Kirin e Japan Steel Works testaram a quebra química do plástico em uma máquina de escala produtiva, mas ainda precisam integrar a coleta e a recuperação dos materiais antes de uma operação comercial.
Uma extrusora industrial usada no Japão conseguiu despolimerizar mais de 95% do PET alimentado na máquina durante um teste de reciclagem química. O equipamento também manteve uma vazão estável de pelo menos 250 quilos por hora.
Despolimerizar significa quebrar as longas cadeias que formam o plástico em componentes químicos que podem ser aproveitados para produzir novo material. A Kirin Holdings, empresa japonesa que desenvolveu a tecnologia química testada, divulgou os resultados em 2 de setembro de 2026. Trata-se de uma demonstração em equipamento de escala produtiva, ainda sem operação comercial.
Quebrar o PET é diferente de triturar e fundir garrafas
Na reciclagem mecânica, o PET usado passa por etapas físicas para voltar à produção. O plástico pode ser triturado e fundido, mas suas cadeias químicas não são desfeitas como no processo anunciado pelas empresas.
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Na reciclagem química, a intenção é quebrar essas cadeias e purificar os materiais obtidos. Isso pode ampliar os tipos de PET aproveitados, inclusive materiais que exigem uma separação mais cuidadosa de impurezas.
Esse é o ponto central do teste japonês: a máquina não apenas reduziu o plástico a pedaços menores. Ela participou de uma reação química que desfez grande parte do PET colocado no equipamento.
Duas roscas ajudam a misturar o plástico durante a reação
O teste utilizou uma extrusora de rosca dupla da série TEX αⅢ, fabricada pela Japan Steel Works. Dentro desse tipo de máquina, duas roscas movimentam e misturam o material ao longo do equipamento.

A reação testada é chamada de despolimerização alcalina. Além da ação química, o processo usa a mistura intensa e o atrito produzidos pela máquina para ajudar a quebrar as cadeias do PET, sem depender apenas do aquecimento para acelerar a reação.
A Kirin desenvolveu a tecnologia química. A Japan Steel Works ficou responsável pelo projeto do equipamento e pelo ajuste das condições de operação. A Kirin Holdings, empresa japonesa que publicou os resultados da demonstração, informou que os dados também ajudaram a definir condições necessárias ao projeto de uma futura unidade comercial.
O que os números do teste realmente mostram
As empresas registraram mais de 95% de despolimerização do PET alimentado e operação estável com vazão de 250 quilos por hora ou mais. Os dois resultados importam juntos: um indica quanto do plástico passou pela reação; o outro mostra o ritmo de alimentação mantido no teste.
Isso não significa que 95% do material já tenha sido recuperado como matéria-prima pronta para fabricar novas embalagens. O percentual divulgado mede a quebra química do PET nessa etapa, enquanto a recuperação dos componentes ainda precisa fazer parte de um processo integrado.
A vazão descreve a operação demonstrada no equipamento testado, sem estabelecer quantas horas uma futura instalação funcionaria ou quanto material conseguiria recuperar.
O caminho entre a demonstração e a fábrica comercial
O avanço coloca a reação química em uma máquina de porte produtivo e fornece dados para projetar as próximas etapas. Para a indústria de embalagens, o interesse está em saber se o método poderá tratar diferentes tipos de PET e devolver material à cadeia de fabricação.
As empresas ainda pretendem desenvolver um processo que reúna coleta do PET, despolimerização e recuperação dos componentes. Também vão avaliar o uso de materiais de PET de outras procedências, incluindo aqueles que não são destinados ao contato com alimentos.
O teste mostrou que a extrusora pode manter a reação em um ritmo industrial relevante. A aplicação comercial dependerá de fazer todas essas etapas funcionarem em conjunto e de verificar os resultados com diferentes materiais.
Você acredita que a reciclagem química poderá ampliar o reaproveitamento de embalagens de PET? Compartilhe sua opinião nos comentários.
