Usinas ligadas ao PCC processam 2,5% da cana do Centro-Sul, aponta MP-SP; investigações podem impactar produção de etanol e açúcar.
As usinas de etanol e açúcar supostamente ligadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital) foram citadas em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta semana.
Segundo estimativa do banco BTG Pactual, essas unidades processam juntas cerca de 16 milhões de toneladas de cana de açúcar por safra, o que representa aproximadamente 2,5% da produção do Centro-Sul do país.
A investigação levanta questionamentos sobre os efeitos dessa operação no abastecimento de etanol e açúcar, além de expor a influência do crime organizado no setor.
-
Plantas que mudaram a história da humanidade e moldaram o curso do progresso social, econômico e cultural ao longo dos séculos
-
O DONO do Brasil: fazendeiro detentor do império agrícola de 1,3 milhão de hectares enfrenta dívida recorde, prejuízos e risco de perder parte do império
-
Setor bilionário: avicultura do Brasil quebra barreiras e conquista novos mercados — US$ 5,4 bilhões em 2025
-
Do coração do Brasil para o exterior: Tocantins bate recorde na produção de melancia, movimenta milhares de toneladas por ano e já conquista espaço em novos mercados da África
Megaoperação do MP-SP e elo com o PCC
De acordo com a acusação, o empresário Mohamad Hussein Mourad, ligado ao PCC, teria adquirido as usinas Itajobi e Carolo por meio de fundos de investimento.
Há ainda suspeitas de que a Usina Rio Pardo também tenha sido comprada pelo mesmo esquema.
O MP-SP afirma que as usinas Furlan e Comanche adotaram práticas irregulares, como sobrepreço na compra de cana de açúcar e repasses financeiros para empresas ligadas à facção.
Outra unidade mencionada é a Goiás Bioenergia, apontada como parte do grupo de usinas investigadas.
Na última quinta-feira (28/08/2025), o MP-SP confirmou que estava realizando a “tomada de usinas” durante a megaoperação, mas não detalhou quais unidades foram efetivamente alvo da ação.
Impactos no mercado de açúcar e etanol
Especialistas avaliam que o desdobramento do caso pode gerar mudanças na dinâmica do setor. Em relatório, os analistas do BTG, Thiago Duarte e Guilherme Gutilla, destacaram que o impacto na oferta de etanol e açúcar vai depender da capacidade das usinas investigadas de manter suas operações diante das acusações.
Eles ressaltaram que parte da cana de açúcar que seria processada nessas unidades pode ser redirecionada para outras usinas fora do esquema ligado ao PCC, reduzindo potenciais prejuízos à produção nacional.
Reação do mercado financeiro
O reflexo imediato da operação foi visto na Bolsa de Valores. Na quinta-feira (28/08/2025), as ações de empresas do setor sucroalcooleiro registraram ganhos expressivos na B3, impulsionadas pela expectativa de maior competitividade para unidades não envolvidas no escândalo.
Já na sexta-feira (29/08/2025), os papéis mantiveram a trajetória de alta, reforçando o otimismo dos investidores.
Receita Federal aponta risco de novas descobertas
Durante coletiva realizada na quinta-feira, Márcia Meng, superintendente da 8ª região fiscal da Receita Federal, afirmou que outras usinas ainda podem ser alvo das investigações.
Embora não tenha detalhado quais unidades estão sob suspeita, ela reforçou que o esquema pode ser mais amplo do que o revelado até o momento.
O que esperar para o setor sucroalcooleiro
A ligação entre usinas e o PCC expõe fragilidades na fiscalização e abre espaço para mudanças regulatórias.
Enquanto isso, produtores, investidores e consumidores aguardam os próximos passos da investigação para entender se haverá impacto significativo no preço do etanol e do açúcar.
Por outro lado, especialistas afirmam que o mercado tem condições de absorver eventuais perdas, já que a participação dessas usinas representa uma fatia relativamente pequena do setor, mesmo que estratégica.