Jair Ferreira Ataíde percebeu em 2009 que uma nascente de sua propriedade de aproximadamente 67 hectares, em Jaguaré, no Espírito Santo, estava perdendo força. O cafeicultor participou de um projeto de recuperação ambiental, plantou 1.332 mudas nativas de 43 espécies e, após três anos de recuperação da vegetação e do solo, viu a fonte de água se estabilizar e permanecer ativa até durante uma forte seca.
Em 2009, Jair Ferreira Ataíde trabalhava em sua propriedade rural de cerca de 67 hectares, em Jaguaré, no norte do Espírito Santo, quando percebeu uma mudança preocupante. A área reunia lavouras de café, pastagens, eucaliptos e vegetação nativa, mas a água que brotava em uma das áreas da propriedade estava perdendo força.
Jair conhecia aquele terreno havia décadas e lembrava que, no passado, havia mais árvores ao redor da área hídrica. Em um registro publicado ainda naquele ano, quando o produtor tinha 46 anos, ele já relatava que a água estava diminuindo em um ponto ocupado por pasto e eucalipto.
A situação poderia ser especialmente grave para uma propriedade agrícola. No Espírito Santo, onde a produção de café conilon depende fortemente da disponibilidade de água, uma nascente enfraquecida não representa apenas uma alteração ambiental, mas um risco direto para a continuidade das atividades no campo.
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1.332 mudas começaram a mudar a área
A reação não veio por meio de uma grande obra de engenharia. Jair aderiu ao programa Extensão Ambiental, iniciativa que oferecia mudas nativas e assistência técnica para produtores interessados em recuperar nascentes, matas ciliares e outras áreas ambientalmente sensíveis.
Na propriedade foram destinadas exatamente 1.332 mudas de 43 espécies nativas da Mata Atlântica. O número de mudas já aparecia em registros publicados em outubro de 2009, quando o plantio ainda estava começando, o que permite acompanhar a história desde antes de seus resultados.
Entre as espécies utilizadas nesse tipo de recuperação estavam árvores com ritmos de crescimento e funções diferentes. Algumas ajudavam a criar cobertura mais rapidamente, enquanto outras contribuíam para formar uma vegetação mais diversificada e permanente. O jacarandá aparece no relato posterior da propriedade como uma das árvores que se tornaram símbolo dessa transformação.

Recuperação levou três anos de acompanhamento
O processo não terminou no dia do plantio. Segundo o relato publicado pelo Gshow, a área passou por cerca de três anos de acompanhamento, período em que a vegetação se desenvolveu e as condições do solo começaram a mudar.
O programa também previa orientação técnica e cuidados necessários para que as mudas sobrevivessem. A lógica era recuperar a cobertura vegetal ao redor das áreas de água, reduzir a degradação do terreno e criar condições mais favoráveis para a infiltração e conservação da umidade.
Depois desse período, a nascente passou a apresentar maior estabilidade. Não existem medições hidrológicas públicas que permitam atribuir toda a recuperação exclusivamente às árvores plantadas, mas o relato registra que a melhora da vegetação e do solo foi acompanhada pela recuperação do fluxo de água.
A prova veio quando a seca chegou

O resultado ganhou outra dimensão quando uma forte seca atingiu a região. Enquanto propriedades próximas enfrentavam dificuldades de abastecimento, a nascente de Jair permaneceu ativa, segundo o relato atual sobre o caso.
A disponibilidade de água teria sido suficiente não apenas para atender à própria propriedade, mas também para ajudar vizinhos durante o período mais crítico. A área que anos antes preocupava o produtor por perder água passou a funcionar como uma reserva importante justamente quando o recurso se tornou escasso ao redor.
O contexto torna o episódio ainda mais significativo. O norte do Espírito Santo enfrentou graves períodos de estiagem na década seguinte ao início do projeto, com impactos expressivos sobre lavouras, reservatórios e produtores de café conilon.
De risco produtivo a proteção da água
Hoje, Jair Ferreira Ataíde tem 63 anos, e sua propriedade mostra como uma decisão tomada ainda em 2009 atravessou muito além do plantio inicial de mudas.
O caso não significa que qualquer nascente possa ser recuperada apenas com o plantio de árvores. Condições do solo, chuva, relevo, conservação da área e manejo também interferem diretamente no comportamento da água. Mas a experiência de Jaguaré mostra como recuperar a vegetação de uma área degradada pode fazer parte de uma estratégia maior de proteção hídrica dentro de propriedades rurais.
Para Jair, tudo começou quando a água que sempre existira naquele terreno começou a desaparecer. Anos depois, justamente em um momento em que outros produtores precisaram procurar água, a nascente continuava ali.
Quantas propriedades rurais brasileiras poderiam enfrentar períodos de seca de outra forma se suas nascentes começassem a ser protegidas antes de chegar ao limite?
