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Museu holandês cobre 25 metros quadrados com mais de 360 quilos de pasta de amendoim, usa 40 baldes e cria obra equivalente a 15 mil sanduíches

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 21/08/2026 às 22:30 Atualizado em 21/08/2026 às 22:31
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Museu holandês cobre 25 metros quadrados com mais de 360 quilos de pasta de amendoim
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A instalação do Museu Boijmans Van Beuningen transforma mais de 360 quilos de pasta de amendoim em uma experiência de cheiro, escala e debate sobre os limites entre alimento, desperdício e arte conceitual

Uma sala do Museu Boijmans Van Beuningen, em Roterdã, nos Países Baixos, teve o piso coberto por uma massa marrom, brilhante e de cheiro imediatamente reconhecível. São mais de 360 quilos de pasta de amendoim espalhados por 25 metros quadrados, quantidade suficiente para preparar cerca de 15 mil sanduíches.

A obra foi aberta ao público em 9 de julho de 2026 no Depot, espaço ligado ao museu, com duração anunciada de dois meses. A apuração foi publicada pela Associated Press, agência internacional de notícias com cobertura em vários países.

O cheiro faz parte da experiência. Na abertura, funcionários orientavam o público a seguir o aroma, que já chegava à bilheteria, três andares abaixo da instalação. Na entrada, um aviso alertava que pessoas com alergia a amendoim talvez não devessem entrar no espaço.

Quarenta baldes sobre o chão formaram uma camada de dois centímetros

Dois funcionários passaram vários dias espalhando 40 baldes de pasta de amendoim sobre uma área em forma de hexágono. Eles usaram ferramentas planas semelhantes às empregadas para alisar massa em paredes e deixaram a camada com dois centímetros de espessura.

A escala fica mais clara com duas comparações simples. O peso supera o de sete sacos de cimento de 50 quilos juntos, enquanto uma área de 25 metros quadrados corresponde à de um quadrado com cinco metros de cada lado, embora a obra tenha formato hexagonal.

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Toda a pasta lisa foi doada pela marca holandesa Calvé, preferida pelo artista. O trabalho manual precisava produzir uma superfície uniforme, sem desenhos, relevos ou gestos chamativos que desviassem a atenção do material escolhido.

Obra criada em 1969 questiona o que pode ocupar um museu

O artista holandês Wim T. Schippers concebeu o chamado Piso de Pasta de Amendoim em 1969. A criação integrava uma série de pisos feitos com materiais pouco comuns em galerias, entre eles cacos de vidro e sal.

Schippers construía obras absurdas e provocadoras para desafiar ideias tradicionais sobre arte. Sua presença na cultura dos Países Baixos também chegou à televisão, onde deu voz a Ênio e Caco na versão holandesa de Vila Sésamo.

Em uma exibição realizada em 1997, ele resumiu a provocação diante dos jornalistas: “Não é fantástico estarmos todos aqui olhando para pasta de amendoim?”. A frase desloca a atenção do valor do material para a reação coletiva criada dentro do museu.

A instalação de 2026 virou uma homenagem depois que Schippers morreu aos 83 anos, no mês anterior à abertura. O museu retomou uma ideia com mais de cinco décadas sem tentar transformar o alimento em escultura ou esconder sua aparência cotidiana.

Arte ou desperdício, 15 mil sanduíches viram uma pergunta para o público

Usar comida suficiente para cerca de 15 mil sanduíches torna difícil separar a experiência estética da discussão sobre desperdício. Mesmo com os 40 baldes doados pela fabricante, o volume leva o visitante a pensar por que um alimento foi colocado no chão em vez de chegar à mesa.

Ao mesmo tempo, essa reação é parte da força da arte conceitual, tipo de criação em que a ideia e a pergunta provocada podem importar mais que a beleza do objeto. A pasta de amendoim continua reconhecível, mas muda de sentido quando ocupa completamente uma galeria.

Arte ou desperdício
Imagem: Arte ou desperdício?

O desconforto não precisa levar ao deboche. A instalação coloca lado a lado um produto comum do café da manhã, o espaço valorizado de um museu e a decisão consciente de observar algo que normalmente seria comido.

Aviso de alergia e passos acidentais mostram que a obra exige distância

A aparência de piso comum já confundiu visitantes. Em 2011, várias pessoas pisaram acidentalmente na superfície pegajosa, apesar de a obra não ter sido criada para receber pessoas sobre ela.

Em 1997, outro grupo colocou 12 fatias de pão e vários pacotes de chocolate granulado sobre a instalação. Schippers reagiu com humor e declarou que os granulados haviam sido aplicados com senso de proporção e mão habilidosa.

A Associated Press, agência internacional de notícias com cobertura em vários países, registrou que a montagem atual inclui um alerta logo na entrada para visitantes alérgicos. O cuidado reconhece que o cheiro e a presença real do amendoim ultrapassam a experiência puramente visual.

Os episódios também revelam um desafio prático: qualquer passo, fatia de pão ou objeto colocado na superfície modifica o trabalho. Por isso, a aproximação do público precisa ocorrer sem contato direto.

Como preservar uma obra feita de alimento sem guardar a mesma pasta para sempre

Antes da morte de Schippers, o museu e o artista discutiram como a instalação poderia ser recriada no futuro. O resultado foi um plano com 20 pontos, que funciona como um manual para conservar a ideia e repetir a montagem.

As regras determinam o uso de pasta lisa e pedem uma aplicação tão uniforme quanto possível. Também proíbem que alguém fique em pé ou se deite sobre o material. O artista não fixou tamanho nem formato obrigatórios, o que permite adaptar o piso a diferentes espaços.

Nesse caso, preservar a obra passa por manter as instruções necessárias para sua recriação. A continuidade está na escolha do ingrediente e no modo usado para espalhar o alimento. A homenagem de 2026 usou 40 baldes doados e seguiu as regras discutidas pelo artista com o museu.

O museu holandês transformou mais de 360 quilos de pasta de amendoim em uma homenagem sensorial a Wim T. Schippers. Cheiro, volume e textura conduzem o público a uma pergunta que acompanha a obra desde 1969: um alimento cotidiano deixa de ser comida quando passa a ocupar o chão de uma galeria?

Com 25 metros quadrados, dois centímetros de espessura e o equivalente a cerca de 15 mil sanduíches, a instalação permanece entre a provocação e o incômodo. Sua preservação depende menos do material original e mais das regras deixadas por quem a criou.

Para você, cobrir o piso de um museu com pasta de amendoim é arte conceitual ou desperdício de alimento? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a pauta para ampliar esse debate.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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