Artista alagoano criou a Podderosa em meio às dificuldades financeiras, transformou o improviso em profissão, tornou-se MEI e passou a viver exclusivamente da própria arte com apoio do Sebrae.
A Podderosa, personagem criada pelo artista alagoano Gilvan Gomes, nasceu em meio às dificuldades financeiras e acabou se transformando em profissão, empreendimento e fonte de renda para sua família.
Natural de um povoado da zona rural de Penedo, em Alagoas, Gilvan começou fazendo os próprios irmãos rirem. Posteriormente, passou pelo teatro, conquistou reconhecimento artístico e encontrou no humor uma oportunidade profissional.
Entretanto, antes da consolidação da personagem, o artista enfrentou preconceito, problemas financeiros e até noites dormindo na rua.
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Com o tempo, Gilvan formalizou sua atividade como Microempreendedor Individual (MEI). Além disso, buscou apoio do Sebrae Alagoas para organizar custos, precificação e gestão financeira.
Humor começou dentro de casa e ganhou espaço no teatro
O primeiro contato de Gilvan Gomes com o humor aconteceu ainda dentro de casa. Seu pai costumava contar piadas aos amigos, enquanto o filho observava atentamente as reações.
Consequentemente, os irmãos se transformaram em sua primeira plateia. Segundo Gilvan, a própria família funcionou como um laboratório para desenvolver seu humor.
Apesar do interesse artístico, entretanto, ele ainda precisava enfrentar a timidez.
A mudança começou durante seu trabalho como agente comunitário de saúde. Gradualmente, o contato com diferentes pessoas ajudou Gilvan a ganhar confiança para falar em público.
Posteriormente, ele participou do teatro educativo e passou a integrar a Companhia Penedense de Teatro.
Em 2003, sua atuação conquistou reconhecimento. Gilvan recebeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival Nacional de Teatro, no tradicional Teatro Sete de Setembro.

Podderosa nasceu quando Gilvan precisava sustentar a família
A transformação do humor em profissão ocorreu, principalmente, diante de uma necessidade financeira.
Depois do nascimento da filha, Gilvan enfrentava dificuldades para sustentar a família. Foi justamente nesse período que surgiu a Podderosa.
Inspirada na cultura nordestina, a personagem ganhou uma personalidade cômica, extravagante e espontânea.
Inicialmente, Gilvan improvisava durante festas e eventos. Porém, a Podderosa rapidamente começou a despertar interesse comercial.
Assim, a personagem passou a ser contratada para campanhas promocionais, animações de lojas e trabalhos no rádio.
A partir daquele momento, Gilvan percebeu que poderia viver do humor. Entretanto, também entendeu que precisava transformar a atividade artística em um negócio.
Preconceito e noites dormindo na rua marcaram a trajetória
Apesar da leveza apresentada pela personagem, o caminho profissional foi marcado por dificuldades.
Gilvan relata que enfrentou resistência por ter vindo da zona rural. Além disso, sofreu preconceito pela caracterização feminina utilizada para interpretar a Podderosa.
Durante essa trajetória, o artista também enfrentou problemas financeiros e chegou a passar noites dormindo na rua.
Ainda assim, decidiu continuar investindo na própria criação.
Com o passar do tempo, entretanto, a resistência começou a dar lugar ao reconhecimento. Segundo Gilvan, pessoas que anteriormente o criticavam passaram a procurá-lo para tirar fotografias.
Hoje, a Podderosa é conhecida em Penedo e região como a “Rainha do Improviso”.
A personagem participa de eventos, divulga marcas e apresenta paródias e bordões ligados ao humor nordestino.
Além disso, Gilvan comandou um programa de rádio durante 14 anos.
Entre seus novos projetos estão um espetáculo totalmente improvisado e o livro Uma história poderosa – rindo e vencendo na vida.
Como a Podderosa se transformou em negócio?
Com o crescimento da personagem, Gilvan percebeu que conquistar público não seria suficiente para manter uma carreira sustentável.
Por isso, sua atividade artística foi formalizada como Microempreendedor Individual (MEI).
Posteriormente, o artista procurou orientação do Sebrae Alagoas. Nesse processo, passou a compreender melhor temas como precificação, gestão financeira e emissão de notas fiscais.
Gilvan percebeu, por exemplo, que maquiagem, figurinos, sandálias e outros elementos utilizados pela Podderosa também representavam custos profissionais.
Consequentemente, a organização financeira mudou sua maneira de calcular os valores cobrados pelo trabalho.
Atualmente, Gilvan emite notas fiscais, participa de licitações para eventos culturais e afirma viver exclusivamente da arte.
Segundo o artista, o negócio também permitiu formar suas duas filhas, adquirir transporte próprio e manter sua carreira.
Semana do MEI destacou caminhos para pequenos empreendedores
A trajetória de Gilvan Gomes e da Podderosa ganhou destaque durante a Semana do MEI de 2025, promovida pelo Sebrae.
A programação nacional ocorreu entre 26 e 30 de maio de 2025. Em Alagoas, entretanto, as atividades foram distribuídas durante o mês.
Cidades como Maceió, Delmiro Gouveia, Arapiraca e Penedo receberam ações relacionadas ao empreendedorismo.
Em 2025, o Sebrae realizou a 16ª edição da Semana do MEI, iniciativa que já havia atendido mais de 3 milhões de pessoas em todo o Brasil.
A programação apresentou conteúdos sobre comportamento empreendedor, gestão financeira, crédito, marketing, vendas e transformação digital.
Para Gilvan, porém, a formalização teve um efeito diretamente relacionado à própria carreira: a arte passou a ser administrada também como negócio.
Da primeira plateia formada pelos irmãos à consolidação da Podderosa, sua trajetória atravessou teatro, rádio, eventos e empreendedorismo.
Assim, o improviso que começou dentro de casa se transformou em profissão, empresa e fonte de sustento para sua família.
E você, acredita que talento, persistência e empreendedorismo podem transformar uma paixão, mesmo diante das dificuldades, em uma profissão capaz de mudar uma vida?

Humor é tudo de bom