Uma imagem captada pela sonda Mars Express mostra faixas roxas e rosadas perto do polo sul de Marte. Segundo a Agência Espacial Europeia, a aparência resulta da combinação entre luz da manhã, poeira suspensa e depósitos de gelo
A cena mostra Thyles Rupes, uma extensa formação de escarpas nas terras altas do hemisfério sul. A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou a imagem em 16 de setembro de 2026. Os dados foram captados pela câmera de alta resolução da Mars Express em 17 de fevereiro de 2026.
A reportagem publicada pelo ZME Science chama atenção para a cor inesperada. A explicação apresentada pela ESA é localizada: a imagem não indica que Marte inteiro tenha mudado de cor.
A luz rosada do início da manhã incide sobre um terreno coberto de geada, enquanto há poeira no ar e trechos onde gelo e poeira se misturam. Juntos, esses fatores produzem o aspecto arroxeado registrado pela câmera.
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Há diferenças também no próprio solo. As áreas escuras contêm materiais de origem vulcânica ricos em minerais como olivina e piroxênio. Já as manchas mais claras são depósitos gelados de dióxido de carbono, visíveis inclusive sobre dunas e dentro de crateras.
Gelo permanece durante a primavera marciana
A região foi fotografada durante a primavera no hemisfério sul de Marte. Mesmo nessa estação, depósitos de dióxido de carbono congelado permanecem sobre partes da paisagem. No canto inferior da imagem, uma área pálida corresponde a parte de uma geleira ligada à calota polar sul.
Essas superfícies ajudam a criar o contraste da fotografia: há manchas azuladas de gelo, terrenos escuros e faixas avermelhadas. A ESA ressalta que as condições da atmosfera e da iluminação podem alterar a aparência das imagens marcianas ao longo do dia.
A posição do Sol interfere até na percepção do relevo. Uma área gelada na parte inferior da cena pode parecer uma depressão, mas o mapa de elevação divulgado pela ESA mostra que se trata de um trecho elevado.
Escarpas passam de um quilômetro de altura
Thyles Rupes se estende por centenas de quilômetros em uma região marcada por crateras de impacto. Em alguns pontos, suas escarpas rochosas ultrapassam um quilômetro de altura.
Segundo a ESA, acredita-se que essas escarpas tenham origem tectônica. Uma explicação proposta é que o interior de Marte esfriou e se contraiu, deformando a crosta e elevando blocos da superfície. A agência situa esses processos no passado distante do planeta.
As crateras ajudam a reconstruir parte dessa sequência. Algumas são atravessadas pelas escarpas, sinal de que já existiam quando o relevo se formou. Outras aparecem sobre a formação e, portanto, são posteriores a ela.
A fotografia mostra ainda campos de dunas, inclusive manchas claras e onduladas. Elas resultam do transporte de areia pelos ventos marcianos e apresentam formas diferentes ao longo da área registrada.
Imagem amplia o retrato das cores de Marte
O apelido de “planeta vermelho” vem da presença de ferro oxidado, associado aos tons avermelhados comuns nas imagens de Marte. A cena de Thyles Rupes mostra como materiais da superfície, gelo, poeira e iluminação podem produzir outras cores em uma região específica.
A câmera que fez o registro é um dos oito instrumentos da Mars Express. A missão foi lançada em 2003 e estuda o planeta há mais de duas décadas. Para produzir as imagens divulgadas, dados da câmera foram processados por equipes na Alemanha
