Carla Villa, abriu a rotina que segue há décadas em Milão e contou o que acredita ter ajudado a chegar aos 101 com lucidez, autonomia e poucos excessos.
Carla Villa tem 101 anos e uma rotina que passa longe de fórmulas milagrosas. A italiana contou ao clarin.com que costuma acordar entre 7h30 e 8h, toma café com leite e biscoitos, quase sempre pula o almoço e termina o dia com um jantar leve, de frango com legumes ou peixe.
Para ela, a longevidade tem muito menos a ver com segredos elaborados e muito mais com constância. Carla diz que viveu fazendo o que queria, manteve hábitos simples ao longo da vida e ainda preserva uma rotina marcada por pequenos prazeres, como um sorvete de café que recebe do filho de vez em quando.
A história ganhou força porque não se trata apenas de uma centenária lúcida falando sobre alimentação. Carla também resume, em poucos hábitos diários, uma vida inteira atravessada por guerras, perdas, trabalho e mudanças profundas em Milão, onde passou 99 anos morando na Via San Marco.
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O café da manhã e o jantar leve que viraram marca da sua rotina
O dia de Carla começa cedo, mas sem exagero. O café com leite e os biscoitos ocupam o lugar principal da manhã, e o almoço, segundo ela, costuma ser dispensado. À noite, a escolha recai sobre pratos leves, como frango com verduras ou peixe.
O padrão chama atenção justamente pela simplicidade. Sem dietas da moda, sem menus sofisticados e sem discursos de restrição extrema, a rotina que ela descreve parece seguir um caminho oposto ao que muita gente tenta adotar em busca de saúde e bem-estar.
Carla, no entanto, não fala como quem tenta ensinar uma regra universal. Ela apenas conta o modo como vive, com horários estáveis e sem grandes mudanças ao longo dos anos.
Uma vida inteira no mesmo bairro e com lembranças que atravessam gerações
Carla viveu por quase um século no mesmo endereço em Milão, onde cresceu sobre o local que hoje abriga o El Tombon de San Marc. Antes, ali funcionava a histórica Drogheria Villa, negócio do pai, Luigi Villa, que marcou sua infância e sua relação com o bairro.
Ela lembra até de clientes conhecidos que passavam pelo comércio da família, como Indro Montanelli, que comprava café e produtos para barbear. São memórias que ajudam a mostrar como sua longevidade também está ligada a uma vida muito enraizada no mesmo lugar.
Mesmo agora, com dificuldades para caminhar e problemas de visão que já a impedem de ler o jornal, Carla segue acompanhando as notícias pela televisão e ainda faz pequenos passeios pelo bairro quando o calor permite.
O que ela conta sobre os anos difíceis e a decisão de seguir em frente
A centenária também relembrou um começo de vida frágil. Segundo contou, enfrentou uma complicação grave logo após o nascimento, quando deixou de se alimentar sob os cuidados de uma nodriza. O quadro só mudou depois da orientação de um médico, que recomendou suco de maçã cozida e, depois, a própria fruta.
Mais tarde, a Segunda Guerra Mundial deixou marcas profundas. Em 1942, o irmão Aldo morreu no front oriental, na batalha do Don, e Carla viu a mãe ser atingida por essa perda quando ela estava prestes a completar 17 anos.
Depois da guerra, em vez de deixar a Itália como fizeram muitos sobreviventes, ela permaneceu em Milão e construiu uma nova fase da vida ali mesmo.
Trabalho, maternidade e a resposta direta sobre o segredo da longevidade
Carla também passou grande parte da vida no comércio de antiguidades. Em 1972, abriu uma loja que manteve até 1990 e, anos depois, voltou a trabalhar aos 78, quando substituiu temporariamente uma funcionária grávida em uma loja de vestidos de noiva.
Na vida pessoal, decidiu criar sozinha o filho Thomas depois que a relação com o pai da criança terminou quando ela descobriu a gravidez. Hoje, recebe ajuda de Lolita, que dorme em sua casa e prepara o jantar.
Quando perguntam qual teria sido o segredo para chegar aos 101 anos, Carla responde sem rodeios: ter feito sempre o que quis. A resposta, simples e direta, combina com a rotina que ela levou por décadas e com a imagem de uma centenária que segue viva, ativa dentro do possível e fiel aos próprios hábitos.
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