A mina de Mponeng, na África do Sul, retira 5.400 toneladas de rocha por dia a até 3.840 metros abaixo da superfície e prepara expansão para 4.220 metros, onde a temperatura natural da pedra chega a 66°C — uma das operações mais extremas que a indústria global de mineração já tentou.
A mina de ouro Mponeng está localizada na bacia de Witwatersrand, no oeste da província de Gauteng, África do Sul.
De acordo com a Harmony Gold, atual operadora, a mina é a mais profunda do planeta em produção.
Conforme dados oficiais, a frente de extração atual opera entre 3.160 e 3.840 metros abaixo da superfície.
-
Enquanto cientistas testam bolas gigantes no fundo do mar, startup quer afundar tanques de concreto e aço presos por gaiolas cheias de pedras a até 700 metros de profundidade para transformar ar comprimido em bateria submarina invisível
-
Ex-engenheiro da NASA transforma drones em “helicópteros de sementes” capazes de disparar 300 bolas por minuto, mirar áreas degradadas com precisão de meio metro e plantar até 40 milhões de árvores por ano em uma nova corrida de reflorestamento aéreo
-
Brasil coloca drones para despejar sementes em encostas quase inacessíveis e tenta transformar morros degradados em floresta com plantio aéreo até 100 vezes mais rápido, em ofensiva verde lançada no Rio de Janeiro
-
A África está se rachando mais rápido do que a ciência previa, a crosta no centro da fenda tem só 13 quilômetros de espessura em alguns trechos, e pesquisadores dizem que o continente atingiu o limite crítico de rompimento que pode formar um novo oceano
Em comparação, o Monte Everest tem 8.849 metros de altura — Mponeng é praticamente metade dessa profundidade abaixo do solo.
Por isso, equipamentos precisam descer e subir em elevadores especializados que percorrem 7,5 quilômetros entre superfície e ponto de trabalho.
Posteriormente, a Harmony anunciou plano de aprofundamento adicional de 380 metros para atingir 4.220 metros.
A rocha bate 66°C de temperatura natural e exige resfriamento por gelo em pasta
No fundo da mina, a temperatura da rocha alcança 66°C por causa do gradiente geotérmico.
De acordo com os engenheiros da Harmony, isso seria inviável para trabalho humano sem refrigeração.
Conforme o sistema instalado, mais de 6 mil toneladas diárias de gelo em pasta são bombeadas para baixo.
Em primeiro lugar, o gelo derrete e absorve calor das paredes dos túneis.
Em segundo lugar, isso mantém o ambiente em temperatura tolerável próxima a 30°C.
Por outro lado, a umidade relativa supera 90% e exige equipamentos com proteção IP67.

A mina de ouro Mponeng guarda reserva confirmada de 1.300 toneladas de ouro
De acordo com a Harmony Gold, a reserva confirmada é de 46 milhões de onças, equivalente a 1.300 toneladas de ouro.
Em comparação, a segunda mina mais profunda do mundo, Driefontein, tem reserva oito vezes menor.
Conforme os dados de mercado, ao preço do ouro de US$ 3.250 por onça (maio/2026), a reserva vale US$ 149,5 bilhões.
Em outras palavras, a mina contém o equivalente ao PIB anual do Uruguai em ouro confirmado.
De fato, a Harmony pagou apenas US$ 200 milhões em 2020 para comprar a mina da AngloGold Ashanti.
Como reportou a Bloomberg, o negócio se tornou um dos maiores acertos do setor de mineração na última década.
Os riscos de engenharia em mina extrema e o aumento do “rockburst”
A 3,8 quilômetros de profundidade, a pressão litostática chega a 100 megapascais.
Em primeiro lugar, isso causa explosões espontâneas de rocha chamadas “rockburst”.
De acordo com a empresa, Mponeng registrou 17 acidentes fatais entre 2020 e 2024 por causa desse fenômeno.
Conforme o Conselho Sul-Africano de Engenheiros de Mina, a estatística é considerada aceitável dentro do padrão da indústria.
Em comparação, minas em Witwatersrand acumulam 35 mil mortes desde o início do século 20.
Por outro lado, a Harmony investiu US$ 80 milhões em sistemas de monitoramento sísmico em tempo real.
- Profundidade atual: 3.160 a 3.840 metros
- Profundidade futura: 4.220 metros
- Temperatura natural: 66°C na rocha do fundo
- Resfriamento: 6 mil toneladas/dia de gelo em pasta
- Produção: 5.400 toneladas/dia de rocha
- Reserva confirmada: 1.300 toneladas de ouro (46 milhões oz)

O preço do ouro acima de US$ 3.000/oz em 2026 incentiva a expansão da mina Mponeng
O preço do ouro fechou maio de 2026 em US$ 3.250 por onça, recorde histórico.
De acordo com o World Gold Council, a demanda dos bancos centrais cresceu 28% entre 2023 e 2025.
Conforme analistas do Goldman Sachs, o ouro deve atingir US$ 3.500 até o fim de 2026.
Por isso, a Harmony Gold acelerou o cronograma da expansão para 4.220 metros.
Posteriormente, a empresa projeta dobrar a produção de ouro até 2030.
Da mesma forma, outras minas profundas do mundo retomam projetos arquivados durante o período de preços baixos.
No Brasil, a mina mais profunda fica em Vale-Ribeira, a 1,2 km
De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral, a mina mais profunda do Brasil está em Vale-Ribeira, em São Paulo.
Em comparação direta, Vale-Ribeira chega a apenas 1.200 metros — três vezes mais raso que Mponeng.
Conforme a Agência Nacional de Mineração, o Brasil produz 60 toneladas de ouro/ano contra 130 toneladas da África do Sul.
Em outras palavras, a África do Sul produz mais do dobro do que o Brasil, com menos minas em operação.
Por outro lado, o Brasil tem reservas de ouro estimadas em 2.400 toneladas, ainda subexploradas.
Como reportou a CBMM, o nióbio brasileiro vale mais por tonelada que o ouro em mercados específicos.

O acervo do CPG cobre mineração extrema e a relação com o setor de energia
O CPG publicou recentemente sobre mineração de ouro no Brasil, no acervo do site.
Posteriormente, o site publicou também análise sobre o ouro como reserva dos bancos centrais, com dados do World Gold Council.
Em outras palavras, Mponeng é capítulo central da economia do ouro global.
Por outro lado, especialistas argumentam que minas extremamente profundas têm pegada de carbono elevada por causa do consumo elétrico.
Próximos passos: 380 metros adicionais até 2030 e tecnologia de robotização
Em primeiro lugar, a Harmony Gold investe US$ 410 milhões na ampliação para 4.220 metros.
Em seguida, a empresa testa veículos autônomos elétricos para reduzir consumo de oxigênio nos túneis.
Por fim, a meta é entrega da nova frente entre 2028 e 2030.
Porém, há quem alerte para risco de “rockburst” mais frequente em profundidades extremas.
No entanto, executivos do setor argumentam que o preço do ouro justifica o investimento. Ainda assim, a mineração a 4 km abaixo do solo expõe a indústria de Witwatersrand a um limite físico jamais ultrapassado.

-
-
-
-
7 pessoas reagiram a isso.