Equipamento automático construído em Colônia passou a integrar uma fábrica cuja história atravessou seis gerações, incêndios e mudanças na indústria; máquinas restauradas hoje são acionadas durante demonstrações.
Uma máquina automática fabricada em 1926 em Colônia, na Alemanha, chegou aos 100 anos preservada na antiga Killebergs Kettingfabrik, fábrica de correntes localizada em Killeberg, na Suécia.
O equipamento chama atenção não apenas pela idade: depois da restauração do complexo industrial, máquinas automáticas adquiridas naquele ano ainda podem ser colocadas em funcionamento durante demonstrações para visitantes.
O equipamento aparece no acervo do projeto europeu Sounds of Changes como “Automatic chain making machine”, ou máquina automática de fabricação de correntes. O registro identifica 1926 como o ano de fabricação e Köln, atual Colônia, como o local onde foi construída.
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A máquina acabou preservando uma parte de uma atividade industrial que, em Killeberg, possui raízes muito anteriores à própria mecanização.

Produção de correntes começou ainda no século XVIII
A história ligada à fábrica remonta ao fim do século XVIII, quando o ferreiro Bengt Jönsson-Loberg, de Släthult, especializou-se na produção de correntes. Entre seus produtos estavam cabrestos, correntes para tração e correntes utilizadas no transporte de madeira, destinadas principalmente às propriedades agrícolas da região. A fabricação continuaria na mesma família por seis gerações.
Em 1905, Otto Jönsson construiu uma oficina em Killeberg e começou a fabricar correntes em pequena escala. Dez anos depois, em 1915, ele e o irmão August também criaram uma fábrica de pregos e uma operação de trefilação de arame.
Um incêndio destruiu a instalação familiar de Släthult em 1923, levando a produção a ser transferida integralmente para Killeberg. Naquele período, aproximadamente 15 a 20 pessoas trabalhavam no negócio e começaram a ser incorporadas máquinas integrais e semiautomáticas acionadas por correias.
Máquinas automáticas chegaram em 1926
Foi em 1926 que ocorreu um dos principais saltos tecnológicos da fábrica. A associação histórica de Loshult afirma que naquele ano foram adquiridas máquinas automáticas que teriam sido as primeiras desse tipo no país. São justamente equipamentos dessa geração que, após centenas de horas de trabalho voluntário de restauração, podem hoje ser demonstrados em operação.
Além da máquina automática que moldava correntes, o acervo preserva uma máquina automática de soldagem de topo, igualmente identificada como construída em 1926 em Colônia. Esse processo permite unir extremidades sem a necessidade de componentes adicionais, aquecendo as partes e pressionando-as para formar a união.
A produção não se restringia ao campo. A Killebergs Kettingfabrik fornecia correntes de diferentes dimensões para propriedades rurais, indústrias e lojas de ferragens. Também atendia encomendas especiais, incluindo grandes correntes de âncora produzidas manualmente.
Um dos produtos desenvolvidos ali ficou conhecido como “Killeberg chain”. Nesse modelo, cada elo era girado cerca de 45 graus, solução desenvolvida para reduzir o contato agressivo da corrente com o pescoço dos animais.
Incêndio, concorrência e fim da produção
A história da fábrica ainda enfrentaria outro incêndio. Em 1937, a oficina existente foi destruída, e o prédio atual foi construído para substituí-la. Parte do maquinário conseguiu ser salva das chamas e permaneceu disponível para fabricação de correntes durante demonstrações posteriores.
Com a mecanização, a produção tornou-se mais eficiente e o número de funcionários diminuiu. Em 1966, quando Thorsten, filho de Albert, tornou-se o único proprietário, apenas oito pessoas trabalhavam na empresa. Posteriormente, novos materiais, entre eles as cordas de nylon, reduziram a procura pelas tradicionais correntes metálicas.
O encerramento começou por volta de 1990. Tryggve Hillerström manteve a atividade até 2002, quando a produção finalmente chegou ao fim. No ano seguinte, a associação histórica de Loshult adquiriu a antiga fábrica e passou a preservar o conjunto como um museu industrial vivo.
Um século depois de sua fabricação, a máquina alemã de 1926 deixou de representar apenas uma ferramenta produtiva. Restaurada e preservada ao lado de outros equipamentos históricos, ela permite observar em movimento uma tecnologia industrial desenvolvida em uma época em que controles eletrônicos e sistemas CNC ainda estavam décadas distantes de chegar às fábricas.
Fontes: Sounds of Changes ; Loshults Hembygdsförening ; Greater Copenhagen e copenhagen.
