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27 capitais têm a cesta básica mais cara em setembro: São Paulo chega a R$ 922,51 e a virada apaga o alívio de agosto

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 15/10/2026 às 00:01
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Carregadores de camisa verde empilham caixas de tomate na carroceria de um caminhão ao lado de sacos de cebola na Ceasa.
Foto: Gisele Porcaro / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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Depois de o preço cair em 25 capitais em agosto, setembro trouxe uma inversão no custo da alimentação básica. Florianópolis teve aumento de 7,6%, enquanto São Paulo liderou os valores absolutos.

A cesta básica ficou mais cara nas 27 capitais brasileiras pesquisadas em setembro de 2026, uma mudança brusca em relação ao mês anterior, quando o preço havia recuado em 25 delas. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Dieese e da Conab, divulgada em 9 de outubro, coloca São Paulo em R$ 922,51, o maior custo entre as capitais, enquanto Florianópolis registra a maior alta mensal, 7,6%. Os números ajudam a dimensionar quanto custa manter o abastecimento básico de uma casa.

O detalhe mais incômodo está na comparação entre dois meses. Agosto havia sido de alívio para a maioria das cidades. Setembro inverteu o sinal em todas elas. O resultado não significa que cada produto aumentou em cada localidade, mas que o valor do conjunto de itens pesquisados cresceu em cada capital.

Como a cesta básica ficou mais cara nas 27 capitais depois da queda registrada em agosto?

A Conab havia registrado queda em 25 das 27 capitais em agosto. Naquele mês, reduções em produtos de consumo diário ajudaram a aliviar a despesa. Na leitura de setembro, a nova pesquisa das 27 capitais revelou uma situação distinta: o custo da seleção de alimentos voltou a avançar de maneira generalizada.

Quanto custou a cesta básica nas capitais mais caras do Brasil em setembro de 2026?

Os resultados detalhados do Dieese para setembro mostram a distância entre as capitais. São Paulo ficou à frente em valor absoluto, mas Florianópolis e Rio de Janeiro também ultrapassaram R$ 900.

Feirantes de avental atendem fregueses numa barraca coberta com laranjas, maçãs, abacaxis e bananas.
Barraca de frutas numa feira livre de sábado no interior paulista, onde o consumidor sente primeiro a variação de preço. Foto: Isack Ryuji Minowa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
CapitalCusto da cesta em setembroVariação em relação a agosto
São PauloR$ 922,51+2,43%
FlorianópolisR$ 915,62+7,6%
Rio de JaneiroR$ 913,46+7,32%
CuiabáR$ 891,24+4,7%
Porto AlegreR$ 889,15+5,9%
São Paulo registra a maior conta, enquanto Florianópolis apresenta o salto mais acentuado entre os destaques da tabela. A diferença importa porque um índice mensal elevado indica a velocidade do encarecimento; o valor em reais indica o desembolso necessário para adquirir a cesta naquela capital.

São Paulo registra a maior conta, enquanto Florianópolis apresenta o salto mais acentuado entre os destaques da tabela. A diferença importa porque um índice mensal elevado indica a velocidade do encarecimento; o valor em reais indica o desembolso necessário para adquirir a cesta naquela capital.

Por que o Rio de Janeiro teve batata 46,03% mais cara e tomate com alta de 59,45%?

O detalhamento do Dieese para o Rio de Janeiro mostra que os preços podem mudar violentamente dentro do mesmo conjunto de alimentos. Em setembro, o tomate subiu 59,45% na capital fluminense, e a batata avançou 46,03%. A carne bovina de primeira cresceu 2,43%, enquanto o óleo de soja aumentou 2,23%.

Tomates vermelhos e verdes, repolhos e quiabos amontoados sobre lona azul.
Tomate, repolho e quiabo à venda na feira livre de Jacobina, na Bahia; o tomate liderou a alta da cesta no Rio em setembro. Foto: RQL Santos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O movimento não foi uniforme: banana, farinha de trigo, café em pó e leite integral ficaram mais baratos no Rio durante o mês. Isso não impediu que o custo total da cesta chegasse a R$ 913,46, uma alta de 7,32% em relação a agosto.

Para o agronegócio, a leitura interessa porque a variação na ponta do varejo afeta decisões de compra, reposição e negociação ao longo da cadeia de abastecimento. Contudo, uma alta na prateleira não equivale automaticamente ao mesmo aumento na receita recebida pelo produtor rural. Entre campo e consumidor há custos de transporte, beneficiamento, perdas e margens comerciais.

Por que Florianópolis teve a maior alta mesmo sem liderar o preço absoluto da cesta?

A comparação oferece um exemplo preciso da diferença entre preço e velocidade de aumento. A cesta de Florianópolis chegou a R$ 915,62, abaixo dos R$ 922,51 de São Paulo. Entretanto, o avanço mensal em Florianópolis foi de 7,6%, ante 2,43% na capital paulista, segundo a pesquisa nacional do Dieese.

Não há contradição. Uma cidade pode começar o mês com uma cesta relativamente menos cara e sofrer aumento mais intenso no período seguinte. Outra pode permanecer como a mais cara do país, mesmo registrando um acréscimo percentual menor.

O que a volta da alta da cesta básica significa para o dinheiro do consumidor e para a cadeia de alimentos?

Uma cesta a R$ 922,51 exige um desembolso expressivo antes mesmo de entrar na conta aluguel, transporte, água, energia e outras despesas. Em setembro, a cesta de São Paulo permaneceu a mais cara entre as 27 capitais, ao mesmo tempo em que o aumento mensal se espalhou por todas as regiões pesquisadas.

O levantamento de setembro da Conab é uma fotografia dos preços daquele mês, não uma previsão para outubro. Por isso, ele não autoriza afirmar que um produto vai faltar ou que haverá novo salto no supermercado. O dado concreto é a virada: a queda generalizada de agosto deu lugar à alta em todas as capitais em setembro.

A próxima medição mensal mostrará se o encarecimento continuou ou se voltou a perder força. Para o setor agroalimentar, o resultado já reforça a importância de acompanhar o preço final dos produtos, além de volumes de produção e comércio exterior. Para quem compra comida, a consequência aparece na comparação de uma cesta inteira com a do mês anterior, não apenas na etiqueta de um único alimento.

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Bruno Teles

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