O Espírito Santo Express segue à deriva com carga de importadores do Sul e do Sudeste, sem data de chegada, e a Hapag-Lloyd diz que o combate ao incêndio no navio continua.
O porta-contêineres Espírito Santo Express pegou fogo entre 15 e 16 de outubro, na viagem de Singapura para Santos. Segundo a nota da Hapag-Lloyd a clientes, de 22 de outubro, a Seaspan, dona do navio, informa que o combate ao incêndio segue em andamento e que todos os tripulantes estão a salvo.
Um aviso de navegação de 15 de outubro colocou esse navio à deriva a mais de 1.500 km do litoral do Rio de Janeiro, segundo a Prensa Mercosur. A mesma reportagem diz que não há nova data de chegada a porto. Em aviso a clientes no Brasil na quarta-feira (21), a operadora Ocean Network Express (ONE) informou que a dona do navio conseguiu iniciar as medidas para estabilizá-lo, mas que ainda não há lista de contêineres afetados nem nova data de chegada, segundo o Naval Porto Estaleiro.
A Hapag-Lloyd, que opera o Espírito Santo Express, afirma que a extensão do incêndio no navio e o impacto sobre a carga ainda estão em avaliação. A empresa diz que não consegue, por enquanto, saber o estado de cada contêiner.
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Quais cargas podem estar nesse porta-contêineres?
A rota AS2 liga Busan, Xangai, Ningbo, Shekou, Hong Kong e Singapura à costa leste da América do Sul. A publicação MásContainer, citada pela Prensa Mercosur, diz que o porta-contêineres levava carga para Santos, Paranaguá, Navegantes e Rio Grande, além de Montevidéu e Buenos Aires.

Importadores de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul podem ter mercadoria a bordo. Quem tem carga nesse navio à deriva pode cruzar o número do contêiner e o conhecimento de embarque com o nome do Espírito Santo Express. A própria Hapag-Lloyd diz, na nota de 22 de outubro, que o cliente não precisa tomar nenhuma medida específica, a não ser que seja procurado diretamente.
Como a avaria grossa afeta quem tem carga a bordo
A Prensa Mercosur registra que, até 21 de outubro, nem a Hapag-Lloyd nem a Seaspan tinham confirmado contrato de salvamento ou declaração de avaria grossa. Na avaria grossa, as despesas do socorro são rateadas entre o navio e todas as cargas a bordo, inclusive as que chegarem intactas. Se ela for declarada, a mercadoria só é liberada mediante garantias.
Quem foi resgatado e quem se perdeu no mar?
Os 28 tripulantes do Espírito Santo Express foram resgatados pelo graneleiro Aeolian Arrow, de bandeira portuguesa. A Splash247 informa que 19 pessoas vieram de um bote salva-vidas e nove de uma balsa.

Durante a operação de resgate, depois do incêndio no navio, o imediato do graneleiro caiu ao mar. A GAMA, autoridade portuguesa que investiga acidentes marítimos, diz que ele não foi recuperado. A TradeWinds afirma que ele morreu, e a Splash247 usa a palavra desaparecido. A perda aconteceu no graneleiro, e não no porta-contêineres.
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 15 e 16/10 | Incêndio no Espírito Santo Express, em viagem de Singapura para Santos |
| 16/10 | Avião KC-390 da FAB decola do Galeão para a busca |
| 18/10 | Data prevista de chegada a Santos |
| 20/10 | TradeWinds e Splash247 publicam a perda do imediato |
| 21/10 | Prensa Mercosur relata navio à deriva e sem data de chegada |
| 21/10 | ONE diz que a dona do navio iniciou medidas para estabilizá-lo |
| 22/10 | Hapag-Lloyd diz que o combate ao fogo segue e que a tripulação está a salvo |
A Força Aérea Brasileira enviou um KC-390 para apoiar a busca. Segundo o Jornal Portuário, a aeronave percorreu cerca de 1.700 km sobre o Atlântico Sul nessa missão. Navios mercantes que passavam pela região também foram desviados para ajudar, registra a Prensa Mercosur.
O que acontece agora com o navio?
Ainda não há previsão de chegada a porto para o navio à deriva. Antes de qualquer reboque, equipes de salvamento precisam chegar ao navio e controlar o incêndio no navio. Esse processo costuma levar semanas. O próximo marco é a avaliação a bordo, que vai dizer se o navio será rebocado, para qual porto, e se a avaria grossa será declarada.
Este é o segundo caso do mês de navio à deriva com carga para o Brasil. O HMM Platinum também teve incêndio no navio e seguia para os mesmos portos, segundo a Prensa Mercosur. São dois porta-contêineres com carga para o Brasil atingidos pelo fogo em menos de duas semanas.
