapaz não reagiu, mas o momento foi registrado em vídeo e serviu de prova para a denúncia. A mãe relatou ter vivido momentos de pânico.
“Ao solicitar educadamente que o motorista ligasse o ar, ele respondeu que não faria isso, porque o carro era dele. Questionei, explicando que, ao se cadastrar nessa categoria, ele deveria estar ciente de que os clientes podem pedir esse serviço. Minha reação foi não deixar meu filho reagir, pois ele treina jiu-jítsu e sabe se defender, mas eu estava com muito medo de que o motorista estivesse armado e nos matasse. Ficamos todos em pânico”, contou.
Repercussão e medidas da Uber
Em nota oficial, a Uber classificou a conduta do motorista como inaceitável e informou que ele foi banido da plataforma.
A empresa reforçou que segurança e respeito são pilares do serviço e lembrou que os usuários podem denunciar comportamentos inadequados diretamente no aplicativo.
Responsabilidade legal
Além das medidas internas da Uber, casos de violência em corridas de aplicativo podem gerar consequências criminais e cíveis.
No episódio de Praia Grande, o motorista pode responder por lesão corporal, tipificada no Código Penal, além de estar sujeito a indenizações por danos morais e materiais.
Especialistas em direito do consumidor destacam que, por ser um serviço remunerado, a recusa em ligar o ar-condicionado pode configurar descumprimento contratual, reforçando a responsabilidade do prestador.
Situações semelhantes no país
Embora o caso de Praia Grande tenha ganhado repercussão, outros episódios de desentendimento entre motoristas e passageiros já foram registrados em diferentes cidades do Brasil.
Em Belo Horizonte, passageiros relataram em 2024 que motoristas desligavam o ar durante o trajeto para economizar combustível.
Em Recife, uma corrida terminou em boletim de ocorrência após um condutor se recusar a ligar o equipamento e expulsar os clientes do carro.
Esses exemplos mostram que a falta de consenso em torno de regras básicas pode escalar para situações de insegurança.
Impacto na confiança dos usuários
A violência em corridas de aplicativo impacta diretamente a relação de confiança entre passageiros e motoristas.
Pesquisas apontam que a sensação de insegurança é um dos principais motivos de desistência de usuários em relação às plataformas.
Para especialistas em mobilidade, garantir o cumprimento das regras, como o uso do ar-condicionado, é fundamental para preservar a credibilidade do serviço.
Além disso, defendem campanhas de conscientização voltadas tanto a motoristas quanto a passageiros, incentivando respeito e diálogo.