Victor ficou conhecido ao passar em Medicina aos 14 anos. Dez anos depois, o g1 mostrou como estava a carreira do médico sergipano.
Dez anos depois de ficar conhecido nacionalmente por conquistar uma vaga em Medicina aos 14 anos, José Victor Menezes Teles já havia transformado a aprovação precoce em uma carreira ligada à ginecologia e obstetrícia. Em reportagem publicada pelo g1 em 22 de fevereiro de 2025, o sergipano contou que trabalhava na maternidade de sua cidade natal, havia participado do nascimento de pouco mais de 200 itabaianenses e estava perto de concluir a residência médica.
O retrato é daquele momento, portanto, não representa necessariamente a situação profissional de Victor em 2026. Na ocasião da entrevista, ele também planejava abrir um centro médico no Agreste de Sergipe ao lado da noiva, Catarina Fagundes, também médica obstetra. Confira!
Victor havia escolhido permanecer na cidade onde cresceu
Mesmo depois de uma trajetória universitária incomum, Victor direcionou a carreira para Itabaiana, município sergipano onde viveu desde a infância e onde sua família permanecia.
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Ao g1, ele contou que trabalhava na Maternidade São José desde que se formou. Muitos dos pacientes eram pessoas conhecidas ou moradores da região que acompanharam sua história desde a adolescência.
O médico mantinha inclusive um registro pessoal dos nascimentos dos quais participava, anotando nome, data e horário de cada bebê. Até fevereiro de 2025, calculava que pouco mais de 200 moradores de Itabaiana haviam nascido com sua participação profissional.
O número criava um contraste com a história iniciada uma década antes. Em 2015, a cidade comemorava a aprovação de um adolescente na universidade. Dez anos depois, Victor já atendia novas famílias do próprio município.

Ginecologia e obstetrícia ganharam significado após a pandemia
A escolha da especialidade ocorreu depois de um dos períodos mais difíceis da formação médica. Durante a pandemia de Covid-19, Victor atuou por mais de 700 horas na linha de frente antes mesmo de receber oficialmente o diploma.
A experiência permitiu que ele estivesse entre os 144 novos médicos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) beneficiados pela antecipação da formatura em 2021, medida possibilitada por uma portaria federal. Depois dessa fase, passou a trabalhar diretamente com ginecologia e obstetrícia.
Victor relacionou a escolha às perdas presenciadas durante a pandemia. Para ele, participar dos cuidados ligados ao nascimento de novas vidas trouxe um significado diferente à profissão. Em fevereiro de 2025, a previsão era concluir a residência médica no mês seguinte, em março.
Medicina também aproximou Victor da futura esposa
A especialidade escolhida teve ainda outro impacto pessoal. Durante um módulo da residência, Victor conheceu Catarina Fagundes. A convivência diária aproximou os dois, que posteriormente ficaram noivos e passaram a compartilhar também atividades profissionais.
Segundo relatou ao g1, os dois faziam cursos, cirurgias e plantões juntos. Na época da reportagem, o casal pretendia levar essa parceria para um novo projeto: a abertura de um centro médico na região Agreste de Sergipe.
A iniciativa sinalizava uma nova etapa para quem havia entrado na universidade cercado de questionamentos sobre a própria idade e, dez anos depois, já planejava ampliar a atuação profissional no estado.

Aprovação aos 14 anos esbarrou no ensino médio
O obstáculo enfrentado por Victor em 2015 não foi uma recusa da UFS em aceitar um aluno tão jovem. O problema era documental. Ele havia conseguido a sétima colocação para Medicina, mas ainda não possuía o certificado de conclusão do ensino médio, requisito necessário para efetivar a entrada na graduação.
Victor explicou que a ação judicial posteriormente movida pela família não buscava obrigar a universidade a realizar a matrícula. O objetivo era obter autorização para que ele demonstrasse, por meio de avaliações, conhecimentos suficientes para finalizar antecipadamente a educação básica.
Antes da Justiça entrar no caso, o próprio adolescente redigiu um pedido destinado ao secretário estadual de Educação de Sergipe. A solicitação foi negada. Com o indeferimento administrativo, a família buscou a Justiça.
Uma decisão autorizou que Victor realizasse avaliações de proficiência equivalentes à conclusão do ensino médio. Foram 13 provas, incluindo uma redação. Ele conseguiu aprovação nos exames, recebeu a documentação necessária e pôde iniciar Medicina.
No ano seguinte, resolveu participar novamente do Exame Nacional do Ensino Médio. A nova tentativa terminou com outra aprovação em Medicina, desta vez na segunda colocação. Ao relembrar o episódio, Victor brincou que repetiu o resultado para mostrar que a primeira aprovação não havia sido sorte.
Família de professores viu outros filhos se interessarem pela trajetória
O ambiente familiar continuou presente durante toda a história. Os pais de Victor são professores e tiveram outros três filhos mais novos. Segundo o médico, os irmãos foram influenciados tanto pelo resultado alcançado por ele quanto pela convivência com sua rotina profissional.
Ainda assim, Victor afirmou que procurava incentivar cada um a construir o próprio caminho, sem transformar sua trajetória em uma obrigação a ser repetida.
Itabaiana permaneceu como ponto central dessa história. Localizada a cerca de 55 quilômetros de Aracaju e com aproximadamente 100 mil habitantes, a cidade havia acompanhado a aprovação de 2015 e continuava demonstrando carinho pelo médico anos depois.
Aos 14 anos, sua preocupação era obter a documentação necessária para entrar na universidade. Uma década depois, ele relatava uma rotina de partos, residência médica, plantões ao lado da noiva e planos de abrir um centro médico no interior sergipano.
A antecipação acompanhou diferentes etapas de sua formação: começou com a entrada precoce na UFS e voltou a acontecer na conclusão do curso durante a pandemia.
Mas, naquele retrato de 2025, o dado que melhor mostrava o caminho percorrido talvez estivesse fora da universidade. Victor, que aos 14 anos virou notícia por conseguir entrar em medicina, já contabilizava mais de 200 nascimentos acompanhados profissionalmente justamente na cidade onde sua história havia começado.
Com informações do g1
