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No topo do mundo a 5.600 metros no deserto do Atacama, um telescópio sem precedentes começa a operar e pode reescrever tudo o que sabemos sobre o universo frio, o Big Bang e a origem das galáxias

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 24/04/2026 às 11:46
Atualizado em 24/04/2026 às 11:49
Assista o vídeoTelescópio submilimétrico FYST no deserto do Atacama observando o universo
Telescópio FYST instalado a mais de 5.600 metros no Deserto do Atacama. Imagem: University of Cologne
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Em um dos ambientes mais extremos do planeta, uma nova geração de observação espacial surge para captar sinais invisíveis e revelar fenômenos cósmicos nunca antes acessíveis pela ciência moderna

A mais de 5.600 metros acima do nível do mar, no coração do Deserto do Atacama, no norte do Chile, um novo capítulo da astronomia mundial começa a ser escrito. Trata-se do Fred Young Submillimeter Telescope (FYST), considerado o telescópio submilimétrico mais alto do mundo, que já está em plena operação e promete revolucionar a forma como entendemos o universo.

A informação foi divulgada pela “Revista OESTE”, que detalhou como esse instrumento de última geração foi instalado no topo do Cerro Chajnantor, um dos pontos mais elevados e secos do planeta. Esse fator, aliás, não é apenas geográfico, mas estratégico: quanto maior a altitude, menor a interferência do vapor d’água na atmosfera — elemento que pode bloquear sinais extremamente sensíveis vindos do espaço profundo.

Além disso, o ambiente árido do Atacama cria condições quase perfeitas para observações astronômicas, o que coloca o Chile entre os principais polos científicos do mundo. Dessa forma, o FYST passa a integrar um seleto grupo de observatórios capazes de investigar o chamado universo frio, uma região cósmica marcada por temperaturas extremamente baixas e sinais quase imperceptíveis.

O que torna o telescópio submilimétrico FYST uma ferramenta revolucionária na astronomia moderna

Telescópio submilimétrico FYST no deserto do Atacama observando o universo. Imagem: University of Cologne

Antes de tudo, é importante entender o diferencial central desse equipamento: o FYST é um telescópio submilimétrico, ou seja, ele não observa a luz visível como os telescópios tradicionais. Em vez disso, ele capta radiações em faixas que vão do submilimétrico ao milimétrico, permitindo analisar fenômenos invisíveis aos olhos humanos.

Essas frequências são emitidas principalmente por gás e poeira extremamente frios, que estão diretamente ligados a processos fundamentais do universo, como o nascimento de estrelas, a formação de galáxias e até mesmo os vestígios do Big Bang.

Com um espelho de aproximadamente seis metros de diâmetro e um projeto óptico altamente otimizado, o FYST foi desenvolvido para realizar mapeamentos de grandes áreas do céu com alta sensibilidade. Isso significa que ele consegue identificar padrões e estruturas cósmicas em larga escala, algo essencial para estudos de cosmologia.

Além disso, sua localização acima da maior parte do vapor d’água da atmosfera permite captar sinais que simplesmente não seriam detectados em altitudes mais baixas. Consequentemente, o telescópio amplia significativamente a capacidade de observação de objetos distantes e fenômenos antigos do universo.

Como o FYST está ajudando a desvendar os mistérios do universo frio e da formação cósmica

Telescópio submilimétrico FYST no deserto do Atacama observando o universo. Imagem: University of Cologne

Diferentemente de telescópios que focam em alvos específicos, o FYST atua como um verdadeiro “varredor do céu”, cobrindo áreas extensas e identificando regiões que posteriormente podem ser estudadas em detalhes por outros observatórios.

Nesse contexto, o telescópio submilimétrico desempenha um papel essencial ao fornecer dados iniciais que orientam pesquisas mais profundas. Entre seus principais objetivos científicos, destacam-se:

  • Investigar a formação das primeiras estrelas e galáxias, rastreando sinais de nuvens de gás frio em colapso gravitacional
  • Analisar a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, que guarda pistas sobre a expansão do universo
  • Estudar a distribuição de matéria escura e energia escura, elementos ainda pouco compreendidos pela ciência
  • Observar regiões de formação estelar na Via Láctea, muitas vezes escondidas por densas nuvens de poeira

Além disso, esses estudos permitem testar teorias sobre a evolução do universo com base em dados observacionais cada vez mais precisos. Dessa forma, o FYST se posiciona como uma peça-chave na compreensão da história cósmica.

Integração com outros observatórios transforma o Atacama em um dos maiores centros científicos do planeta

Telescópio submilimétrico FYST no deserto do Atacama observando o universo. Imagem: University of Cologne

Outro ponto crucial é a integração do FYST com estruturas já consolidadas, como o Observatório ALMA. Enquanto o ALMA é especializado em observar detalhes extremamente pequenos com altíssima resolução, o FYST se destaca por mapear grandes regiões rapidamente.

Essa complementaridade cria um verdadeiro ecossistema científico, onde diferentes telescópios analisam os mesmos objetos em diversas faixas de luz — incluindo rádio, infravermelho, submilimétrico e visível.

Como resultado, os cientistas conseguem obter uma visão muito mais completa da composição, temperatura e dinâmica dos corpos celestes. Além disso, essa abordagem colaborativa potencializa campanhas internacionais de observação e acelera descobertas científicas.

Colaboração internacional e impacto educacional fortalecem a ciência global e latino-americana

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Por trás desse projeto ambicioso está uma ampla colaboração internacional envolvendo instituições do Chile, Alemanha, Canadá e Estados Unidos, com liderança parcial da Universidade de Cornell.

Ao mesmo tempo, a Universidade do Chile desempenha papel fundamental na operação do telescópio e na formação de novos especialistas. Isso inclui treinamento em áreas como instrumentação, análise de dados e desenvolvimento de software científico.

Além disso, o projeto também impulsiona programas educacionais e oportunidades para jovens pesquisadores, especialmente na América Latina. Dessa maneira, o FYST não apenas amplia o conhecimento científico, mas também fortalece a formação de uma nova geração de cientistas.

Por fim, com sua operação contínua, o telescópio deve gerar um volume massivo de dados, exigindo equipes multidisciplinares e consolidando o Deserto do Atacama como um verdadeiro laboratório natural do universo.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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