A reciclagem de dormentes foi demonstrada em uma área ferroviária na Coreia do Sul. O sistema móvel separa aço e concreto, enquanto blocos acústicos feitos com o material recuperado ainda passarão por testes.
Pesquisadores sul-coreanos demonstraram um sistema móvel de reciclagem de dormentes de concreto que separa aço e agregados no local onde as peças são armazenadas. O material recuperado também foi usado em protótipos de blocos para absorção de som.
Como funciona a reciclagem de dormentes
O Instituto de Pesquisa Ferroviária da Coreia (KRRI) levou o equipamento a uma área de armazenamento próxima à estação de Gimyujeong, na cidade de Chuncheon. A demonstração ocorreu em 13 de maio, diante de representantes do setor ferroviário e outros convidados.
Segundo a reportagem publicada pelo Tech Xplore em 22 de setembro, o sistema foi transportado até o local, conectado a uma escavadeira e usado para triturar dormentes descartados. O processo separou o aço de reforço dos agregados de concreto para reciclagem.
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Dormentes são as peças que sustentam os trilhos. Quando retirados de uso, os de concreto ainda contêm materiais aproveitáveis, mas precisam ser quebrados e separados. A demonstração buscou verificar o funcionamento do sistema móvel em uma área ferroviária real.

Do concreto recuperado aos blocos acústicos
No mesmo evento, o KRRI apresentou protótipos de blocos para absorção de som feitos com agregados extraídos dos dormentes. O instituto afirma que a presença de impurezas costuma dificultar o aproveitamento desse material em diferentes aplicações.
Para produzir os protótipos, a equipe classificou os agregados pelo tamanho das partículas e acrescentou uma pequena quantidade de aglutinante. Os blocos foram apresentados como uma possível opção para instalações de transporte e edifícios, mas seu desempenho ainda precisa ser verificado fora da demonstração.
O instituto planeja uma instalação piloto em ambientes reais, como estações ferroviárias, no segundo semestre de 2026. Essa etapa deverá avaliar a absorção sonora e a aplicação prática dos blocos. A apresentação dos protótipos, portanto, ainda não equivale à comprovação de seu desempenho em uso contínuo.
O que o estudo mediu
Uma pesquisa publicada em março no Journal of Material Cycles and Waste Management examinou o destino de dormentes de concreto descartados na Coreia. Os autores compararam, por avaliação de ciclo de vida, três cenários: descarte em aterro, reciclagem dos materiais e reaproveitamento com um processo adicional de captura de CO₂.
A unidade usada nos cálculos foi um conjunto de mil dormentes, com peso médio aproximado de 200 quilos por peça. No ensaio de trituração descrito no estudo, cerca de 92% da massa correspondeu a agregados de concreto e 6% a aço reciclável.
Na comparação com o cenário de descarte em aterro, os pesquisadores calcularam compensações líquidas de 44.416 quilos de CO₂ equivalente para a reciclagem dos materiais e de 95.371 quilos para o cenário que também prevê captura de CO₂. São resultados da avaliação dos cenários definidos no estudo, não medições das emissões evitadas na demonstração de maio.
O que ainda será verificado
Há uma diferença entre as etapas do projeto. O funcionamento do equipamento móvel foi demonstrado em campo. Os blocos acústicos foram apresentados como protótipos. Já o cenário com captura de CO₂ incluiu experimentos de laboratório e cálculos de ciclo de vida.
Os autores do estudo registram que ainda não havia dados de operação piloto ou industrial para a etapa de carbonatação dos dormentes reciclados. Para modelar esse cenário em escala maior, usaram as condições observadas em laboratório. A instalação piloto dos blocos acústicos será outra etapa de verificação anunciada pelo KRRI.
