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Laser de neutrinos pode ser impossível: estudos do MIT apontam barreiras quânticas que impedem átomos radioativos de formar o feixe

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 08/10/2026 às 16:01 Atualizado em 08/10/2026 às 17:25
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Estudos do MIT indicam que o comportamento quântico dos neutrinos e o recuo dos átomos impedem a amplificação necessária ao laser proposto com material radioativo ultrafrio, enquanto idealizadores ainda consideram um possível teste em laboratório.

Um laser de neutrinos baseado em átomos radioativos ultrafrios não produziria a amplificação prevista por seus idealizadores, segundo novos cálculos de pesquisadores do MIT. As análises apontam obstáculos ligados às partículas emitidas e ao movimento dos átomos.

Segundo a SciTechDaily, em reportagem publicada nesta quinta-feira, 8 de outubro, Wolfgang Ketterle, Hanzhen Lin e Yu-Kun Lu examinaram a proposta apresentada em 2025 por Joe Formaggio e Ben Jones.

Os dois trabalhos foram publicados em 2 de setembro de 2026 na Physical Review Letters. Eles investigam aspectos diferentes do mecanismo sugerido, que tentaria sincronizar emissões radioativas para formar um feixe semelhante ao de um laser.

Partículas impedem a amplificação

No estudo sobre a impossibilidade fundamental do dispositivo, os pesquisadores analisaram um sistema idealizado de átomos emitindo férmions, categoria à qual pertencem os neutrinos. A pergunta era se essa emissão poderia apresentar superradiância, como ocorre com fótons.

Na superradiância, emissões de várias partículas podem se reforçar coletivamente. Nesse regime, a intensidade máxima pode crescer proporcionalmente ao quadrado do número de átomos, em vez de acompanhar apenas a quantidade de emissores independentes.

Os cálculos do MIT encontraram outro resultado: para processos que emitem um único férmion, a taxa máxima cresce somente em proporção ao número de átomos. Assim, o sistema não apresenta o aumento coletivo necessário ao esquema proposto.

O artigo atribui esse limite à interferência destrutiva entre amplitudes de transição ou ao bloqueio de Pauli. Esse princípio impede que férmions idênticos ocupem o mesmo estado quântico.

Recuo desfaz a coordenação

O outro trabalho examinou se condensados de Bose-Einstein poderiam modificar o decaimento radioativo. Essas nuvens ultrafrias permitem que átomos se comportem coletivamente, mas os pesquisadores concluíram que isso não resolve as dificuldades associadas à radiação de alta energia.

Conforme a análise publicada na Physics, da Sociedade Americana de Física, os átomos de criptônio produzidos no decaimento recuam a milhares de metros por segundo. Eles atravessam o condensado em menos de um microssegundo.

Esse deslocamento acontece antes que a emissão coletiva consiga se desenvolver. O movimento também permite distinguir qual átomo originou cada emissão, destruindo a coerência necessária para que os eventos se reforcem.

Como funcionaria a proposta

A ideia original previa resfriar aproximadamente um milhão de átomos radioativos de rubídio-83 até formar um condensado. Durante o decaimento, eles se transformariam em criptônio-83 e liberariam neutrinos.

Os idealizadores esperavam que esse conjunto emitisse de maneira coordenada, acelerando o decaimento. Entretanto, a análise da Physics também aponta que o comprimento de onda extremamente pequeno dos neutrinos restringe a participação dos átomos na emissão coletiva.

Teste experimental segue em discussão

Os resultados apresentados são teóricos. Segundo a SciTechDaily, ninguém produziu até agora um condensado de Bose-Einstein com átomos radioativos, condição prevista para implementar o dispositivo.

Formaggio considera que a proposta ainda poderá ser examinada experimentalmente. Ele, Jones e Ketterle se reuniram diversas vezes para discutir os cálculos originais e as objeções posteriores. A reportagem não informa uma data para realizar esse teste.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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