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NASA mostrou os Lençóis Maranhenses vistos do espaço e chamou a paisagem brasileira de “deserto feito de água”: dunas brancas de quartzo, lagoas azuis e verdes, chuva acima de Seattle e areia movida por rios criam um cenário que parece impossível no Maranhão

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Escrito por Carla Teles Publicado em 27/08/2026 às 12:01
NASA mostrou os Lençóis Maranhenses vistos do espaço e chamou a paisagem brasileira de “deserto feito de água” dunas brancas de quartzo, lagoas azuis e verdes, chuva acima de
NASA usa o Landsat 9 para mostrar os Lençóis Maranhenses, onde dunas de quartzo cercam lagoas de água doce em uma paisagem moldada pela chuva. Imagem: Instagram/NASA
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Imagem capturada pelo Landsat 9 em 8 de junho de 2026 revela os Lençóis Maranhenses no auge das lagoas sazonais; NASA explica que parque recebe cerca de 125 centímetros de chuva por ano, possui dunas de até 30 metros e combina clima, rios, areia de quartzo e ventos persistentes locais.

Os Lençóis Maranhenses voltaram a aparecer sob uma perspectiva difícil de reconhecer à primeira vista. Em uma imagem capturada do espaço pelo satélite Landsat 9, extensas faixas claras de areia surgem entre lagoas azuis e verdes, enquanto o Oceano Atlântico ocupa uma das extremidades do registro e a vegetação contorna o campo de dunas.

A imagem foi registrada em 8 de junho de 2026 e publicada pelo NASA Earth Observatory em 5 de agosto de 2026. Posteriormente, em uma publicação nas redes sociais em agosto, a NASA resumiu o paradoxo da paisagem com a expressão “deserto feito de água”. Apesar da aparência árida, a região recebe chuva em quantidade incompatível com a ideia de um deserto convencional.

Vista do espaço, paisagem parece um enorme deserto branco

A imagem produzida pelo instrumento OLI, do Landsat 9, mostra centenas de lagoas de água doce ocupando depressões entre as dunas dos Lençóis Maranhenses. O registro ocorreu justamente em uma época em que os níveis dessas lagoas costumam estar próximos de seu ponto máximo anual.

Vistas de cima, as dunas formam longas linhas claras cercadas por áreas verdes e pelo azul do Atlântico. O contraste é tão forte que a paisagem parece reunir, no mesmo espaço, características de um deserto e de uma região marcada pela abundância sazonal de água.

Segundo a NASA, algumas dunas de quartzo chegam a aproximadamente 30 metros de altura. Entre elas aparecem lagoas em diferentes tons de azul e verde, formando o mosaico identificado no registro orbital.

Esse conjunto explica por que a aparência dos Lençóis muda tanto quando observada em diferentes épocas. O campo de areia continua presente, mas a quantidade de água entre as dunas depende diretamente do ciclo das chuvas.

“Deserto feito de água” recebe mais chuva que Seattle

NASA mostrou os Lençóis Maranhenses vistos do espaço e chamou a paisagem brasileira de “deserto feito de água” dunas brancas de quartzo, lagoas azuis e verdes, chuva acima de
NASA usa o Landsat 9 para mostrar os Lençóis Maranhenses, onde dunas de quartzo cercam lagoas de água doce em uma paisagem moldada pela chuva. Imagem: Instagram/NASA

A aparência desértica esconde um dado que ajuda a explicar a singularidade do lugar. De acordo com o NASA Earth Observatory, os Lençóis Maranhenses recebem cerca de 125 centímetros de chuva por ano, o equivalente a aproximadamente 1.250 milímetros.

Esse volume é ligeiramente superior ao registrado em Seattle, nos Estados Unidos, e aproximadamente duas vezes o que cai em Londres, segundo a comparação feita pela própria agência espacial. É justamente essa combinação de muita areia com chuva abundante que torna o cenário tão incomum.

Quando as chuvas abastecem o sistema, a água ocupa os espaços mais baixos existentes entre as dunas. Uma camada parcialmente impermeável de rocha e argila sob a areia reduz a drenagem durante o período úmido, permitindo a permanência das lagoas.

À medida que as precipitações diminuem entre agosto e novembro, o nível da água subterrânea também baixa. Segundo a NASA, até dezembro, a maior parte das lagoas costuma secar, para voltar a se formar com o retorno das chuvas.

Rios entregam o quartzo que forma o enorme campo de areia

A origem das dunas dos Lençóis Maranhenses envolve uma combinação rara de geologia, relevo e clima. A NASA explica que rios transportam grandes quantidades de areia rica em quartzo até essa parte especialmente plana do litoral do Maranhão.

Entre os cursos d’água mencionados pelo Earth Observatory estão os rios Mearim e Parnaíba. Eles funcionam como fornecedores do material que, depois de chegar à região costeira, passa a participar de um processo muito mais longo de formação e deslocamento das dunas.

A areia não chegou toda de uma vez. Segundo a agência espacial norte-americana, o material vem se acumulando nessa área ao longo de centenas de milhares de anos, período marcado também por oscilações do nível do mar e mudanças sucessivas na posição da linha costeira.

Isso ajuda a explicar por que a paisagem não é resultado apenas da chuva atual ou do vento de uma única estação. O cenário observado pelo Landsat 9 é consequência de processos naturais que atuam em escalas de tempo muito diferentes.

Ventos deslocam dunas por metros todos os anos

NASA usa o Landsat 9 para mostrar os Lençóis Maranhenses, onde dunas de quartzo cercam lagoas de água doce em uma paisagem moldada pela chuva.
Imagem: Unsplash/Seiji Seiji

Se os rios fornecem parte essencial da areia, são os ventos que ajudam a reorganizar continuamente o campo de dunas. A NASA aponta que os ventos alísios persistentes de leste exercem papel importante na formação dos Lençóis Maranhenses.

Durante a estação mais seca, esses ventos podem alcançar pelo menos 50 quilômetros por hora, velocidade suficiente para construir as dunas e empurrá-las gradualmente em direção ao oeste. Mesmo uma formação que parece imóvel quando vista do chão está, na prática, se deslocando ao longo do território.

A velocidade desse movimento pode variar bastante. De acordo com os dados apresentados pelo NASA Earth Observatory, algumas dunas avançam aproximadamente 4 a 25 metros por ano.

Imagens de satélite também permitiram observar a transformação em escala de décadas. Em determinadas áreas, o campo de dunas avançou para oeste cerca de 0,5 quilômetro entre 1986 e 2026, resultado do movimento contínuo da areia a partir da região costeira.

Água permanece porque existe uma barreira abaixo da areia

Outra parte importante do funcionamento dos Lençóis Maranhenses está escondida sob a superfície. A presença das lagoas não depende apenas da quantidade de chuva que cai sobre o parque, mas também da dificuldade que essa água encontra para desaparecer imediatamente no solo.

Segundo a NASA, existe sob a areia uma camada de rocha e argila parcialmente impermeável. Essa estrutura dificulta a drenagem durante a estação chuvosa e permite que a água permaneça acumulada nas depressões localizadas entre as dunas.

O resultado é um ciclo anual em que a paisagem alterna fases muito diferentes. No período de maior armazenamento de água, centenas de lagoas aparecem distribuídas pelo campo de dunas. Com a redução das chuvas, elas diminuem progressivamente.

A fotografia de 8 de junho de 2026 registra justamente uma fase favorável para observar esse contraste, porque foi obtida perto do período em que os níveis das lagoas normalmente atingem seu ponto mais elevado.

Landsat 9 revela processos difíceis de perceber a partir do solo

A observação orbital permite enxergar relações que não são tão evidentes para quem está entre as dunas. Na imagem do Landsat 9, o campo de areia aparece como uma grande faixa clara cercada pela vegetação e pelo oceano, enquanto as lagoas formam manchas azuis e verdes distribuídas pelo interior.

Do espaço, fica mais fácil perceber que os Lençóis Maranhenses não são um conjunto estático de dunas, mas um sistema em transformação contínua, influenciado simultaneamente por rios, chuvas, ventos, características do solo e alterações costeiras acumuladas ao longo de milhares de anos.

O próprio nome “Lençóis”, segundo a explicação da NASA, ganha sentido quando o campo é visto de longe. As curvas formadas pela areia lembram grandes lençóis brancos ondulados sobre o terreno.

Foi justamente essa combinação que levou o Earth Observatory a apresentar a paisagem como um paradoxo: visualmente semelhante a um deserto, mas marcada por chuvas capazes de produzir centenas de lagoas temporárias de água doce.

Paisagem que parece impossível nasce do encontro entre água, areia e vento

A imagem dos Lençóis Maranhenses registrada pelo Landsat 9 mostra mais do que um cartão-postal visto de uma altitude incomum. Ela ajuda a explicar por que uma extensa área tomada por dunas brancas consegue abrigar, simultaneamente, grandes quantidades de água doce.

Os rios fornecem areia de quartzo, os ventos movimentam as dunas, a chuva abastece as lagoas e a camada menos permeável abaixo da superfície ajuda a reter parte dessa água. É a combinação desses elementos que produz a paisagem registrada pela NASA.

Quando vista do espaço, essa dinâmica aparece de maneira particularmente clara: areia branca, água azul e verde, vegetação e oceano dividem o mesmo enquadramento no litoral do Maranhão.

Para você, o que mais surpreende nos Lençóis Maranhenses: o volume de chuva maior que o de Seattle, as dunas capazes de se deslocar dezenas de metros por ano ou o fato de centenas de lagoas surgirem no meio de um cenário que parece um deserto? Conte nos comentários.

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Carla Teles

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