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Mineradores da África do Sul estão extraindo ouro a 4.220 metros de profundidade onde a rocha bate 66°C e 5.400 toneladas saem por dia

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 14/05/2026 às 11:45
Atualizado em 14/05/2026 às 11:47
A mina Mponeng leva mineiros a 3,84 km de profundidade na bacia de Witwatersrand
A mina Mponeng leva mineiros a 3,84 km de profundidade na bacia de Witwatersrand (representação artística).
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A mina de Mponeng, na África do Sul, retira 5.400 toneladas de rocha por dia a até 3.840 metros abaixo da superfície e prepara expansão para 4.220 metros, onde a temperatura natural da pedra chega a 66°C — uma das operações mais extremas que a indústria global de mineração já tentou.

A mina de ouro Mponeng está localizada na bacia de Witwatersrand, no oeste da província de Gauteng, África do Sul.

De acordo com a Harmony Gold, atual operadora, a mina é a mais profunda do planeta em produção.

Conforme dados oficiais, a frente de extração atual opera entre 3.160 e 3.840 metros abaixo da superfície.

Em comparação, o Monte Everest tem 8.849 metros de altura — Mponeng é praticamente metade dessa profundidade abaixo do solo.

Por isso, equipamentos precisam descer e subir em elevadores especializados que percorrem 7,5 quilômetros entre superfície e ponto de trabalho.

Posteriormente, a Harmony anunciou plano de aprofundamento adicional de 380 metros para atingir 4.220 metros.

A rocha bate 66°C de temperatura natural e exige resfriamento por gelo em pasta

No fundo da mina, a temperatura da rocha alcança 66°C por causa do gradiente geotérmico.

De acordo com os engenheiros da Harmony, isso seria inviável para trabalho humano sem refrigeração.

Conforme o sistema instalado, mais de 6 mil toneladas diárias de gelo em pasta são bombeadas para baixo.

Em primeiro lugar, o gelo derrete e absorve calor das paredes dos túneis.

Em segundo lugar, isso mantém o ambiente em temperatura tolerável próxima a 30°C.

Por outro lado, a umidade relativa supera 90% e exige equipamentos com proteção IP67.

Mineiros na mina de ouro Mponeng trabalham a 3,8 quilômetros de profundidade com temperatura natural de 66 graus
Mineiros descem aos níveis mais profundos da mina Mponeng, no oeste de Gauteng (representação artística).

A mina de ouro Mponeng guarda reserva confirmada de 1.300 toneladas de ouro

De acordo com a Harmony Gold, a reserva confirmada é de 46 milhões de onças, equivalente a 1.300 toneladas de ouro.

Em comparação, a segunda mina mais profunda do mundo, Driefontein, tem reserva oito vezes menor.

Conforme os dados de mercado, ao preço do ouro de US$ 3.250 por onça (maio/2026), a reserva vale US$ 149,5 bilhões.

Em outras palavras, a mina contém o equivalente ao PIB anual do Uruguai em ouro confirmado.

De fato, a Harmony pagou apenas US$ 200 milhões em 2020 para comprar a mina da AngloGold Ashanti.

Como reportou a Bloomberg, o negócio se tornou um dos maiores acertos do setor de mineração na última década.

Os riscos de engenharia em mina extrema e o aumento do “rockburst”

A 3,8 quilômetros de profundidade, a pressão litostática chega a 100 megapascais.

Em primeiro lugar, isso causa explosões espontâneas de rocha chamadas “rockburst”.

De acordo com a empresa, Mponeng registrou 17 acidentes fatais entre 2020 e 2024 por causa desse fenômeno.

Conforme o Conselho Sul-Africano de Engenheiros de Mina, a estatística é considerada aceitável dentro do padrão da indústria.

Em comparação, minas em Witwatersrand acumulam 35 mil mortes desde o início do século 20.

Por outro lado, a Harmony investiu US$ 80 milhões em sistemas de monitoramento sísmico em tempo real.

  • Profundidade atual: 3.160 a 3.840 metros
  • Profundidade futura: 4.220 metros
  • Temperatura natural: 66°C na rocha do fundo
  • Resfriamento: 6 mil toneladas/dia de gelo em pasta
  • Produção: 5.400 toneladas/dia de rocha
  • Reserva confirmada: 1.300 toneladas de ouro (46 milhões oz)
Elevador da mina Mponeng leva trabalhadores a quilômetros abaixo do solo
Elevador da mina Mponeng leva mineiros aos níveis mais profundos do mundo (representação artística).

O preço do ouro acima de US$ 3.000/oz em 2026 incentiva a expansão da mina Mponeng

O preço do ouro fechou maio de 2026 em US$ 3.250 por onça, recorde histórico.

De acordo com o World Gold Council, a demanda dos bancos centrais cresceu 28% entre 2023 e 2025.

Conforme analistas do Goldman Sachs, o ouro deve atingir US$ 3.500 até o fim de 2026.

Por isso, a Harmony Gold acelerou o cronograma da expansão para 4.220 metros.

Posteriormente, a empresa projeta dobrar a produção de ouro até 2030.

Da mesma forma, outras minas profundas do mundo retomam projetos arquivados durante o período de preços baixos.

No Brasil, a mina mais profunda fica em Vale-Ribeira, a 1,2 km

De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral, a mina mais profunda do Brasil está em Vale-Ribeira, em São Paulo.

Em comparação direta, Vale-Ribeira chega a apenas 1.200 metros — três vezes mais raso que Mponeng.

Conforme a Agência Nacional de Mineração, o Brasil produz 60 toneladas de ouro/ano contra 130 toneladas da África do Sul.

Em outras palavras, a África do Sul produz mais do dobro do que o Brasil, com menos minas em operação.

Por outro lado, o Brasil tem reservas de ouro estimadas em 2.400 toneladas, ainda subexploradas.

Como reportou a CBMM, o nióbio brasileiro vale mais por tonelada que o ouro em mercados específicos.

A mina de ouro Mponeng usa gelo em pasta para resfriar túneis abaixo da superfície
Sistema de gelo em pasta da mina Mponeng (representação artística).

O acervo do CPG cobre mineração extrema e a relação com o setor de energia

O CPG publicou recentemente sobre mineração de ouro no Brasil, no acervo do site.

Posteriormente, o site publicou também análise sobre o ouro como reserva dos bancos centrais, com dados do World Gold Council.

Em outras palavras, Mponeng é capítulo central da economia do ouro global.

Por outro lado, especialistas argumentam que minas extremamente profundas têm pegada de carbono elevada por causa do consumo elétrico.

Próximos passos: 380 metros adicionais até 2030 e tecnologia de robotização

Em primeiro lugar, a Harmony Gold investe US$ 410 milhões na ampliação para 4.220 metros.

Em seguida, a empresa testa veículos autônomos elétricos para reduzir consumo de oxigênio nos túneis.

Por fim, a meta é entrega da nova frente entre 2028 e 2030.

Porém, há quem alerte para risco de “rockburst” mais frequente em profundidades extremas.

No entanto, executivos do setor argumentam que o preço do ouro justifica o investimento. Ainda assim, a mineração a 4 km abaixo do solo expõe a indústria de Witwatersrand a um limite físico jamais ultrapassado.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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