O trecho entre Chapecó e Irani tem 98 quilômetros e 35% do tráfego é de carga pesada. Dos cerca de 680 quilômetros da BR-282 em Santa Catarina, só 18 estão duplicados hoje. Em 2025, 472 pessoas ficaram feridas em acidentes na rodovia no Oeste, 32% a mais que em 2018
Motoristas que usam diariamente a BR-282 no Oeste de Santa Catarina enfrentam filas atrás de caminhões, ultrapassagens em pista simples e viagens cada vez mais longas entre Chapecó e Irani. “Hoje é inviável não ter a duplicação na nossa região”, resume o motorista Juliano Machado, que conhece de perto os problemas do trecho.
As informações foram publicadas pelo portal ND Mais em 12 de setembro de 2026, em reportagem assinada por Marci Páz, de Chapecó, com colaboração de Luan Turcati, Alexandre Madoglio, Selio Gasparetto e Amauri Sales, e com dados apresentados na reportagem da NDTV Record.
Trecho entre Chapecó e Irani tem 98 km e 16 mil veículos por dia

O trecho da BR-282 entre Chapecó e Irani soma 98 quilômetros e recebe aproximadamente 16 mil veículos por dia.
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Desse total, 35% são veículos de carga pesada, o que ajuda a explicar a lentidão em uma rodovia de pista simples.
Caminhões lentos formam fila até o trevo do Irani
Com pista simples e fluxo intenso, os caminhões mais lentos acabam formando longas filas, enquanto os demais motoristas esperam por oportunidades seguras de ultrapassagem.
Juliano Machado descreve a cena: “Quando tem um caminhão com um pouco mais de peso, ele é mais lento e sai uma fila indiana daqui até o trevo do Irani.”
Motorista diz que faltam condições seguras para ultrapassar
Para o motorista, o problema é a combinação entre volume de tráfego e largura da pista. Segundo ele, o escoamento da produção do Oeste aumenta o fluxo, e as pistas estreitas dificultam a circulação e deixam as ultrapassagens mais perigosas.
Machado afirma ainda que a convivência com acidentes virou rotina: “Vemos acidentes todos os dias, familiares e amigos que se vão, além de ultrapassagens forçadas.”
Viagem que levava até 1h20 passou a levar cerca de 2h30
Segundo o setor de transportes, um deslocamento entre Chapecó e o trevo do Irani que antes podia ser feito em aproximadamente uma hora ou uma hora e 20 minutos passou, em determinados momentos, a levar cerca de duas horas e meia.
Custos com combustível, pneus e manutenção sobem, diz Sitran
Ivalberto Tozzo, presidente do Sitran (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística), afirma que a lentidão pesa nos custos das empresas.
Na avaliação dele, uma faixa extra não resolve: “Não é simplesmente inserir uma terceira faixa. Precisa de mais duplicação para que o trânsito flua e que nós possamos diminuir nossos custos de combustíveis, pneus e manutenção.” Segundo Tozzo, o efeito não fica só nas transportadoras, porque isso vai parar no bolso do consumidor ao elevar os itens de consumo.
472 pessoas ficaram feridas na BR-282 no Oeste em 2025
Dados apresentados na reportagem da NDTV Record apontam que 472 pessoas ficaram feridas em acidentes na BR-282, na região Oeste, em 2025.
O número representa um aumento de 32% em relação a 2018.
Mais de 5 mil feridos nas rodovias do Oeste em uma década
Considerando as demais rodovias do Oeste catarinense, foram mais de 5 mil pessoas feridas e 400 vítimas em acidentes ao longo de uma década.
Para Ivalberto Tozzo, a configuração atual das estradas é parte do problema: “Tudo isso é reflexo das rodovias mal cuidadas, com faixas simples, que não têm espaço para ultrapassagem, não têm espaço para fluir o trânsito.”
BR-282 liga Dionísio Cerqueira à Grande Florianópolis
A BR-282 é a maior rodovia de Santa Catarina e conecta Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste, na fronteira com a Argentina, à Grande Florianópolis.
Pavimentação no Oeste começou na década de 1950
Os primeiros quilômetros de pavimentação da rodovia no Oeste foram executados ainda na década de 1950.
Mais de sete décadas depois, a estrutura segue como um dos principais caminhos para o transporte de pessoas e para o escoamento da produção regional, sem que o crescimento do fluxo tenha sido acompanhado pela duplicação.
Só 18 dos cerca de 680 km da rodovia em SC são duplicados
Dos cerca de 680 quilômetros da BR-282 em Santa Catarina, apenas 18 quilômetros são duplicados, conforme os dados apresentados pelas entidades.
São cinco quilômetros na Grande Florianópolis, cinco em Lages e oito na região de Xanxerê.
Facisc leva a duplicação a candidatos e cobra trecho maior
A duplicação da BR-282 está entre as principais demandas apresentadas pela Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina) aos candidatos aos cargos de deputado estadual e federal.
Para o vice-presidente da entidade, Vilson Otto, a cobrança é antiga: “A reivindicação da duplicação da BR-282 é uma demanda que já faz mais de 30 anos que nós ouvimos dos nossos empresários de todo o setor produtivo.”
Entidade quer ligação até a BR-470, entre Campos Novos e Chapecó
A Facisc defende que a obra não fique restrita ao trecho entre Chapecó e Xanxerê. Otto afirma: “Não adianta fazermos apenas um trecho, como foi proposto pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Chapecó a Xanxerê. Nós precisamos, realmente, que ela ocorra em sua totalidade e que, pelo menos, ligue até a BR-470, no intervalo de Campos Novos a Chapecó.”
Segundo ele, a região produtiva do Oeste é hoje a quarta maior do Estado e tem todo o escoamento feito pela BR-282, sem alternativa ferroviária disponível.
DNIT contratou projetos em 13 lotes, de São Miguel do Oeste a Palhoça
O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) informou que os projetos para a duplicação da BR-282 entre São Miguel do Oeste e Palhoça foram contratados em 13 lotes.
A previsão inicial era de que o projeto de duplicação do trecho entre Chapecó e Irani fosse entregue em setembro deste ano.
Projeto do trecho Chapecó-Irani está em produção e sem prazo definido
Questionado sobre o andamento, o DNIT informou que o projeto está em fase de produção e que não há prazo definido para a conclusão.
Enquanto isso, a expectativa das entidades empresariais é que a duplicação entre na agenda dos próximos governos e parlamentares. Para Vilson Otto, a discussão vai além da logística: “Nós estamos falando não apenas do escoamento da nossa produção e do ressuprimento dos insumos que precisamos para produzir, mas também estamos falando em vidas.” Ele resume a cobrança dizendo que a BR-282 não pode mais esperar.
Na sua opinião, a duplicação da BR-282 deveria começar pelo trecho entre Chapecó e Xanxerê, como propôs a ANTT, ou o governo precisa encarar de uma vez a ligação até a BR-470, entre Campos Novos e Chapecó? Deixe sua opinião nos comentários.
