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Mulher resgatada em condomínio de luxo no Ceará trabalhou desde criança, começava o dia às 4h30, ficou 55 anos sem salário e agora pode ter direito a mais de R$ 1,5 milhão

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 06/07/2026 às 23:51 Atualizado em 06/07/2026 às 23:53
Auditores-Fiscais do Trabalho caminham em direção à entrada de um condomínio de luxo em Eusébio, no Ceará, durante operação que resultou no resgate de uma doméstica após 55 anos de trabalho sem salário.
Auditores-Fiscais do Trabalho chegam ao condomínio onde foi realizada a operação que resgatou uma doméstica de 62 anos, que trabalhou por 55 anos sem remuneração regular para a mesma família.
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Doméstica de 62 anos foi resgatada em Eusébio, na Grande Fortaleza, após denúncia anônima e investigação da Auditoria-Fiscal do Trabalho.

Uma doméstica de 62 anos foi resgatada em condições análogas à escravidão em um condomínio de luxo em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a mulher trabalhou por 55 anos sem salário mensal regular para a mesma família.

O caso ocorreu em junho deste ano, no condomínio Terras Alphaville – Residencial 2, no bairro Cidade Alpha.

De acordo com a fiscalização, os créditos trabalhistas ultrapassam R$ 1,5 milhão, considerando salários, férias, 13º, FGTS, verbas rescisórias e horas extras.

Investigação começou após denúncia anônima

A apuração teve início depois de uma denúncia anônima.

Em seguida, auditores identificaram uma relação marcada por dependência econômica, ausência de remuneração e privação de oportunidades educacionais.

A trabalhadora chegou à residência da família em 1971, quando tinha apenas 7 anos.

Desde então, passou por três gerações da mesma família, sempre realizando tarefas domésticas e cuidados com crianças.

Segundo relato registrado pela fiscalização, a empregadora afirmou que a mulher teria sido “dada pela mãe”.

Rotina começava às 4h30 da manhã

A rotina diária começava por volta das 4h30 da manhã.

Primeiro, a doméstica preparava o café da família.

Depois, organizava a saída das crianças para a escola.

Ao longo do dia, fazia limpeza, preparava refeições, organizava a casa e acompanhava menores.

No momento do resgate, ela estava na casa da bisneta da primeira empregadora.

Além disso, cuidava de duas crianças, de 11 e 7 anos, e mantinha as atividades essenciais da residência.

Mesmo hipertensa e com episódios recorrentes de mal-estar em situações de estresse, continuava trabalhando normalmente.

Trajetória atravessou décadas sem autonomia financeira

Conforme a Secretaria de Inspeção do Trabalho, a mulher passou toda a vida laboral sem remuneração regular.

Além disso, não teve autonomia financeira, oportunidades educacionais ou patrimônio próprio.

Enquanto os filhos da empregadora frequentavam a escola, ela e a irmã não tiveram o mesmo acesso à educação formal.

A irmã, segundo a família, saiu do local ainda na adolescência.

A trabalhadora permaneceu com o grupo familiar mesmo após a morte da mãe.

Mudanças de casa mantiveram exploração

Em 1982, a doméstica foi morar com a filha da antiga patroa, quando ela formou uma nova família.

A partir daí, ficou responsável pela casa e pela criação dos três filhos do casal.

Mais de 30 anos depois, em 2014, foi novamente transferida para outra residência do mesmo núcleo familiar.

Na nova casa, passou a cuidar da geração seguinte, acumulando tarefas domésticas e cuidados diários com crianças.

Bolsa Família era sacado pela empregadora

A vítima estava inscrita no Cadastro Único e recebia R$ 600 mensais do Bolsa Família.

No entanto, a fiscalização constatou que a empregadora fazia os saques.

Depois, segundo a apuração, os valores eram entregues à trabalhadora.

A Auditoria-Fiscal do Trabalho também identificou possível fraude contra o Estado.

A doméstica foi registrada como pessoa sozinha e desempregada.

Por isso, um relatório será enviado às autoridades competentes.

TAC prevê imóvel e pagamentos à trabalhadora

O Ministério Público do Trabalho firmou um Termo de Ajuste de Conduta com os empregadores.

Pelo acordo, eles assumiram obrigações de proteção social à trabalhadora.

Entre as medidas estão:

  • regularização dos recolhimentos previdenciários;
  • pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias;
  • compra de imóvel residencial de, no mínimo, R$ 150 mil;
  • aquisição de móveis e eletrodomésticos essenciais;
  • custeio previdenciário até a aposentadoria.

Além disso, o acordo prevê complementação de até R$ 12 mil caso ela complete 64 anos sem acesso ao benefício previdenciário.

Por fim, o próprio TAC informa que o acordo não quita todos os direitos.

Portanto, ainda pode haver cobrança judicial de créditos trabalhistas e indenizações.

Fontes nominais: Auditoria-Fiscal do Trabalho, Secretaria de Inspeção do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e g1.

O que você acha que deve ser prioridade nesses casos: garantir uma reparação imediata à vítima ou ampliar a fiscalização para encontrar situações semelhantes? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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