1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / A 3.800 metros de profundidade no Atlântico, cientistas encontram uma “cidade perdida” com torres brancas de até 60 metros que permanece ativa há mais de 120 mil anos sem depender de vulcões
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

A 3.800 metros de profundidade no Atlântico, cientistas encontram uma “cidade perdida” com torres brancas de até 60 metros que permanece ativa há mais de 120 mil anos sem depender de vulcões

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/04/2026 às 21:18
Assista o vídeoUm campo de ventilação hidrotermal de alta temperatura descoberto em Puy des Folles Seamount no Mid-Atlantic Ridge, a aproximadamente 2.000 metros (6.562 pés) de profundidade, durante a expedição Em Busca de Cidades Perdidas Hidrotermais. Imagem cedida pelo Instituto Schmidt Ocean.
Um campo de ventilação hidrotermal de alta temperatura descoberto em Puy des Folles Seamount no Mid-Atlantic Ridge, a aproximadamente 2.000 metros (6.562 pés) de profundidade, durante a expedição Em Busca de Cidades Perdidas Hidrotermais. Imagem cedida pelo Instituto Schmidt Ocean. – Foto: NOAA
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
106 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Cidade submarina com torres de até 60 metros cresce há mais de 120 mil anos no Atlântico e revela um dos ambientes mais extremos da Terra.

Em 2000, uma equipe de pesquisadores liderada pela geóloga Deborah S. Kelley, da University of Washington, revelou ao mundo uma das descobertas mais incomuns já feitas no fundo do oceano. Durante uma expedição financiada pela National Science Foundation na região do Atlantis Massif, no meio do oceano Atlântico, os cientistas identificaram uma formação hidrotermal completamente diferente dos sistemas clássicos conhecidos até então. Segundo comunicado oficial da National Science Foundation sobre a descoberta da Lost City Hydrothermal Field e estudo sobre a evolução geológica do sistema publicado no repositório da NOAA, o local abriga grandes estruturas carbonáticas brancas, incluindo a formação conhecida como Poseidon, que atinge cerca de 60 metros de altura.

Essas formações estão associadas ao Atlantis Massif e compõem um campo hidrotermal singular, muito diferente das chamadas “black smokers” ligadas diretamente ao magmatismo oceânico.

Essa “cidade” não depende de atividade vulcânica direta para existir e permanece ativa há mais de 120 mil anos, sendo sustentada por reações químicas profundas entre água do mar e rochas do manto terrestre, em um processo conhecido como serpentinização.

Esse mecanismo transformou a Lost City em uma das evidências mais importantes de que sistemas hidrotermais podem surgir e persistir sem a presença de câmaras magmáticas rasas, alterando a compreensão científica sobre a dinâmica química do fundo oceânico.

O que é a Lost City e por que ela é diferente de tudo

A Lost City não é uma cidade no sentido convencional, mas um campo hidrotermal extremamente raro. Diferente dos sistemas hidrotermais mais conhecidos, como as “black smokers”, que dependem de magma e altas temperaturas, a Lost City funciona por um mecanismo completamente distinto.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Ela é formada por um processo chamado serpentinização, no qual a água do mar penetra profundamente na crosta terrestre e reage com rochas ultramáficas do manto. Esse processo gera:

  • calor
  • hidrogênio
  • metano
  • compostos alcalinos

Esses elementos alimentam a formação contínua das torres minerais e sustentam um ecossistema único, que não depende da luz solar.

Como surgem torres de até 60 metros no fundo do oceano

As estruturas da Lost City são formadas por depósitos de carbonato de cálcio. Quando os fluidos quentes e alcalinos emergem do subsolo e entram em contato com a água fria do oceano, ocorre a precipitação de minerais.

Esse processo leva à formação de:

  • chaminés
  • torres
  • estruturas ramificadas
A 3.800 metros de profundidade no Atlântico, cientistas encontram uma “cidade perdida” com torres brancas de até 60 metros que permanece ativa há mais de 120 mil anos sem depender de vulcões
Um campo de ventilação hidrotermal de alta temperatura descoberto em Puy des Folles Seamount no Mid-Atlantic Ridge, a aproximadamente 2.000 metros (6.562 pés) de profundidade, durante a expedição Em Busca de Cidades Perdidas Hidrotermais. Imagem cedida pelo Instituto Schmidt Ocean. – Foto: NOAA

Com o tempo, essas formações podem crescer continuamente, atingindo alturas impressionantes de até 60 metros, comparáveis a prédios de vários andares.

O crescimento ocorre ao longo de milhares de anos, criando um verdadeiro “complexo arquitetônico natural” no fundo do oceano.

Um sistema ativo há mais de 120 mil anos

Um dos aspectos mais surpreendentes da Lost City é sua longevidade. Enquanto muitos sistemas hidrotermais têm vida útil relativamente curta em termos geológicos, a Lost City permanece ativa há pelo menos 120 mil anos, podendo ser ainda mais antiga.

Essa estabilidade é possível porque o sistema não depende de fontes magmáticas instáveis, mas sim de reações químicas contínuas entre água e rochas. Isso faz da Lost City um dos ambientes hidrotermais mais duradouros já identificados na Terra.

A vida que existe sem luz e sem fotossíntese

Mesmo em um ambiente extremo, a Lost City abriga formas de vida. Esses organismos não dependem da luz solar, mas sim de processos químicos para obter energia, em um mecanismo conhecido como quimiossíntese.

Entre os organismos encontrados estão:

  • bactérias
  • arqueias
  • microrganismos adaptados a ambientes alcalinos

Esses seres utilizam hidrogênio e metano como fontes de energia, demonstrando que a vida pode existir em condições completamente diferentes das encontradas na superfície. A descoberta tem implicações profundas para a biologia.

Por que a Lost City é importante para a origem da vida

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A Lost City é considerada por muitos cientistas como um dos ambientes mais próximos das condições que podem ter dado origem à vida na Terra.

Isso porque:

  • fornece energia química constante
  • possui ambientes protegidos em cavidades minerais
  • apresenta condições alcalinas favoráveis

Esses fatores são semelhantes aos cenários propostos para o surgimento das primeiras formas de vida há bilhões de anos. Por isso, o estudo da Lost City vai além da geologia, sendo relevante também para a astrobiologia.

A descoberta da Lost City também influencia a busca por vida em outros planetas e luas. Ambientes semelhantes podem existir em locais como Europa, lua de Júpiter e Encélado, lua de Saturno.

Esses corpos celestes possuem oceanos subterrâneos e atividade geológica interna. A existência de vida na Lost City mostra que não é necessário luz solar para sustentar ecossistemas, ampliando as possibilidades de encontrar vida fora da Terra.

O papel do Atlantis Massif na formação do sistema

A Lost City está localizada no topo do Atlantis Massif, uma estrutura geológica formada por processos tectônicos complexos. Essa montanha submarina expõe diretamente rochas do manto, o que é relativamente raro.

Essa exposição permite que a água do mar penetre profundamente e reaja com essas rochas, alimentando o sistema hidrotermal. Sem essa configuração geológica específica, a Lost City não existiria.

A maioria das fontes hidrotermais conhecidas está associada a atividade vulcânica. Essas fontes:

  • são mais quentes
  • têm vida útil mais curta
  • dependem de magma

Já a Lost City:

  • opera em temperaturas mais baixas
  • é quimicamente estável
  • não depende de vulcões

Essa diferença torna o sistema único e mais duradouro, oferecendo um laboratório natural para estudar processos geológicos e biológicos.

Um dos ambientes mais extremos já encontrados na Terra

A Lost City reúne condições extremas que desafiam a compreensão tradicional da vida. Entre essas condições estão:

  • alta alcalinidade
  • ausência de luz
  • pressão elevada
  • isolamento geográfico

Mesmo assim, a presença de vida demonstra a capacidade de adaptação dos organismos e amplia o entendimento sobre os limites biológicos.

Antes da descoberta da Lost City, acreditava-se que sistemas hidrotermais dependiam principalmente de calor vulcânico.

A 3.800 metros de profundidade no Atlântico, cientistas encontram uma “cidade perdida” com torres brancas de até 60 metros que permanece ativa há mais de 120 mil anos sem depender de vulcões
Cidade submarina com torres de até 60 metros cresce há mais de 120 mil anos no Atlântico e revela um dos ambientes mais extremos da Terra.

A identificação de um sistema baseado em reações químicas profundas redefiniu o entendimento sobre esses ambientes, abrindo novas linhas de pesquisa.

Além disso, a descoberta:

  • ampliou o conhecimento sobre o fundo oceânico
  • revelou novos processos geológicos
  • influenciou estudos sobre a origem da vida

Uma cidade mineral que desafia tudo o que se sabia

A Lost City representa um dos exemplos mais impressionantes de como o planeta ainda guarda ambientes desconhecidos.

Uma “cidade” formada por torres de até 60 metros, ativa há mais de 120 mil anos e sustentada por reações químicas profundas mostra que a Terra ainda possui regiões que desafiam completamente a lógica comum.

Mais do que uma curiosidade, essa descoberta redefine limites científicos e revela que, mesmo nas partes mais inacessíveis do planeta, existem sistemas complexos, antigos e ainda ativos, esperando para serem compreendidos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x