As estátuas de bronze estavam entre os achados retirados de um naufrágio descoberto por mergulhadores recreativos perto de Cesareia, em Israel. A carga incluía milhares de moedas, figuras de deuses e animais e fragmentos em tamanho real, preservados após aproximadamente 1.600 anos sob a água do Mediterrâneo, segundo autoridades israelenses.
Dois mergulhadores recreativos encontraram estátuas de bronze, moedas e vestígios de um navio mercante romano no fundo do mar próximo ao antigo porto de Cesareia, na costa de Israel. A descoberta ocorreu em abril de 2016, quando Ran Feinstein e Ofer Ra’anan perceberam que o deslocamento da areia havia exposto partes da embarcação e de sua carga.
Segundo reportagem do The Times of Israel publicada em 16 de maio de 2016, baseada em informações da Autoridade de Antiguidades de Israel, a descoberta desencadeou uma operação arqueológica de salvamento. A autoridade classificou o conjunto como a mais extensa descoberta subaquática registrada no país em três décadas.
Areia revelou um naufrágio que permanecia escondido

Feinstein e Ra’anan estavam mergulhando na área do antigo porto de Cesareia quando perceberam elementos incomuns no fundo marinho. A movimentação natural da areia havia deixado visíveis restos da embarcação e objetos transportados por ela, levando a dupla a comunicar imediatamente a descoberta às autoridades.
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Arqueólogos enviados ao local identificaram âncoras de ferro, partes de antigas âncoras de madeira e componentes associados à construção e à operação do navio. O que inicialmente parecia um encontro casual passou rapidamente a ser tratado como um sítio arqueológico de grande relevância.
Navio teria afundado durante o final do período romano
Especialistas da Unidade de Arqueologia Marinha da Autoridade de Antiguidades de Israel situaram a embarcação entre o final do período romano e os séculos III e IV d.C., o que coloca o naufrágio aproximadamente 1.600 anos no passado.
A interpretação ajuda a explicar também as moedas encontradas na carga. Algumas traziam representações relacionadas aos imperadores Constantino e Licínio, personagens centrais das disputas políticas do Império Romano no início do século IV.
Estátuas de bronze surpreenderam os arqueólogos
Entre os objetos recuperados estavam fragmentos de três estátuas de bronze em tamanho real, além de pequenas figuras e peças decorativas. Para os arqueólogos, a quantidade desse tipo de material tornou a descoberta especialmente incomum.
Objetos de bronze antigos são relativamente raros porque o metal podia ser reutilizado e fundido novamente. A hipótese apresentada pelos especialistas é justamente que parte da carga estava sendo transportada como metal destinado à reciclagem, antes de o navio desaparecer no mar.
Deuses Sol e Luna apareceram entre os artefatos

Entre as peças descritas pela autoridade israelense estava uma luminária de bronze com representação de Sol, o deus solar, além de uma pequena figura associada a Luna, divindade romana ligada à Lua.
Também foi encontrada uma luminária decorada com uma cabeça humana. O conjunto amplia a importância das estátuas de bronze e objetos figurativos, porque permite observar elementos artísticos e religiosos presentes no período romano tardio.
Animais também aparecem representados no bronze
A carga não se limitava a figuras humanas e divindades. Arqueólogos recuperaram objetos moldados na forma de animais, incluindo uma pequena representação de baleia.
Outro artefato chamativo era uma peça hidráulica de bronze decorada como um javali com um cisne sobre a cabeça. Esses detalhes mostram que o navio transportava componentes ornamentais variados, e não somente matéria-prima metálica sem acabamento.
Milhares de moedas permaneceram agrupadas no fundo do mar
Outro ponto de destaque foi a descoberta de milhares de moedas antigas. Elas estavam consolidadas em dois grandes blocos que, juntos, pesavam aproximadamente 20 quilos.
O recipiente de cerâmica no qual as moedas provavelmente eram transportadas desapareceu com o tempo, mas o conjunto metálico conservou parte de seu formato. A disposição das moedas permitiu aos arqueólogos perceber como elas haviam permanecido armazenadas antes do naufrágio.
Moedas ajudam a situar o período da embarcação

Parte das moedas apresentava a imagem de Constantino, que primeiro governou o Império Romano do Ocidente e posteriormente consolidou o poder sobre o império.
Outras estavam relacionadas a Licínio, governante da porção oriental e rival de Constantino. A presença dessas moedas reforçou a associação cronológica do naufrágio com o século IV, juntamente com as análises realizadas sobre a própria embarcação.
Areia ajudou a conservar as estátuas durante séculos
O mesmo sedimento que escondeu o sítio também colaborou para preservar os artefatos. As estátuas de bronze ficaram protegidas sob a areia, reduzindo a exposição direta a fatores que poderiam acelerar sua deterioração.
A Autoridade de Antiguidades de Israel destacou o estado excepcional de conservação das peças. O contraste chama atenção porque os objetos permaneceram cerca de 1.600 anos submersos antes de serem encontrados e retirados durante a operação arqueológica.
Âncoras indicam tentativa de impedir o acidente
Os pesquisadores encontraram evidências de que a tripulação pode ter tentado evitar que o navio fosse lançado contra a costa. Um estudo preliminar das âncoras indicou que elas teriam sido utilizadas enquanto a embarcação estava à deriva.
A interpretação apresentada pelos especialistas é que a força das condições marítimas teria superado a tentativa de conter o navio, levando a embarcação na direção das estruturas costeiras e das rochas próximas ao porto.
Tempestade é a principal hipótese para o naufrágio
Os arqueólogos acreditam que se tratava de um grande navio mercante que navegava nas proximidades de Cesareia quando enfrentou condições meteorológicas severas.
Segundo essa reconstrução, a embarcação teria sido empurrada por vento e ondas até se chocar perto do porto. Essa explicação é uma hipótese arqueológica baseada nos vestígios encontrados, e não um relato histórico preservado sobre o acidente.
Cesareia era um importante porto do mundo romano
A localização também aumenta o interesse da descoberta. Cesareia funcionou como um importante centro marítimo na costa do Mediterrâneo durante o período romano, recebendo embarcações e mercadorias que circulavam por diferentes regiões do império.
Encontrar um navio carregado de metal, moedas, objetos decorativos e estátuas de bronze próximo ao porto oferece aos pesquisadores uma oportunidade de estudar não apenas um naufrágio, mas também aspectos das rotas comerciais e do reaproveitamento de materiais na Antiguidade.
Operação arqueológica começou após aviso dos mergulhadores
Depois que os mergulhadores recreativos comunicaram o achado, equipes da Autoridade de Antiguidades de Israel e voluntários realizaram levantamentos subaquáticos no local.
Equipamentos especializados foram empregados para documentar e recuperar parte da carga. A descoberta inicial feita durante um mergulho recreativo acabou dando origem a uma investigação arqueológica estruturada, com análise de diferentes componentes da embarcação.
Descoberta mostra por que comunicar achados é decisivo
Feinstein e Ra’anan não removeram por conta própria o conjunto encontrado. Ao identificar vestígios potencialmente arqueológicos, acionaram a autoridade responsável, permitindo que o local fosse examinado dentro de um procedimento técnico.
Esse comportamento foi reconhecido pela própria instituição israelense. O episódio demonstra como descobertas realizadas por mergulhadores podem ganhar valor científico muito maior quando o sítio é preservado e documentado antes da retirada dos objetos.
Naufrágio reuniu arte, comércio e história romana no mesmo sítio
O conjunto encontrado perto de Cesareia combina fragmentos de embarcação, âncoras, milhares de moedas, objetos ornamentais, imagens de divindades e estátuas de bronze que permaneceram escondidas por aproximadamente 1.600 anos.
A descoberta permite observar, em um único sítio, tecnologia naval, comércio de metais, circulação monetária e produção artística do período romano tardio. Qual parte desse achado mais chama sua atenção: as milhares de moedas, as estátuas em tamanho real ou o fato de tudo ter permanecido preservado sob a areia durante tantos séculos? Deixe sua opinião nos comentários.


